Jack Kirby desenhando
Jack Kirby: um dos maiores criadores dos quadrinhos.

Nesta segunda-feira, 28 de agosto, celebram-se os 100 anos de nascimento de uma lenda: Jack Kirby, o Rei dos Quadrinhos, o mais sensacional e genial artista que a nona arte gerou. Além de ser um dos criadores do Capitão América, ele foi o criador principal do Universo Marvel, ao lado do celebrado Stan Lee. Porém, Kirby colaborou com outras editoras e deixou uma marca fortíssimas nas HQs, sendo referência obrigatória no gênero.

Para comemorar, o HQRock traz uma postagem especial sobre o artista, partindo de um post mais antigo (de 2011), mas atualizado com novas informações.

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Kirby nos anos 1940: revolucionando os quadrinhos.

Nascido Jacob Kurtzenberg em uma família judia da região “barra pesada” do Brooklyn, em Nova York, em 1917, o desenhista e escritor ajudou criar alguns dos personagens mais importantes da mídia, como Capitão América, Quarteto Fantástico, Hulk, Thor, Homem de Ferro, Os Vingadores, os X-Men, Demolidor, dentre outros.

Kirby aprendeu a desenhar sozinho e começou a trabalhar, ainda adolescente, nos estúdios de animação dos irmãos Fleischer, produzindo Popeye e Betty Boop. Depois, trabalhou em editoras pequenas como um dos terceirizados do famoso estúdio de Will Eisner e Jerry Iger, que produziam HQs sob encomenda para quem pagasse pelo serviço.

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Joe Simon e Jack Kirby: primeiros editores da Marvel.

Foi por meio desses serviços que Kirby terminou chamando a atenção do escritor (e também desenhista) Joe Simon, que havia recém sido contratado pela editora Funnie Comics Inc., para produzir a revista Blue Bolt. Impressionado com a arte enérgica de Kirby, Simon (que era melhor nas letras do que no traço) propôs uma parceria e os dois montaram o seu próprio estúdio e uma sociedade, nascendo a mais explosiva equipe criativa dos quadrinhos da Era de Ouro. A estreia da assinatura de Simon & Kirby se deu no número dois de Blue Bolt, 1939. A dupla também forneceu material para a Fox Feature Syndicate na mesma época.

A grande virada, porém, veio na recém-fundada Marvel Comics, que naqueles tempos se chamava Timely Comics, que contratou Kirby como Diretor de Arte e Simon, como Editor-Chefe. A dupla supervisionou a criação da revista Marvel Comics 01, de 1939, que trouxe de cara os principais personagens da editora – o Tocha Humana (de Carl Burgos) e Namor, o príncipe submarino (de Bill Everett).

Simon e Kirby também colaboravam com textos e desenhos nas revistas (sem receber créditos) e criaram também alguns personagens que não conseguiram emplacar, notadamente o Marvel Boy, em 1940.

Para além do lado editorial, a dupla encontrou de verdade seu lugar ao sol no campo criativo com a criação do Capitão América, publicado pela primeira vez em 1941. Sob o comando de Adolf Hitler, a Alemanha promovia uma grande campanha bélica na Europa, levando o mundo de nova ao estado de guerra. Com a I Guerra Mundial (1914-1918) ainda muito fresca na memória, todos pensavam estar vendo nascer a II Guerra e estavam certos. Em meio à crescente onde de conflitos, se sabia que logo chegaria a vez dos Estados Unidos se envolverem. Rapidamente, o patriotismo começou a invadir as histórias de super-heróis e personagens como o Superman encamparam isso muito bem.

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A capa de Captain America 01, de 1941.

Surfando na onda, Simon e Kirby criaram o Capitão América, que estreou em sua própria revista (fato raríssimo), Captain America Comics 01, de março de 1941. Os roteiros repletos de horror e a arte exuberante, cheia de fúria e saindo dos quadrinhos da revista a tornaram um dos maiores sucessos da indústria dos quadrinhos da época, batendo de frente com nomes como Superman (da National Comics, futura DC Comics) e do Capitão Marvel (da Fawcett Comics) e chegando ao 01 milhão de cópias mensais.

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Página original à lápis de uma edição de Capitão América de 1941: a arte de Kirby repleta de movimentos, tensões e extrapolando os limites dos quadrinhos.

As histórias do Capitão América viraram não apenas um sucesso colossal, mas uma referência para todos os artistas do meio. Kirby criou uma nova forma de desenhar: seu enquadramento quase nunca obedecia à regra de nove quadros por página, tornando-as mais dinâmicas; seu traço era cheio de movimento; suas figuras saltavam de dentro dos quadros, dando mais dinamicidade; e por fim, quando os quadros se tornaram pequenos demais, Kirby criou a splash page, os quadrinhos de página dupla, na qual duas folhas inteiras da revista retratavam uma única e impactante cena.

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Outra inovação: foi Kirby quem criou as “páginas duplas” nos quadrinhos. Trecho de “Captain America Comics 06” de 1941.

captain america comics 03 1941Outro ponto importante da primeira passagem de Kirby na Marvel é que, ao lado de Simon, ele foi responsável pela introdução do jovem Stanley Lieber no mundo da criação dos quadrinhos. O jovem tinha um parentesco distante com o dono da Timely, Martin Goldman, e foi contratado como um “faz tudo” na empresa. Kirby o colocou para apagar a parte à lápis de sua arte após a aplicação da tinta nanquim, mas ao perceber que o garoto gostava de escrever abriu espaço para ele começar a colaborar nas histórias. Captain America 03, de 1942, traz a estreia do menino como roteirista, que decidiu assinar como Stan Lee e teria uma longa história futura com Kirby.

Em segredo, Kirby ajudou o Capitão Marvel (da editora Fawcett) a se tornar um sucesso maior que o Superman. Quando a Marvel descobriu, ele foi demitido.

Como Simon e Kirby não ganhavam o prometido na Marvel, e achavam que mereciam mais, começaram a produzir secretamente material para outras editoras, inclusive, para o Capitão Marvel (também conhecido como Shazam), da editora Fawcett, na época, um dos maiores sucessos em vendas. A estratégia deu certo: com o auxílio de Kirby e Simon, a revista do herói se tornou a mais vendida do mercado, batendo o homem de aço da concorrência.

Porém, compreensivelmente, quando Martin Goldman descobriu que seus principais criadores estavam “costurando para fora” os demitiu sumariamente. Por isso, a dupla realizou apenas os dez primeiro números de Captain America Comics.

Kirby era um homem raivoso, taciturno e nervoso e nunca conseguiu deixar de ter a impressão de que fora Stan Lee quem os denunciara ao patrão. Isto nunca foi provado, mas Kirby guardou para sempre esse rancor. Em sua biografia, Joe Simon afirmou que a frase de Kirby na época foi a seguinte: “da próxima vez que eu encontrar aquele moleque, eu vou matá-lo!”. Esse reencontro demoraria a acontecer, mas viria.

Mas foi Stan Lee quem se tornou o principal escritor do Capitão América dali em diante.

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“Boys Commandos”: sucesso também fora dos super-heróis.

Demitidos, Simon e Kirby se mudaram, em 1942, para a DC Comics, produzindo um novo herói chamado Guardião (uma cópia do Capitão América), Sandman (um herói já existente há três anos) e também criaram a Legião Jovem (NewsBoy Legion, grupo adolescente que auxiliava o Guardião) e fizeram um sucesso estrondoso com The Boys Commandos, sobre um grupo de adolescentes órfãos que lutam na II Guerra Mundial.

Falando no conflito, os Estados Unidos haviam declarado guerra à Alemanha e aos países do Eixo (que incluíam Japão e Itália) em dezembro de 1941 (quase um ano depois do lançamento do Capitão América), e por isso, houve uma convocação em massa de jovens para se alistarem no Exército. Jovens, criativos e quase sempre filhos de imigrantes judeus, os artistas de quadrinhos foram um ótimo celeiro de recrutas convocados. Jerry Siegel (o criador do Superman) e Stan Lee foram obrigados a servir ao exército. Jack Kirby também. Infelizmente, ao contrário desses outros dois colegas – que terminaram alocados em funções criativas, como escrever textos e manuais militares – Kirby não teve tanta sorte e foi destacado como soldado de verdade.

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O recruta Kirby: soldado de verdade.

Assim, em 1943, o desenhista foi alocado em um campo militar para treinamento pesado e foi despachado para o conflito. Quando os militares descobriram que Kirby era um grande desenhista, definiram sua missão: atravessar as linhas inimigas, dormir ao relento e desenhar mapas da região que permitissem aos aliados a ingressarem em massa. Sua maior missão foi ingressar no território francês depois do Dia D, em meados de 1944. Kirby era competente em sua tarefa, mas no inverno de 1945 enfrentou seu maior inimigo: o frio. Andando sozinho por terras desconhecidas, fazendo ilustrações e dormindo em barracas portáteis, o artista não estava suficientemente equipado para lidar com temperaturas abaixo de zero. Quando amanheceu determinada manhã, passava muito mal e notou que seus pés tinham congelado.

Kirby conseguiu solicitar ajuda e foi resgatado. Enviado a um hospital em Londres, os médicos consideraram seriamente amputar suas pernas para salvar sua vida, mas o soldado terminou se recuperando. Com isso, ganhou uma Medalha de Bravura e foi realocado em uma oficina mecânica fora da zona de conflito. Ao fim daquele ano, foi dispensado.

Se por um lado não foi uma carreira militar gloriosa nem longa, por outro, permitiu a Kirby uma perspectiva que a maioria dos outros artistas não teve: ele viu a guerra de perto. Esteve em combate de verdade. Isso seria muito útil à sua carreira.

Kirby também fez sucesso com os faroestes. Aqui, The Boy’s Ranch.

De volta à DC Comics, Kirby voltou a produzir The Boys Commandos, em 1946, mas o fim da II Guerra fez as vendas despencarem. O mercado de super-heróis também decaiu, então, ele e Simon saíram produzindo para outras editoras, principalmente, histórias românticas, policiais, de faroeste e terror.

Na década de 1950, a Marvel tentou publicar novas aventuras do Capitão América (agora com Stan Lee e o desenhista estreante John Romita, outra futura lenda da Marvel), o que irritou Kirby profundamente. Como vingança, criou o Fighting American, mas o personagem não emplacou.

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Com o declínio dos super-heróis, Kirby fez sucesso com histórias de romance, muito populares nos anos 1950, inclusive no Brasil.

Esta empreitada foi uma exceção, em um período em que Kirby se dedicava mais a outros gêneros de quadrinho que não os heróis. Ele e Simon criaram na DC Comics a revista Young Romance, por exemplo, que contava com histórias românticas para adolescentes, por exemplo.

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Fighting American: pequena vingança contra a Marvel.

A dupla criou a sua própria empresa, em 1953,  Mainline Publications, que não foi tão bem-sucedida, numa das épocas mais áridas do mercado de quadrinhos. A parceria Simon e Kirby por fim se encerrou em 1955, quando o primeiro desistiu do mundo dos quadrinhos e decidiu se dedicar à publicidade. Kirby prosseguiu insistindo na fase mais baixa de sua carreira.

Uma pequena mudança veio em 1957, quando a DC reformulava todos os seus velhos super-heróis, que voltavam a fazer sucesso depois de 10 anos de baixas vendas. Superman e Batman foram moderninzados e outros como Lanterna Verde, Flash e Mulher-Maravilha foram remodelados totalmente. Kirby foi convidado para trabalhar no Arqueiro Verde, herói que existia desde 1941, mas nunca fora um grande sucesso.

Arqueiro Verde: retorno de Kirby aos super-heróis.

As histórias produzidas pelo artistas foram as mais bem recebidas do personagem até então, fazendo-o deixar de ser uma imitação barata do Batman, dando-lhe personalidade e, não menos importante, criando sua origem.

Ao mesmo tempo, Kirby voltou à Marvel Comics depois de mais de 15 anos e passou a trabalhar com Stan Lee em histórias de ficção científica e terror.

Kirby era orgulhoso, mas não burro. Num mercado em crise e com vendas abaixo do esperado, bateu na porta do antigo desafeto, que agora não era mais um “faz tudo” nem “promessa de escritor”, mas o editor-chefe da Marvel (então, chamada Atlas Comics) e também seu principal roteirista. Naqueles tempo, ainda na ressaca da recessão dos anos 1950, a Marvel não produzia super-heróis, mas Kirby conseguiu sucesso de novo com as histórias de faroeste de Rawhide Kid escritas por Lee.

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Rawhide Kid foi o primeiro sucesso de Kirby na volta à Marvel.

Todavia, a segunda e maior virada na obra de Kirby estaria por vir. Martin Goldman, o dono da Marvel, se empolgou ao saber do sucesso dos novos heróis da DC, particularmente da Liga da Justiça, um grupo que reunia vários personagens e encomendou a Lee fazer o mesmo. Mas a Marvel não tinha nenhum super-herói nas bancas para reunir num grupo, então, tinha que começar do zero, nascendo a ideia do Quarteto Fantástico, em 1961, título inaugural do Universo Marvel.

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A capa de “Fantastic Four 01”, de 1961, por Lee e Kirby: marco zero do Universo Marvel.

É verdade que o conceito principal do Quarteto Fantástico veio de Stan Lee (há um documento que prova isso, com as anotações do escritor sobre os personagens, suas características etc.), mas Kirby não foi um mero coadjuvante na história. Sua primeira – e decisiva – contribuição foi a de que (ao contrário do que Lee tinha pensado) a Mulher-Invisível e o Tocha Humana pudessem “desligar” seus poderes, deixando o Coisa como o único membro incapaz de reverter à forma humana normal, dotando as histórias de mais drama.

Além disso, Lee sabia que podia contar com o tino criativo de Kirby e, por isso, criou o “Método Marvel” de criar HQs: Lee bolava uma premissa básica da história, que podia ter dois parágrafos ou duas páginas de texto; entregava a Kirby que, a partir disso, desenvolvia a história e seus detalhes por meios dos desenhos e notas explicativas; o material voltava a Lee que acrescentava os diálogos. Os motivos de usar essa estratégia eram dois: primeiro, Lee era o editor-chefe da Marvel e ganhava como escritor por meio de trabalho free-lancer, então, no escritório, na redação, não podia escrever, dedicando-se ao trabalho de editor, fazendo seus textos apenas nas horas livres, à noite e fins de semana; em segundo lugar, como a Marvel era uma editora pequena naqueles tempos, Lee escrevia quase tudo e não havia tempo.

Com artistas incrivelmente criativos como Jack Kirby em mãos, Lee continuaria usando o Método Marvel com vários outros, como Steve Ditko, Don Heck, John Romita, Gene Colan, John Buscema etc.

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Thor no visual clássico de Jack Kirby.

O sucesso do Quarteto Fantástico foi enorme e isso logo motivou a Marvel a pedir por mais heróis. Assim, Em seguida, Lee e Kirby criaram outros super-heróis para aproveitar a moda, como o Incrível Hulk e o deus nórdico do trovão Thor, lançados em 1962.

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O Hulk foi outro meio termo entre heróis e outros gêneros.

O grande diferencial dos personagens da dupla é que não eram “seres perfeitos ou icônicos” como os da DC, mas seres humanos cheios de falhas, defeitos, dúvidas e limitações.

Homem-Aranha: controvérsia na criação, mas foi Kirby quem desenhou a capa da primeira aparição do personagem, em “Amazing Fantasy 15”.

O ápice do conceito viria com o personagem seguinte: o Homem-Aranha, também lançado em 1962. Mas a participação de Kirby em sua criação é uma das maiores polêmicas dos quadrinhos. Os fatos: Lee criou o conceito do personagem e pediu a Kirby desenhá-lo; o trabalho foi iniciado, Kirby fez cinco páginas, mas por algum motivo, Lee mudou de idéia e repassou o trabalho para Steve Ditko, que recebeu os créditos.

Qual é exatamente a contribuição de Kirby e Ditko na criação do Homem-Aranha não se sabe exatamente, mas os créditos são dados apenas a Lee e Ditko. Porém, sabe-se que o personagem é baseado em outros dois heróis criados por Kirby nos anos 1940 e 50: Silver Spider (Aranha Prateada) e The Fly (O Mosca). Este último, inclusive, era um jovem órfão que foi criado pelos tios e tinha os poderes muito parecidos com o Homem-Aranha. Também há de se considerar que a capa da revista de estréia do aracnídeo foi desenhada por Kirby e não por Ditko. O visual do Mosca, entretanto, seria reciclado em outro personagem da Marvel: o Homem-Formiga, também lançado em 1962.

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Este seria o visual do Homem-Aranha de Jack Kirby, segundo Steve Ditko.

Na época do lançamento do primeiro filme do Homem-Aranha, o normalmente recluso Steve Ditko escreveu uma carta à imprensa para esclarecer o assunto, afirmando que ele próprio criou o visual do cabeça de teia e que a ideia de Kirby do personagem era bastante distinta. Ainda assim, fica implícito que alguns dos elementos de Kirby sobreviveram na versão final de Lee e Ditko, como a condição de órfão vivendo com os tios e, especialmente, o lançador de teias – apesar de que em Kirby seria uma pistola e com Ditko virou um artefato nos pulsos.

Apesar da controvérsia, Lee e Kirby continuaram a trabalhar ativamente. Kirby criou o visual do Homem de Ferro, em 1963, embora não desenhasse as histórias, apenas as capas. Ele faria o mesmo com o Demolidor, no ano seguinte.

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Embora não desenhasse as aventuras do Homem de Ferro, foi Kirby quem criou o visual do personagem, bem como fazia as capas de sua revista.

Kirby também ajudou Lee a criar os outros dois principais grupos da Marvel: Os Vingadores e os X-Men, ambos em 1963; bem como Nick Fury: primeiro em histórias situadas na II Guerra Mundial (baseadas nas lembranças do artista) em Sgt. Fury and howling commandos; depois, do personagem no presente, em Nick Fury, Agent of Shield, tomando carona no sucesso de 007.

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Capa de Avengers 01 por Jack Kirby.

O trabalho em Avengers foi – finalmente tal qual a Liga da Justiça – reunir os maiores heróis da Marvel em um grupo. A revista foi um sucesso de início, reunindo Homem de Ferro, Hulk, Thor, Homem-Formiga e Vespa, apenas heróis nas quais Kirby teve envolvimento. (O Homem-Aranha poderia ter entrado, mas não aconteceu). Lee e Kirby criaram os oito primeiros números da revista e Kirby foi substutído por Don Heck (que desenhava as histórias solo do Homem de Ferro), embora O Rei dos Quadrinhos tenha voltado especialmente para os números 14, 15 e 16 na qual há a primeira grande mudança no time.

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Na revista dos Vingadores, Kirby pôde trazer o Capitão América de volta à ativa.
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“Avengers 04” de 1964 traz o Capitão América de volta: tacada genial.

Em Avengers 04, de 1964, Lee e Kirby contaram a história em que os Vingadores, enquanto combatem Namor (outro velho personagem da Marvel, agora tratado como anti-herói), terminam por encontrar o Capitão América congelado no gelo desde o fim da II Guerra. O herói resgatado conta que o parceiro mirim Bucky morreu em uma explosão e ele terminou congelado no Ártico.

De volta à vida, o Capitão América se integrou aos Vingadores e passou logo a liderá-los. Lee e Kirby também lançaram histórias individuais do personagem, adaptando-o aos “novos tempos”, que foram um grande sucesso.

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Nick Fury em sua estreia nos quadrinhos em 1963, por Stan Lee e Jack Kirby.

Vale à pena também falar de Sgt. Fury and the Howling Comandos, a revista de guerra da Marvel criada em 1963 por Lee e Kirby. Na revista, o sargento Nick Fury comanda um pelotão especial multiétnico que combate na II Guerra Mundial. A HQ foi a primeira a trazer um personagem afrodescendente nos quadrinhos de heróis como membro regular; e contava com o diferencial – das outras do gênero de guerra que lotavam as bancas da época – de contar com um desenhista que vivenciou mesmo o conflito e fazia um retrato mais realista, duro e impiedoso da guerra. Esse retrato também voltaria nas aventuras futuras do Capitão América.

O personagem de Fury faria tanto sucesso que logo apareceria no “presente” nas histórias do Quarteto Fantástico (como um agente da CIA) e, depois, também teria outras aventuras solo no presente, como agente secreto da SHIELD, a agência de espionagem da Marvel. Essas histórias eram publicadas em Strange Tales (a mesma revista que publicava as histórias do Dr. Estranho), mas o sucesso foi tão grande que surgiu a revista Nick Fury, Agent of SHIELD, em 1966.

Mas foi em Thor e no Quarteto Fantástico que a dupla Lee e Kirby fez seus melhores trabalhos: explorando questões mitológicas e cósmicas que combinavam com a arte expressiva do artista. Ambas também lançaram a maior parte da base do chamado “Universo Marvel” e uma centena de personagens coadjuvantes importantes.

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Nas histórias do Quarteto Fantástico, Kirby fez experimentações com fotografias e efeitos gráficos que combinavam o clima psicodélico dos anos 1960.
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O Surfista Prateado (aqui atacado pelo Dr. Destino) é exemplo de personagem criado por Kirby para as aventuras do Quarteto Fantástico.

Nas páginas da revista Fantastic Four, por exemplo, surgiram os heróis Pantera Negra (o primeiro super-herói negro dos quadrinhos), o Surfista Prateado, os Inumanos liderados por Raio Negro e vilões memoráveis, como o Dr. Destino, Galactus e as duas raças alienígenas que usam a Terra como campo de batalha, os Skrulls e os Krees.

O Pantera Negra foi o primeiro super-herói negro dos quadrinhos, um rei africano que logo entraria nos Vingadores.

silver surfer and galactus pin-up by jack kirbyJá o Surfista Prateado é o exemplo perfeito de como o Método Marvel funcionava e a participação de Kirby. Stan Lee elaborou a trama da aventura, que ficou conhecido como A Trilogia de Galactus, em que este poderoso ser cósmico que se alimenta de planetas chega à Terra para consumi-la e o Quarteto Fantástico precisa impedi-lo. Kirby era um profundo adorador de mitologia – daí as aventuras de Thor – e pensou que alguém poderoso como Galactus tinha que ter um arauto, um anunciador. Então, criou este ser prateado, de energia pura, que singrava o cosmos em uma prancha – um artefato que o colocava na moda dos anos 1960.

Quando Stan Lee viu os desenhos, reclamou com Kirby, que tinha incluído um personagem novo e toda uma outra trama paralela, achando que o artista tinha desvirtuado seu trabalho e ido longe demais. Mas Kirby o convenceu, dizendo que o Surfista Prateado podia ser o elemento de salvação da Terra, ao se apaixonar pelo planeta e lutar contra seu mestre. E Lee assim o fez e nasceu um dos grandes personagens da Marvel.

Lee e Kirby produziram as 102 primeiras edições de Fantastic Four, entre 1961 e 1970, e talvez seja o melhor momento do artista como ilustrador.

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Thor, Asgard e a Bifrost por Jack Kirby.

Em Thor, Lee e Kirby atualizaram o conceito do deus nórdico do trovão em histórias a partir de Journey Into Mystery 83, de 1962. Rapidamente, esses contos deixaram de ser histórias de aventura para virar uma revista de super-heróis. Porém, ocupados criando o restante do universo Marvel, a dupla ia e vinha nas histórias do deus do trovão, cada um a seu tempo. Mas quando os dois “assumiram mesmo” os contos de Thor criaram uma das revistas mais populares dos anos 1960, apreciada especialmente nas universidades e entre os hippies, por causa de suas cores psicodélicas.

O envolvimento total de Stan Lee e Jack Kirby com Thor se dá a partir de Journey Into Mystery 97, de 1963, quando a dupla passa a publicar uma série de histórias curtas chamadas Contos de Asgard, na qual iam detalhando o universo ficcional da mitologia nórdica. Vale lembrar que a revista ainda era uma antologia, que além de Thor, publicava várias outras histórias sem nenhuma ligação entre si.

Em Os Contos de Asgard, Lee e Kirby introduziam os leitores à mitologia nórdica, apresentando lendas e personagens. Logo na primeira edição, aparece brevemente Surtur, o gigante de fogo que se transformaria em um dos piores inimigos de Thor. A primeira batalha entre os dois se daria em Journey Into Mystery 104, de 1964. Esta edição marca também o momento em que a revista muda oficialmente de nome, passando a ser chamada de The Mighty Thor ou simplesmente Thor, mantendo a numeração original.

Mapa de Asgard por Jack Kirby.
Mapa de Asgard por Jack Kirby.

Esta é a fase em que Lee e Kirby consolidam o universo próprio de Thor, acirrando suas batalhas contra Loki que, inclusive, se torna o responsável pela criação de três poderosos inimigos do herói: o Homem-Absorvente (que tem o poder de absorver as propriedades de qualquer material que toque) em Thor 114; e dos dois vilões traduzidos no português como Destruidor; The Wracker (o futuro líder da Gangue da Demolição), na edição 148; e The Destroyer, na edição 118. Este último foi usado no filme Thor, de 2011.

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Thor versus Loki, na arte de Jack Kirby.

Além desses, Thor também encontra oponentes como Homem-Radioativo, em Journey Into Mystery 93; os Homens-Lava, (97); Cobra (98); Mister Hyde, (99); Encantor e Executor, Thor 103; e o Gárgula Cinzento (107).

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Hela, aqui roubando a alma de Thor, na edição 150 de sua revista. Arte de Jack Kirby.

Essa primeira rodada histórias também introduz outros personagens coadjuvantes, como Balder, o seu melhor amigo; Lady Sif, a guerreira destinada a ser dona de seu coração; os três guerreiros, Fandral, Hogun e VolstaggHeimdall, o guardião da Ponte do Arco-Íris que liga os nove mundos etc.

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A última edição de Kirby.

Thor 177 a 179, de 1970, trazem o encerramento da fase de Stan Lee e Jack Kirby à frente do título. E foi de uma maneira grandiosa: Surtur retorna e, para conseguir derrotá-lo, Odin evoca um falso Ragnarok, o fim dos deuses. Com ele, emerge a Serpente da Terra – o ser mitológico destinado a matar Thor! Surtur é derrotado, mas a um grande custo.

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O Capitão começa a dominar a revista dos Vingadores. Capa de Avengers 16.

Mas o personagem favorito de Kirby sempre foi sua primeira super-criação: o Capitão América. Logo após a reestreia explosiva do personagem em Avengers 04, o personagem se torna o centro daquela revista e, naturalmente, o líder do grupo. Em pouco tempo, o sentinela da liberdade ganha suas aventuras solo publicadas na revista Tales of Suspense, que também editava as aventuras do Homem de Ferro.

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“Tales of Suspense 58”, de 1965, dá início à partilha da revista entre o Capitão América e o Homem de Ferro. Arte de Jack Kirby.

Por isso, a estreia do Capitão América naquela revista se dá em Tales of Suspense 58, de 1965, justamente numa história em que luta contra o Homem de Ferro após um mal-entendido. Lee e Kirby produziram uma leva inicial de aventuras do sentinela da liberdade até a edição 62, nas quais eram um prato cheio para Kirby explorar sua habilidade com ação e cenas de luta. Mas as histórias careciam de identidade.

Por isso, decidiram voltar ao passado e reescrever a história do Capitão nas HQs. Assim, Tales of Suspense 63 reconta a origem do herói e sua primeira aventura; e a edição 65 traz a releitura do primeiro confronto com o Caveira Vermelha. Porém, nessas histórias, Lee e Kirby não eram totalmente fieis àquelas dos anos 1940 e começaram a incluir elementos novos e, depois da volta do vilão, partiram em contos totalmente inéditos, construindo uma nova cronologia para o personagem.

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Caveira Vermelha estreia numa típica Tales of Suspense com a capa dividida entre os dois heróis.
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O Caveira Vermelha versus Capitão América na arte de Jack Kirby.
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O Caveira e o Cubo Cósmico.

Após um períoro em que trabalhou com o auxílio de outros desenhistas – George Tuska e John Romita – Kirby se voltou inteiramente ao Capitão América a partir de Tales of Suspense 78, de 1966, que deu origem a ciclo clássicos de aventuras, como a batalha do herói contra o Caveira Vermelha pela posse do Cubo Cósmico, e o surgimento de vilões como HIDRA, IMA, MODOK, Baltroc, o Super-Adaptóide e o Dr. Faustus. Tais histórias fizeram tanto sucesso que a revista mudou seu nome para Captain America no número 100, em 1968.

Kirby se despediu da revista em dois números especiais não-consecutivos: 109 e 112, ambos de 1970. No primeiro, conta – mais uma vez – a origem do herói (agora com mais detalhes) e no segundo faz uma retrospectiva que alinha oficialmente a nova cronologia do personagem.

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A origem do Capitão América por Lee e Kirby.

 

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Kirby nos anos 1960 na Marvel.

Porém, em 1970, Jack Kirby saiu da Marvel. Na época, Stan Lee havia sido promovido a um superstar dos quadrinhos. A personalidade falante e carismática do escritor o fazia ser um prato cheio para entrevistas. Na medida em que as aventuras de Thor e Quarteto Fantástico se tornavam sucesso não apenas com adolescentes, mas também com o público universitário, interessado nos conceitos explorados nas revistas, Lee e Kirby passaram a ser convidados para entrevistas. Porém, com seu temperamento calado e taciturno, Kirby era deixado de lado e os jornalistas preferiam o falante Lee. Este percebeu o apelo e, logo, complementava renda com palestras para universidades.

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O Stan Lee superstar de 1968.

Kirby se ressentiu disso, claro. Mas não foi esse o motivo da lendária briga que teve com Stan Lee que o levou a sair da Marvel. Na verdade, a briga não foi com Lee. Houve desavenças várias com o escritor, claro, os dois tinham personalidades fortes e discutiam muito. Se houve uma ruptura entre os dois, ela se deu antes disso, em 1967: Kirby foi o criador do Surfista Prateado e tinha planos para escrever suas aventuras solo, porém, era Lee quem era o editor-chefe da Marvel, e este decidiu ele mesmo escrever essas aventuras, mas pior, entregou a arte a John Buscema. Foi um golpe duro para o Rei dos Quadrinhos, que guardou mais esse rancor.

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O Surfista Prateado: reflexões filosóficas de Lee. Arte de John Buscema.

Mas o que causou a ruptura com a Marvel foi outra coisa. Em 1967, a Marvel Comics foi vendida a um conglomerado empresarial, saindo das mãos de Martin Goldman. Percebendo a popularidade de Lee e o modo como artistas mais jovens (o desenhista já tinha 53 anos de idade) estavam ganhando mais espaço e créditos na editora, Kirby começou a falar mais grosso.

O primeiro round de brigas – dessa vez com Lee – foi também em 1967, quando Kirby exigiu ser creditado como roteirista das histórias, o que era muito justo em vista do método Marvel. Lee cedeu. O desenhista também exigiu mais dinheiro por página. Lee lhe ofereceu o cargo de Editor de Arte (o mesmo que ocupara de 1939 a 1942), mas a esta altura, Kirby preferia trabalhar como free lancer do que ficar confinado em um escritório analisando a arte dos outros. Uma negociação salarial deu-se início, mas os novos chefes da Marvel não entendiam a importância do artista e relutavam. Kirby também queria os seus originais de volta, porque nascia o mercado de venda de desenhos originais como um bom complemento de renda aos artistas.

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Existem poucas fotos de Lee e Kirby juntos. Aqui vemos os dois (esq.) juntamente a outros, como Gil Kane, Jim Steranko, Will Eisner e Jerry Siegel (dir.), criador do Superman.

Neste tempo, Stan Lee andava viajando muito por causa de suas palestras e indo constantemente à Califórnia negociar novos produtos e licenciamentos para a Marvel. Desse modo, Kirby perdeu o contato físico com o ex-parceiro, o que aumentou o desgaste profissional. Quando a relação com a direção da Marvel desandou, Kirby pediu as contas e foi embora. Mas ele se ressentiu de que Lee não tenha intervido em seu favor. (Naquele momento, estava sendo negociada a promoção de Lee a Publisher, um cargo mais alto, enquanto o escritor Roy Thomas assumiria o papel de editor-chefe. Kirby desprezava Thomas, porque o via apenas como um capacho de Lee).

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Superman na arte de Jack Kirby.

A chegada de Kirby na DC foi anunciada com estardalhaço e sua estreia se deu na revista Superman’s Pal Jimmy Olsen, estrelada pelo fotógrafo que é o melhor amigo do homem de aço. Kirby mudou o foco da revista, tornando-a mais séria e desenvolvendo uma trama que mostrava o misterioso Laboratório Cadmus produzindo clones e a interferência de um ser intergaláctico chamado Darkseid.

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Novos Deuses: apesar de não ter feito sucesso, a crítica aponta como o ápice da “carreira solo” de Kirby.

Esse conceito se desenvolveu em seguida no mais ousado projeto de sua carreira, o Quarto Mundo, uma série de revistas interligadas, que deu origem a uma dezena de personagens. Por isso, em 1971, estrearam New Gods, Mr. Miracle e Forever People, que desenvolviam o conceito dos Novos Deuses: numa galáxia distante, os velhos deuses morreram e deram origem a uma nova raça de deuses que se dividiu em guerra em dois planetas, o pacífico Nova Gênesis e o bélico Apokolips. Os heróis Órion, Sr. Milagre e Grande Barda combatem Darkseid e seus asseclas. Este, inclusive, se transformou em um dos maiores vilões da editora.

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Nos dias de hoje, Darkseid permance como um dos principais vilões da DC.

Contudo, a complexidade das tramas dos Novos Deuses não agradou aos leitores e todas as revistas foram canceladas em 1973, embora seus personagens tenham se tornado parte fundamental do Universo DC moderno. A saga é considerada por muitos críticos como a obra-prima de Kirby. Mas o artista continuou desenvolvendo conceitos não-ortodoxos, em revistas como Omac, o exército de um homem só e o futurista Kamandi, o último jovem da Terra, mas estes também não foram sucesso.

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O Capitão América de Jack Kirby.

Kirby terminou voltando à Marvel, entre 1975 e 1977. Neste período, O Rei dos Quadrinhos fez vários trabalhos interessantes: escreveu, desenhou e editou a revista do Capitão América em histórias cheias de ação e convulsão social; trabalhou com o Pantera Negra em aventuras solo; criou os Eternos, uma espécie de versão-Marvel dos Novos Deuses; e produziu uma versão conceitual de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, o filme de Stanley Kubrick lançado nove anos antes.

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O Pantera Negra por Kirby.

Kirby também produziu uma série de capas para as revistas da Marvel na qual não trabalhava, mas tinha afinidade, especialmente para as aventuras dos Vingadores e dos Invasores.

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Capa de Avengers 18, de 1977, por Kirby.
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Bela capa de Jack Kirby para Avengers 156, escrita por Conway.
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O Esquadrão Supremo na arte de Jack Kirby.
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Jack Kirby traz um pouco dos velhos tempos às capas.

Houve tempo, também, para uma última produção em parceria com Stan Lee: uma graphic novel do Surfista Prateado, onde a dupla explora as origens do personagem, numa versão sem o Quarteto Fantástico. O objetivo era criar o roteiro para um filme, que terminou nunca realizado. Foi o último trabalho da dupla.

Porém, Kirby não conseguia emplacar sucessos como nos velhos tempos, então, terminou se afastando da Marvel novamente e foi trabalhar no campo da animação, como no início da carreira.

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Os heróis da DC por Kirby.

Nos anos 1980, seu trabalho mais próximo dos quadrinhos de antes foram algumas edições especiais dos heróis da DC Comics, baseados na linha de brinquedos Super-Powers e no desenho dos Super-Amigos.

Ocasionalmente, o artista ainda trabalhou para editoras pequenas e faleceu em 06 de fevereiro de 1994, aos 76 anos.

jack kirby selfportraitSua obra marcou gerações e sua arte ainda é expressão de exuberância, força e tensão, servindo de influência para muitos artistas, não somente no ramo dos super-heróis.

A obra de Kirby é fundamental às adaptações cinematográficas da Marvel e da DC.