justice_league_4k_8k-HDO Vulture veio com uma entrevista bombástica com a presidenta da DC Entertainment Diane Nelson e o diretor da DC Films Geoff Johns. A dupla revela que depois de Liga da Justiça, a Warner Bros. irá adotar filmes menos conectados e mais individualizados.

Nelson afirmou:

Nossa intenção, certamente, é seguir em frente usando a continuidade para nos ajudar a ter certeza de que nada irá divergir de um modo que não faça sentido, mas não haverá insistência para que exista uma linha narrativa maior ou interconectividade naquele universo.

justice-league-trailer batman and gordonIsso quer dizer que os filmes da DC Comics irão se diferenciar da rival Marvel Comics, cujo o universo inteiro de heróis no cinema gira em torno de uma “grande história”, que culminará com Vingadores – Guerra Infinita e sua misteriosa continuação Vingadores 4.

Geoff Johns complementa:

O filme não se trata de outro filme. Alguns dos filmes irão conectar os personagens juntos, como Liga da Justiça, mas como com Aquaman [filme seguinte do estúdio] nosso objetivo não é conectar Aquaman com todos os filmes.

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Mera, a esposa de Aquaman: menos conexão. 

Diane Nelson diz:

Seguindo em frente, você verá o Universo DC ser um universo, mas um que vem do coração dos cineastas que o estão criando.

Provavelmente, essa é a estratégia da Warner/ DC para lidar com a dificuldade de manter um universo ficcional altamente conectado com um estúdio que tradicionalmente sempre prezou pela autonomia dos diretores, bem diferente do que ocorre no Marvel Studios, onde todos estão submetidos à diretriz geral do presidente Kevin Feige e da história geral que conduz aquele universo.

justice-league-trailer batman on the gargoleEssa estratégia deve permitir, por exemplo, que um diretor como Matt Reeves possa contar sua história e versão do Batman sem ter que apelar para um direcionamento radicalmente separado do universo da Liga da Justiça. Isso certamente envolve não ser obrigado a usar personagens como Lex Luthor e Exterminador ou continuar uma subtrama que se inicia em Liga da Justiça, em vez de produzir uma história própria e original.

wonder woman movie diana uping stairsTalvez isso ajude a outros cineastas a encontrarem tons certos com os personagens, como já foi realizado com Mulher-Maravilha que, apesar de estar ligada ao Universo DC – inclusive com discretas menções a Batman vs. Superman – A Origem da Justiça em suas cenas iniciais e finais – funciona quase exclusivamente como um filme à parte.

Num contexto assim, Matthew Vaughn poderia fazer sua versão do Superman mais clássico e luminoso do que o personagem taciturno e sombrio de Superman – O Homem de Aço ou A Origem da Justiça.

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Henry Cavill volta como Superman.

Falando nisso, o Vulture também foi atrás de outras fontes sobre o papel de Geoff Johns na criação do Universo DC e terminou descobrindo uma informação interessante: que o na época presidente da DC Entertainment foi ignorado pela produção de O Homem de Aço, a despeito de suas críticas ao tom do filme.

[Na época] Geoff Johns e Diane [Nelson] estavam lendo os roteiros e Geoff Johns, para seu crédito, estava preocupado que não havia suficiente luminosidade ou humor , dado quem era o personagem. Geoff definitivamente se enervou naquele momento, mas a administração [da Warner] da época não se importava muito com o que Geoff Johns pensava.

Isso obviamente mudou, já que Johns agora é o presidente da recém-criada DC Films

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O diretor Joss Whedon.

A mesma fonte também fala sobre a entrada de Joss Whedon em Liga da Justiça e como isso veio muito no sentido de recuperar aquele espírito do qual Johns sempre se referira:

Todo mundo estava animado com Joss sendo parte da DC e pensamos que seria uma grande ideia ele escrever as cenas [de Liga da Justiça], as filmagens adicionais que nós queríamos fazer.

Fica muito claro que Johns e Nelson ficaram muito preocupados com o tom e estilo de Liga da Justiça, antevendo que o filme receberia a mesma recepção fria e decepcionada de O Homem de Aço e Batman vs. Superman (ambos do diretor Zack Snyder) ou Esquadrão Suicida. Assim, decidiram contratar Joss Whedon – que chegou à DC para fazer o filme da Batgirl – para reescrever um (grande?) conjunto de cenas para mudar o tom (e o final, aparentemente) de Liga da Justiça. Zack Snyder concordou ou foi obrigado a concordar, porém, com a tragédia de sua família (sua filha se suicidou em março), o diretor decidiu se afastar da produção e Whedon terminou assumindo a direção dessas cenas adicionais. Foi um grande trabalho, pois durou seis semanas (!) tempo suficiente para gravar um filme de médio orçamento. Ainda assim, aparentemente, Whedon não terá o crédito de codiretor, mas apenas de roteirista.

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Zack Snyder usa a luva do Batman para trabalhar nos storyboards de Liga da Justiça.

Voltando a Geoff Johns, o Vulture perguntou sobre as recentes confusas informações sobre o Universo DC, que insinuam, por exemplo, que haverá uma nova linha de filmes totalmente desconectados da cronologia dos filmes atuais, incluindo um sobre as origens do Coringa; assim como que Matt Reeves não usaria o ator Ben Affleck em The Batman. Sem efetivamente responder aos rumores, Johns disse:

Algumas das coisas são verdadeiras, algumas não são. Quando falamos sobre as coisas ou estamos fazendo acordos com as pessoas para desenvolver roteiros ou qualquer coisa, às vezes, algumas informações vazam; às vezes são mal reportadas; e isso é frustante. Porque queremos sair e falar o que nossa estratégia é e essas coisas estragam tudo. Há um monte de conversas internas sobre isso ocorrendo agora. Como nós podemos ajudar a esclarecer as coisas um pouco?

dawnofjustice-superman-red-eyes (edit)Por fim, em outra notícia relacionada, o compositor Danny Elfman, responsável pela trilha sonora de Liga da Justiça, terminou fazendo duas revelações interessantes à Billboard: que usará o tema clássico do Superman – composto por John Williams para o filme de 1978 – e que em algum momento da trama não saberemos de que lado o homem de aço está.

A trilha tem alguns momentos para os fãs. Eu reutilizei a trilha da Mulher-Maravilha que Hans Zimmer fez para o Batman vs. Superman, mas também tive o prazer de dizer: “vamos usar a trilha de John Williams do Superman”. Isto para mim foi incrível, porque agora eu tinha uma melodia para trabalhar em cima, e estou usando isso de uma forma bem obscura, em um momento obscuro. É o tipo de coisa que só alguns fãs vão perceber. Alguns não vão. É um momento em que você não sabe exatamente de que lado ele está.

Claro que todos apostam que este “momento” se dá na ressurreição do último filho de Krypton. Nas HQs, a DC Comics brincou com a volta do Superman fazendo surgir vários “supermen” e não se sabia qual era o verdadeiro, enquanto alguns iam se revelando malvados. O cinema deve apostar em algo semelhante no sentido do herói voltar vilanesco, mais kryptoniano e menos terráqueo, por exemplo. Um antigo rumor, inclusive, dizia que o homem de aço retornaria dominado pelas forças de Darkseid, obrigando a Liga da Justiça a combatê-lo.

Danny Elfman vem como outra medida para “aliviar o peso” de Liga da Justiça. Anteriormente, o DJ Junkie XL (que trabalhou com Hans Zimmer na trilha de Batman vs. Superman) seria o responsável pela trilha do filme da equipe, mas a chegada de Joss Whedon, fez este contratar Elfman para dar um tratamento mais clássico e sinfônico (menos eletrônico) à música da Liga.

Elfman já trabalhou em trilhas dos filmes do Batman dos anos 1990 e do Homem-Aranha, assim como foi parceiro de Whedon em Vingadores – Era de Ultron, e também diz na entrevista que desenvolveu temas específicos para cada um dos heróis da equipe.