captain america byA Marvel Comics está divulgando o material que lançará a partir do verão no hemisfério norte, consolidando as modificações editoriais advindas do evento Marvel Legacy, e uma das novidades é que Ta-Nehisi Coates, o escritor das aclamadas HQs atuais do Pantera Negra vai agora escrever o Capitão América.

Ta-Nehisi_CoatesA notícia vem com um “quê” de surpresa, pois Coates é um escritor de veia política afiada: é especialista em literatura afroamericana e seu pai foi membro do The Black Panthers Party, os Panteras Negras, um movimento radical de negros nos EUA nos anos 1960 e 70.

Em uma entrevista ao jornal The Atlantic (via CBM), Coates disse:

Há um monte a desarrumar aqui. Aqueles de vocês que nunca leram um quadrinho do Capitão América ou o veem nos filmes da Marvel deveriam não mais pensar no Capitão América como um mascote cego do nacionalismo americano.

E depois continua:

Ele é um homem fora do tempo, um emblema ambulante da propaganda da “grande geração” trazido à vida nesses fluidos tempos pós-modernos. Assim, o Capitão América não é tão preso aos EUA como se pensa, mas a uma versão dos EUA sonhada no passado. Em uma famosa cena, importunado por um general por sua “lealdade”, [Steve] Rogers – agarrando a bandeira dos EUA – rebate: “Eu não sou leal a nada, general… exceto ao sonho!”.

Para finalizar, Coates escreve:

O que é excitante aqui não é alguma ação didática de colocar as minhas palavras na cabeça do Capitão América, mas tentar colocar as palavras do Capitão América na minha cabeça. O que é animador é a possibilidade de explorar, de evitar a repetição de uma voz a qual estou cansado de ouvir.

O Capitão América sempre rende bem em histórias políticas, que mostram como ele não é um ufanista patriótico alienado, mas alguém movido por uma crença inabalável nos ideais que fundaram seu país; de modo que ele é muito mais um humanista dos valores iluministas da Revolução Francesa do que um soldado fiel.

A obra de Ta-Nahisi Coates em Pantera Negra – que está sendo publicada em encadernados no Brasil – é marcada justamente por uma abordagem política e a exploração da mitologia do herói.

Pode sair coisa muito interessante daí.