Em longa reportagem da Folha de São Paulo, o diretor René Sampaio comenta a adaptação da canção Eduardo e Mônica ao cinema, falando dos desafios de transformar uma das faixas mais adotadas da Legião Urbana em uma trama cinematográfica.

O desafio, aliás, não é novo, pois Sampaio fez Faroeste Caboclo em 2013, adaptando a mais longa e épica letra de Renato Russo como um filme e fez bastante sucesso, conseguindo um público de 1,5 milhões de espectadores.

Sampaio diz que a estratégia é ser fiel ao espírito da canção mais do que uma tradução literal. Na reportagem, comenta que a letra de Eduardo e Mônica não tem reviravoltas, algo necessário ao cinema, de modo que o roteiro investe numa contextualização do romance.

Segundo a Folha, a história será situada em Brasília nos anos 1980, respeitando, portanto, o momento da criação da canção, que foi escrita por Renato Russo por volta de 1982 e foi lançada no álbum Dois, o segundo da Legião Urbana.

A trama mostrará Eduardo como um jovem colegial de 16 anos (vivido por Gabriel Leone) que é neto de um militar e vive na Vila Militar em Brasília, onde “joga futebol de botão com seu avô”; enquanto Mônica (Alice Braga) será uma artista plástica, morando em um lounge que serve como atelier e estuda medicina; além de ter um pai que foi exilado por causa da perseguição da Ditadura Militar, o que contribui para pôr o casal em opostos políticos.

Com isso, René Sampaio espera abordar a tolerância às diferenças que é tão presente no Brasil de hoje, algo polarizado politicamente.

As gravações de Eduardo e Mônica iniciaram em junho e o filme deve ser lançado em 2019.

Renato Russo fundou a Legião Urbana em 1982 após sair da mítica banda Aborto Elétrico, a primeira de punk de Brasília. Ao lado de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, o grupo estreou em disco em 1985 e se tornou a banda de rock de maior sucesso e influência do Brasil. Russo morreu aos 36 anos em 1996, vítima da combinação de uma grave crise depressiva e do vírus HIV, levando ao fim do grupo.