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Roger Waters em São Paulo, 2018.

Em tempos de pós-verdade, o manejo de informações na internet é cada vez mais complexo. Num clima lotado de fake news que embalaram a recente eleição presidencial brasileira, aqui vai mais uma: dias atrás, a produção do Festival Concreto anunciou que Roger Waters estaria na programação, com um concerto subtendido, para encerrar a festa. Ontem à noite, o evento confirmou a informação: é uma fake news criada como um tipo de protesto pelo momento atual. O cantor e compositor britânico, ex-líder da banda Pink Floyd estará sim na programação, mas não presencialmente: será exibido o filme Roger Waters – The Wall, que cobre a turnê anterior do músico, bem como lança reflexões sobre os motivos que o levaram a criar o álbum – gravado pelo Pink Floyd em 1979 – e da atualidade de temas como a guerra e o fascismo.

Segundo a produtora do Festival Concreto, no dia 17 de novembro haverá a exibição de The Wall no Cineteatro São Luiz, no centro de Fortaleza, às 19h em exibição gratuita.

O comunicado na íntegra está aqui:

No dia 24 de outubro, o “Festival Concreto – Festival Internacional de Arte Urbana” anunciou, em uma postagem nas redes sociais, a “participação” de Roger Waters na 5ª dição (de 16 a 24 novembro, em Fortaleza). E Waters estará com a gente sim: não presencialmente, como tanto gostaríamos, mas sua arte, seu grito, sua resistência estarão aqui em Fortaleza – o “Festival Concreto” comunica programação especial para demarcar nossa luta em defesa da democracia: no sábado, dia 17/11, às 19h, teremos a exibição gratuita, no Cineteatro São Luiz, do show “The Wall”. Uma ação para celebrar a vida, a obra e a luta do músico que esteve no Brasil há algumas semanas e vem se manifestando durante seus shows pelas principais capitais do país em repúdio ao avanço do neofascismo no mundo.

Celebrar Roger Waters e seus hinos e canções é reforçar a pauta da liberdade, dos direitos. Informar a “participação” de Waters na nossa programação é mostrar que uma “Fake News” pode ser verdade, mesmo sem ser. É ter viva a presença daqueles que constroem trincheiras, sobem barricadas, que gritam #EleNão  e fazem da arte sua chama da vida, pulsão de luta, enchendo o mundo de poesia e rebeldia. A postagem, divulgada no dia 24 de outubro, revela posicionamento político do Festival Concreto em favor da democracia. Temos a esperança de novos tempos, novos sonhos e canções, por isso seguiremos atentos e fortes.

E o sonho continua: da democracia viva no nosso país e da presença de Roger em Fortaleza, quem sabe, um dia. Será a realização de um sonho ele aqui no Festival, mas por ora, ele vem como inspiração e referência de resistência e reflexão crítica. E o Concreto é isso: um festival de arte urbana – arte essa que tem seu caráter de luta, sua origem na rebeldia, e por mais que tente se domesticar estando em museus e festivais, ela é naturalmente transgressora. É das mais democráticas: está na rua, para todos, sem distinção, com diversidade.

A arte se apropriando de fake news para criar golpe publicitário e protesto político ao mesmo tempo… Vivemos num mundo complexo.

[emoticom erguendo os ombros e os braços]