Segundo Skyler Shuler, o editor-chefe do site The DisInsider, X-Men – Fênix Negra é tão ruim quanto o Reboot de Quarteto Fantástico. Pelo menos é o que ouviu de suas fontes.

Fênix Negra tem uma história de produção complicada. Inicialmente planejada para estrear em novembro passado, foi adiado para fevereiro de 2019 e um dia após o lançamento do primeiro trailer, adiado de novo para junho. O motivo oficial dos adiamentos foi a necessidade de realizar refilmagens para melhorar o final do longa e a dificuldade de conseguir agenda com os atores, o que fez com que as gravações findas em 2017 tivessem que ser retomadas somente em agosto de 2018.

A Fox nunca foi clara sobre qual o tamanho das refilmagens, o que abre o campo de especulação. E aproxima Fênix Negra de uma nefasta realidade: nos últimos anos, alguns filmes de grande orçamento passaram por situações similares, como Quarteto Fantástico, Liga da Justiça e Han Solo – Uma História Star Wars, e o resultado em todos eles foi um só: fracasso nas bilheterias!

Há uma única exceção: Rogue One – Uma História Star Wars. Mas até agora é mesmo a exceção que confirma a regra.

Fênix Negra ainda tem dois agravantes.

Um é que o mesmo Simon Kinberg, o diretor, teve envolvimento direto com Quarteto Fantástico e Han Solo (mas Rogue One, também). Afirma-se, inclusive, que Kinberg foi um dos diretores que assumiram as refilmagens do Quarteto Fantástico, depois que o diretor oficial, Josh Trank, foi demitido depois de um surto psicótico que o fez brigar com o elenco, a equipe, o estúdio e até destruir a casa alugada onde vivia durante as filmagens.

O outro agravante é a história da franquia dos X-Men na Fox, que apesar de estar sempre nas mãos dos mesmos produtores, como Laura Shulen Donner (e de novo Simon Kinberg) e de apenas um punhado de diretores (de seis filmes dos X-Men, quatro foram dirigidos por Bryan Singer), sempre careceu de direção e integridade narrativa e cronológica.

Esse mau direcionamento levou a uma manobra para criar um Reboot mal disfarçado com X-Men – Primeira Classe, que voltava no tempo para pretensamente contar a origem da equipe por meio de uma história que ia de forma contraditória ao que se tinha visto antes. Depois, tentaram disfarçar de novo o erro com a velha desculpa de viagem no tempo que altera o futuro, em X-Men – Dias de um Futuro Esquecido, que a despeito de ser um bom filme, só tornou a cronologia (ela existe?) ainda pior.

Agora, Simon Kinberg procura defender em suas entrevistas que Fênix Negra é um recomeço, um acerto de contas da franquia com seu público. Mas, de novo, há dois grandes problemas.

Primeiro, o próprio Fênix Negra é um tipo de Reboot ou refilmagem de X-Men – O Confronto Final, filme que prometeu contar a história de Jean Grey virando a Fênix Negra e só conseguiu ser uma aberração e o quase unânime pior filme da franquia. E Kinberg foi roteirista dele.

Agora, e esse é o segundo problema, Fênix Negra bagunça de novo a cronologia ao fazer tais eventos ocorrerem 10 anos antes do original (o longa se passa em 1992) e chega no pior momento possível para qualquer autoproclamada renovação de franquia: justamente quando a The Walt Disney Company comprou a 20rh Century Fox e irá, portanto, alinhar seus personagens ao universo do Marvel Studios, que também lhes pertence, o que quase 100% implica no cancelamento da franquia e no recomeço do zero de um modo que Ciclope, Wolverine e Jean Grey irão se adaptar ao mundo em que já habitam os Vingadores.

Quando se fazem todas essas considerações, na verdade, a qualidade de Fênix Negra se torna irrelevante.

Será muito estranho se esse filme for lançado como parte de uma história cujo o final ainda seria contado quando, desde o início, todos (inclusive ou principalmente os realizadores) já sabem que esse final não poderá ser contado e não existirá.

Para encerrar, os problemas de produção depõem contra o filme, mas ainda é cedo para dizer se Fênix Negra é ruim ou não.