Santana foi revelado no Woodstock.

Os anos 1960 e o rock clássico experimentaram um momento de ápice social, cultural e artístico no Festival de Woodstock em 1969. E agora, o mesmo organizador do evento original, Michael Lang, irá promover uma celebração dos 50 anos do maior dos festivais: um novo Woodstock irá ocorrer por três dias de agosto de 2019. É o que traz uma matéria da Rolling Stone.

John Sebastian se apresenta no primeiro dia do festival.

O Woodstock Festival (ou oficialmente: Woodstock Music & Art Fair) ocorreu em na fazenda de Max Yagur, na cidadezinha de Bethel (vizinha à cidade de Woodstock propriamente dita), no estado de Nova York, nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 1969 (embora só tenha terminado mesmo já na manhã do dia 18 – Jimi Hendrix fechou a festa já depois do sol ter nascido!). Numa época em que os festivais se tornaram um dos principais canais de divulgação e demonstração de força do rock como música e cultura, Woodstock foi o maior e o mais importante, com um público de 500 mil pessoas.

Icônica imagem do público, que virou a capa do álbum triplo do festival.

Apesar da infra-estrutura deficitária – a organização só espera 1/10 do público total – e de uma imprevista tempestade que transformou o campo em que a festa ocorria – um anfiteatro natural – em um grande mar de lama, Woodstock foi marcado pelo clima de paz e amor, de solidariedade e serviu como uma amostra da força da contracultura e de suas mensagens, sendo um símbolo e marco do movimento hippie e um tipo de apogeu do rock clássico, pelo menos em sua primeira fase. Entre os artistas que brilharam no palco, passaram nomes essenciais à história da música do século XX, como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Joe Cocker, Santana, Creedence Clearwater Revival, The Who, Sly & The Family Stone, Jefferson Airplane, The Band e Crosby, Stills, Nash & Young.

O público de 500 mil pessoas o tornou o maior de todos os festivais dos anos 1960, mas sua importância também se deu pelo fator social (tanta gente reunida em condições tão precárias e não ter ocorrido nenhum tipo de tumulto demonstrava a disposição de “paz” daquele tipo de público) e econômico: o festival foi lançado como um álbum triplo de grande sucesso e também como um filme documentário, dirigido por Michael Wadleigh (e editado por um Martin Scorsese em início de carreira), com 184 minutos e um grande sucesso de bilheteria. Em 1994, o filme ganhou uma versão ampliada, com 225 minutos, que é o formato mais comum de encontrá-lo hoje.

Segundo a Rolling Stone, o mesmo Michael Lang que organizou o evento original irá promover um festival multi-geracional que terá três palcos, 40 atrações e trará nomes quentes do rock atual, alguns dos artistas clássicos que tocaram no festival original, e também um pouco de Hip-Hop e pop. Também, alguns dos artistas irão prestar tributos aos grandes nomes que passaram pelo Woodstock de 1969.

Para a realização dos tributos, Lang tem em mente artistas novos tocando o material dos clássicos – como Hendrix ou Joplin – , reunião de artistas consagrados para tal fim e até o retorno de velhas bandas.

Não serão anunciados que nomes serão esses até, pelo menos, fevereiro, quando começarão as vendas de ingressos.

Público paz e amor.

O Woodstock 2019 não ocorrerá no exato local do original, mas agora em Watkins Glen, nos dias 16, 17 e 18 de agosto. Lang garante que a infraestrutura será muito melhor e contará com o mesmo conforto (ou até mais) do que os dos festivais contemporâneos.

Lang precisará superar o fiasco de uma comemoração anterior: o Woodstock 1999, que celebrou os 30 anos do evento original, mas foi considerado um evento fraco, mal organizado e ainda terminou em tumulto, com brigas e um incêndio. Contudo, o organizador afirma que, naquela vez, foi “um evento MTV” e ele próprio não esteve tão presente na organização, culminando em um caos, piorado com um clima extremamente quente e garrafas d’água vendidas à 4 dólares, que levou a centenas de casos de desidratação.

O organizador – que não teve lucros com o Woodstock original, que foi um sucesso cultural e social, mas um fiasco econômico (a maior parte do público não pagou ingresso e demoliram a cerca que delimitava o evento, mas os promotores tiveram que arcar com a infraestrutura para abrigá-los ao longo dos “três dias de paz e música”) – garante que quer a edição 2019 em um clima totalmente diferente. À revista, ele disse:

O Woodstock ’99 foi apenas uma experiência musical sem significado social. Foi apenas uma grande festa. Com este [de 2019], vamos voltar às nossas raízes e a nossa intenção original. E desta vez, teremos controle sobre tudo.

Com o rock em baixa em termos mundiais atualmente e eventos celebrativos, como o Dessert Trip Festival (de 2016), sendo necessários para manter alguma relevância, poderá o Woodstock 2019 trazer um pouco da velha chama ou até mesmo se tornar um marco do rock no século XXI?

Veremos!