Segundo o Ultimate Classic Rock, o guitarrista britânico David Gilmour vai leiloar um conjunto de 120 guitarras de sua coleção particular, inclusive, aquelas que utilizou em gravações clássicas da banda Pink Floyd, da qual foi membro entre os anos 1960 e 90. O dinheiro arrecadado irá para a fundação mantida pelo músico que cuida de refugiados.

Gilmour anunciou com bom humor que a venda de coleção é “a promoção de primavera” (que no hemisfério norte inicia em março) e que apesar de ficar um pouco triste por se desfazer das guitarras que o acompanharam por toda a carreira, pensa que é o momento delas servirem outras pessoas. E demonstra que, mesmo com o sentimentalismo, também há espaço para pragmatismo: afirma que guitarras são ferramentas que o ajudaram a criar suas músicas, mas que pode fazer isso com qualquer outro instrumento que não os originais.

Dentre as guitarras que vão à leilão, está a celebre Fender Stratocaster preta com a qual gravou os solos de Money, Shine on your crazy diamond e Confortably numb; a guitarra Fender Telecaster dourada com número de série 0001 que ganhou de presente de Léo Fender e com a qual gravou a base de Another Brink in the wall (part 2); o violão Martin de 12 cordas que toca em Wish you were here; e o violão Ovation que usa nos palcos desde os anos 1980. Ou seja, parte da história viva do rock está nesses instrumentos.

Gilmour publicou um vídeo no qual fala dos instrumentos. Veja aqui:

https://youtu.be/_E6mIYNO3So

O leilão ocorrerá na Christie’s de Nova York em 20 de junho e é esperado que cada instrumento chegue ao valor de 100 ou 150 mil dólares.

O músico ainda ficará com cerca de 20 guitarras em sua posse, para poder continuar seu trabalho.

David Gilmour entrou para o Pink Floyd no início do ano de 1968, convidado por seu amigo de infância, Roger Waters, para reforçar a banda quando o também guitarrista e vocalista Syd Barrett, também seu amigo de infância, começava a demonstrar sinais de instabilidade mental. O grupo existiu como um quinteto por um breve período, mas a situação de Barrett se tornou insustentável e ele saiu da banda.

A partir de então, Gilmour se transformou na guitarra e na voz principal do Pink Floyd, mesmo que a liderança e a maior parte das composições fossem de Waters. Foi com Gilmour que o Floyd se tornou uma das bandas de maior sucesso da história do rock, a partir de 1973, com o lançamento do álbum Darkside of The Moon.

Em 1985, Roger Waters decidiu encerrar as atividades da banda, mas os demais membros entraram na Justiça e ganharam o direito de usar o nome Pink Floyd e seguir a carreira, e o grupo passou a ser liderado por Gilmour e lançou mais dois álbuns – A Momentary Lapse of Reason (1987) e The Division Bell (1994); mais o disco inédito de sobras The Endless River (2014) e dois ao vivo, The Delicate Sound of Thunder (1988) e Pulse (1995) – antes de encerrarem as atividades em 1996.

Desde então, houve apenas reuniões ocasionais do Pink Floyd e Gilmour se dedicou à carreira solo, que rendeu discos e turnês de sucesso, a mais recente, do álbum Rattle That Locke (2015), que inclusive passou pelo Brasil.