A cinebiografia do cantor Freddie Mercury e da banda Queen, Bohemian Rhapsody, está cumprindo uma grande jornada na temporada de premiações de cinema de 2019. Com seu protagonista, Rami Malek, tendo vencido o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama e o SAG Awards (prêmio do Sindicato dos Atores) de Melhor Ator em Filme, ele é um dos mais fortes (ou o favorito) para levar o Oscar de Melhor Ator (seu grande concorrente é Christian Bale em Vice, que levou o Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia ou Musical, mas não levou o SAG). Em meio a isso, não dá para disfarçar as denúncias de abuso sexual contra o diretor de Bohemian Rhapsody, Bryan Singer. E Malek falou abertamente sobre o caso.

Participando do Festival de Cinema de Santa Barbara, na Califórnia, Malek foi perguntado sobre o tema, e preferiu ir direto ao assunto. Segundo o Ultimate Classic Rock, ele disse:

Meu coração está junto com qualquer um que tenha vivido uma experiência dessas que eu ouvi e que estão por aí. É horrível! É para ser lembrado que isto aconteceu e eu aprecio demais aqueles que passaram por isso e o quanto isso foi difícil para eles. Na luz da Era do #MeToo isto só foi possível por causa disso, e é uma coisa horrível.

Eu queria que todos sentissem que podem compartilhar suas histórias. Eu sentei aqui e falei sobre como todo mundo merece ter uma voz e qualquer um que queira falar sobre o que aconteceu com Bryan Singer merece que sua voz seja ouvida. Já minha situação com Bryan, não foi agradável, de jeito nenhum! E isto é sobre o que eu posso falar neste momento.

O diretor Bryan Singer – que dirigiu Os Suspeitos, X-Men – O Filme, Operação Valquíria, Superman – O Retorno, X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido – iniciou as filmagens de Bohemian Rhapsody, mas se afastou da produção em dezembro de 2017, sob a alegação da doença de seu pai. Porém, em seguida, ele foi demitido da produção, e a 20th Century Fox, comunicou que o diretor estava faltando as gravações e criando problemas com a equipe. Os jornais citaram várias vezes que Singer e Malek tiveram um conflito aberto nos sets. Não se sabe os motivos da briga.

Singer foi demitido pela Fox e a direção do longa foi assumida por Dexter Flesher, que finalizou a obra, mas os créditos finais ficaram com o primeiro, enquanto o segundo é creditado apenas como produtor. Na cerimônia do Globo de Ouro, onde o longa foi premiado como Melhor Filme (e Malek como Melhor Ator), os premiados não citaram nem fizeram nenhuma menção a Singer em seus discursos de agradecimento.

Bryan Singer sofre quatro processos judiciais por abuso sexual ou estupro de jovens adolescentes masculinos. O jornal The Atlantic contabilizou 20 anos de denúncias contra o diretor, a partir de 1997, enquanto ele se diz inocente e que está sendo perseguido por um jornalista homofóbico obcecado. A mais recente acusação chegou a Justiça dos EUA apenas alguns dias depois da demissão do diretor de Bohemian Rhapsody.

McAvoy, Singer, Lawrence, Jackman e Fassbender no painel em San Diego.

Os processos começaram a vir à tona com mais publicidade em 2016, o que resultou no fato de que Singer não participou da turnê de divulgação de X-Men – Apocalipse, naquele ano, e foi demitido e não trabalhou em X-Men – Fênix Negra, que deve chegar aos cinemas este ano.