Kitty Pride nos quadrinhos.

Uma notícia “surpresa” foi dada pelo escritor Brian Michael Bendis em resposta a um questionamento no Twitter: o filme de Kitty Pryde (também chamada de Lince Negra) dos X-Men ainda estaria em desenvolvimento na 20th Century Fox.

Um seguidor da rede social lhe questionou sobre 143, o nome fantasia do filme que Bendis estaria escrevendo para a Fox. Não há nada concreto com o longa e até o fato de se tratar de Kitty Pryde é algo presumido pela imprensa. É porque a querida personagem foi introduzida nos quadrinhos justamente em Uncanny X-Men 143, de 1981, criada por Chris Claremont e John Byrne.

Um usuário questionou o escritor se ainda estava acontecendo o “projeto dos X-Men” depois da fusão Fox-Disney, pois não houve mais notícias e a resposta foi:

Sim, estou trabalhando nele agora mesmo. É muuuuuiiiitto surreal e gratificante estar tão profundamente dentro da Mansão-X e da Fortaleza da Solidão ao mesmo tempo!

O último comentário se deve ao fato de que Bendis também está na DC Comics escrevendo a revista do Superman.

Não há muito tempo, o HQRock noticiou que todos os projetos de filmes da Fox da franquia dos X-Men (e do Quarteto Fantástico, também) estavam cancelados, em vista da fusão da empresa com a Disney e o fato desta agregar a partir de agora aqueles personagens ao universo ficcional dos Vingadores no cinema. Ou seja, a Fase 4 (ou a 5) dos filmes dos Maiores Heróis da Terra iriam começar a introduzir (de algum modo) os personagens e as histórias dos X-Men e do Quarteto Fantástico ao mundo já consolidado dos Vingadores.

Porém, embora essa seja a crença geral, há relatos divergentes, como alguns que dizem que os mutantes da Marvel prosseguiriam em uma linha “à parte” dos demais heróis, algo que, honestamente, não acreditamos. Em nenhuma realidade conhecível o presidente do Marvel Studios, Kevin Feige, iria deixar de se apropriar de Wolverine e Cia. (e Doutor Destino e Cia.). Mesmo que essa introdução seja de modo lento e gradual irá acontecer.

Todavia, o que quer dizer a fala de Brian Bendis?

Haveria uma possibilidade remota (muito, muito remota) da Disney optar por “fechar o ciclo” dos filmes da Fox antes de integrar esses personagens ao Universo Marvel nos Cinemas. Mas por que fazer isso? Por que “perder” esse tempo? O Marvel Studios vai trabalhar na integração imediatamente. Pra que lançar um outro filme dos X-Men – lembrando que X-Men – Fênix Negra ainda vai sair este ano – se você vai fazer um reboot de tudo logo em seguida? Só iria confundir o público e gerar alguma insatisfação. Qualquer reboot é algo lamentável e suja a imagem da franquia, independente do resultado.

Então, o que está acontecendo?

Minha aposta: a menos que a Fox seja resiliente e esteja mantendo “tudo a vapor” (ou funcionando normalmente) até o último segundo – ou seja, o instante em que o CEO da Disney disser: “pára tudo! Acabou! Agora, vocês são nossos e não vão fazer nada até eu dizer que façam!” – OU o Marvel Studios já começou a trabalhar no desenvolvimento da nova franquia e manteve os projetos em andamento, fazendo o reboot antes de começar de verdade.

Kevin Feige, presidente do Marvel Studios: responde agora diretamente à Disney.

Isso quer dizer que Bendis poderia estar já trabalhando no filme da Kitty Pryde dentro do Marvel Studios (e não mais à realidade da Fox). É uma possibilidade real e provável. Talvez, Bendis tenha até um papel maior: poderia estar desenvolvendo a franquia dos mutantes como um todo e não apenas da personagem. Ele disse: “tão fundo na Mansão X”.

O problema que há a esta (bela) teoria é o histórico de rusgas entre Bendis e Feige. Explicamos: quando o Marvel Studios começou a montar o Universo Marvel dos Cinemas, a Marvel Entertainment criou o Comitê Criativo que iria ajudar a criar a conexão entre os filmes e as histórias. O Comitê era formado, majoritariamente, por escritores dos quadrinhos e servia como consultor ao presidente do Marvel Studios, Kevin Feige, enquanto ambos (Comitê e Studios) estavam submetidos à M. Entertainment e sua figura de proa, o CEO Ike Pelmuter. Bendis era provavelmente o nome de maior peso dentro do Comitê, porque era o escritor de maior sucesso da década de 2000, tendo transformado a franquia dos Vingadores (nas HQs) no maior sucesso da Marvel Comics, pela primeira vez ultrapassando as vendas de Homem-Aranha e X-Men.

Brian Michael Bendis em 2018.

Por exemplo, é dito que foi Bendis quem escreveu a cena pós-créditos de Homem de Ferro, de 2008, o famoso momento em que Tony Stark está em sua mansão em Malibu e lê as notícias de que revelou ao mundo que ele é o Homem de Ferro, e de repente, é surpreendido pela presença de Nick Fury dentro da sala, o Diretor da SHIELD, que lhe diz: “Você acha que é o único super-herói do mundo? Você agora é parte de um universo muito maior. Vamos falar sobre a Iniciativa Vingadores!“. Foi o gancho inicial para a conexão de todos os filmes dali em diante.

Bem, mas já em 2009, a The Walt Disney Company comprou a Marvel Entertainment por US$ 4 bilhões e Pelmuter passou a ter que responder diretamente e Bob Iger, o CEO da Casa do Rato. Na medida em que os filmes do Marvel Studios foram fazendo cada vez mais sucesso – culminando com Os Vingadores atingindo US$ 1,5 bilhões nas bilheterias – a tensão entre Feige e o Comitê (e Pelmuter) foi aumentando. Inclusive, é dito que algumas coisas que “não deram certo” nos filmes do Studios, especialmente na Fase 2 – como Homem de Ferro 3 ou Thor – O Mundo Sombrio -, foram fruto desses desentendimentos.

No fim das contas, Feige foi até Iger e conseguiu com que o M. Studios se reportasse diretamente à Disney, não precisando da aprovação do Comitê (que deixou de existir) ou de Pelmulter e a M. Entertainment. Quer dizer, para todos os efeitos, o M. Studios virou uma empresa autônoma, pelo menos criativamente.

Ninguém nunca falou abertamente sobre esses problemas e não se sabe como era (ou é nos dias de hoje) a relação entre Bendis e Feige, mas se não foi uma coisa muito séria, quem sabe, o escritor-sensação criador de Jessica Jones pode estar à bordo para auxiliar na agregação dos X-Men (e do Quarteto Fantástico!) ao Universo Marvel dos Cinemas.

Brian Michael Bendis nasceu em 1967, em Cleveland, Ohio, e estudou num colégio de artes, apaixonado por HQs (e a Marvel em particular) e histórias de crime e detetive de ambientação noir. Inicialmente também um desenhista, ele logo se concentrou na escrita e começou a chamar a atenção na Caliber Comics, em 1993, publicando no ano seguinte sua obra mais conhecida desse período, Jinx, o que o levou para a Image Comics, que republicou seu material e mais coisas inéditas.

Na Image, ganhou mais notoriedade fazendo revistas derivadas de Spawn, o personagem de maior sucesso da editora, criado por Todd McFarlane, onde escreveu Sam & Twitch, sobre uma dupla de detetives e Hellspawn, e teve seu momento “virada” com o lançamento de Powers, em 2000, sobre um time de detetives que vivem em uma cidade cheia de super-heróis. A série ganhou vários prêmios e fez bastante sucesso.

Naquele mesmo ano foi convidado pela Marvel Comics, onde lançou Ultimate Spider-Man, uma versão do Homem-Aranha para o século XXI e que fez tanto sucesso que deu origem ao Universo Ultimate. Daí, Bendis se disseminou pela Marvel, indo escrever o Demolidor em 2001, criando Jessica Jones em 2004, e por fim, assumindo a franquia dos Vingadores também em 2004, tornando-a um sucesso avassalador de vendas. Ele ainda escreveu vários outros títulos do selo Ultimate (incluindo X-Men e Quarteto Fantástico) e criou Miles Morales, em 2011, o menino de origem latina e hispânica que vira o novo Homem-Aranha. Em 2013, ele saiu de Vingadores e foi para os X-Men e permaneceu na editora até 2017, quando passou para a DC Comics onde foi fazer o Superman.