Durante um evento a vendedores de quadrinhos nos EUA, a ComicsPRO, o publisher da DC Comics, Dan Didio, anunciou que a editora irá cortar uma parte de sua linha de revistas. O Bleeding Cool tinha dado a notícia (como uma especulação) e, agora, confirma.

Contudo, na primeira reportagem, os rumores chamavam a empreitada de Os Novos 22 – em referência à Os Novos 52, de 2011 – dizendo que a DC Comics iria diminuir sua linha de revistas para apenas 22 publicações, o que seria um corte drástico de mais de 60% do que a editora publica hoje em dia. Depois, falou-se que a linha ficaria entre 20 e 30 revistas (o que ainda é pouco), mas na ComicsPRO, Didio disse que a diminuição não será tão grande assim.

A ComicsPRO ocorreu em Charlotte, na Carolina do Norte, reunindo editoras e a cadeia de venda de HQs, incluindo distribuidoras e o mercado de ponta, as comics shops.

A DC Comics detém 33,2% do mercado de quadrinhos dos EUA, segundo o levantamento de 2018, segundo a segunda maior do mercado – atrás da Marvel Comics – mas a venda de HQs vem caindo nos últimos anos e, hoje, uma HQ campeã de vendas mal chega às 100 mil unidades vendidas e uma venda de 200 mil numa edição é um fenômeno raro. Isso quer dizer que a maioria das revistas que ocupam o Top 40 de mais vendidas vendem entre 40 e 20 mil unidades, apenas, o que é pouco para um mercado tão grande quanto o dos EUA.

Nos anos 1970, por exemplo, uma revista mediana vendia entre 150 e 200 mil cópias e as campeãs do mercado chegavam a 700 ou 800 mil unidades.

Embora Didio não tenha falado em números exatos, a estratégia da DC em reduzir de tamanho já foi usada de modo bem sucedido em 2011. Quando a editora lançou Os Novos 52, que era uma nova estratégia de mercado e também um reboot cronológico – que já vem sendo “revisto” em outro minireboot chamado Rebirth, desde 2017 – já houve uma redução da linha de quadrinhos de uns 80 números para apenas os 52 do título. Motivados pelas novidades cronológicas dos personagens, a venda disparou e a DC ocupou vários dos primeiros lugares do ranking daquele ano de 2011 e, por um período, ultrapassou as vendas da sempre campeã Marvel.

Mas a DC não resistiu a gradativamente ir ampliando o número de revistas, ao mesmo tempo em que o público cansou ou não concordou com várias novidades e pôs a editora de volta em seu segundo lugar.

De qualquer modo, a indústria de quadrinhos precisa descobrir novas formas (e fórmulas) de continuar existindo em seu formato mensal se não quiser desaparecer completamente do mapa daqui há alguns anos.