O Comic Book Resources divulgou o balanço final da venda de HQs dos EUA e, sem surpresas, a Marvel Comics foi a editora com mais vendas no ano, embora no ranking das revistas mais vendidas, a edição de maior sucesso foi da DC Comics.

A Marvel controlou nada menos do que 40,4% do mercado de quadrinhos dos EUA, um percentual que vem aumentando ao longo dos últimos anos. Também é se se esperar, afinal, não bastasse o sucesso de seus personagens no cinema e TV, a editora também possui alguns licenciamentos importantes, como a franquia Star Wars, que é publicada com sucesso pela Casa das Ideias. Um pequeno reforço chega para este ano novo com Conan, o bárbaro, que retorna às mãos da Marvel depois de 17 anos com a Dark Horse Comics.

A DC Comics vem bem atrás, com 33,2% do mercado, mas ainda assim, as duas majors controlam mais de 70% da venda de quadrinhos nos EUA. As demais editoras do Top 10 têm porcentagens bem pequenas, comparativamente: Image (9,9%), IDW (3,3%), Dark Horse (2,1%), Boom! Studios (1,9%), Dynamite (1,7%), Viz Media (0,4%), Titan (0,6%) e Oni (0,5%).

O CBR anota que a venda de revistas mensais obteve um pequeno acréscimo em 2018, em relação ao ano anterior, com crescimento de 3,3%, mas a venda de graphic novels caiu 6,6%, o que não é bom.

Se por um lado, o consumidor de revistas mensais termina também comprando graphic novels, este tipo de publicação – que chamamos de encadernados no Brasil – atende justamente ao público “maior” que não consome HQs mensalmente. Isso quer dizer que, mesmo tendo vendas menores com cômputo geral, os encadernados têm mais impacto social, porque se comunicam com o público externo (em alguma medida) das HQs. Ver essa fatia diminuir é um risco a médio prazo, pois para sobreviverem as HQs precisam manter esse contato exterior.

Por fim, chegamos ao ranking das revistas mais vendidas de 2018! Infelizmente, os dados divulgados pelo CBR não detalham a quantidade de unidades vendidas, apenas o posicionamento no Top 10.

Neste caso, a grande campeã do ano foi Action Comics 1000, como não podia deixar de ter sido: a milésima edição da primeiríssima revista do Superman, aquela mesma em que o homem de aço apareceu pela primeira vez, em 1938, publicada ininterruptamente desde então.

Porém, apesar dessa vitória, a DC Comics tem apenas outras duas revistas no Top 10: Batman 50 (a edição do casamento do Homem-morcego), em 3°; e Batman Who Laughs 01, em 8°.

As demais sete posições do ranking são da Marvel Comics, mostrando, obviamente que nenhuma outra editora além das duas majors consegue colocar uma revista no Top 10.

Destaque para o Homem-Aranha, que se mantém firme e forte como o personagem mais popular da Casa das Ideias, com quatro revistas no ranking, quatro edições de Amazing Spider-Man: 800, em 3° lugar; 01 (5°), 798 (8°) e 799 (10°); e ainda um tipo de spin-off com Venom 01 em 7° lugar, com certeza, impulsionada pelo filme que o popular vilão ganhou.

Para fechar o ranking, duas publicações que retornaram após alguns anos longe das Comics shops. Primeiro o Quarteto Fantástico que voltou a ter uma publicação após muito tempo. A Marvel tinha descontinuado a revista aparentemente em represália ao fato de que o estúdio de cinema Fox era quem detinha os direitos, mas a Fox foi vendida ano passado para a Disney, que também é dona da Marvel, garantindo a volta da “primeira família” às lojas com Fantastic Four 01, que ficou na 4a posição do ranking.

Outro que voltou foi Wolverine, o mais popular dos X-Men, que passou quatro anos morto dentro da cronologia da editora, mas regressou em The Return of Wolverine 01, que ficou na 6a posição, um lugar baixo para um antigo bom vendedor como Logan. Esse lance idiota das editoras de ficar “matando” seus personagens apenas para trazê-los de volta de uma maneira cretina algum tempo depois parece pagar seu preço nesta ocasião.

Por fim, este é resumo do Top 10 de revistas mais vendidas de 2018 nos EUA:

Pelo menos podemos escrever sobre revistas mais vendidas nos EUA, já que isso é impossível no Brasil, onde as editoras – por um motivo qualquer nunca divulgam o quanto vendem, ao ponto de não sabermos sequer qual é o tamanho do mercado de HQs no país. Já pensou que louco?