O sucesso de Bohemian Rhapsody, a cinebiografia do Queen, focada em Freddie Mercury que se tornou a maior bilheteria do gênero e foi premiada no Oscar com 4 estatuetas, incluindo Melhor Ator, está inspirando novas tentativas. Além de Rocketman, calcada sobre Elton John, que será lançada em breve, outra que vem por é um filme sobre os Sex Pistols, a mais emblemática das bandas punks.

Segundo o Daily Star, a cineasta Ayesha Plunkett irá dirigir a obra, com produção da britânica Starlight Films e tendo como centro a dupla de bastidores por traz do grupo, o empresário Malcolm McLaren e a estilista Vivienne Westwood, que eram proprietários da loja de roupas Sex, que serviu como ponto de encontro e base de operações do conjunto.

Responsáveis por um dos fenômenos mais importantes da música nos anos 1970, os Sex Pistols impressionaram pelo sucesso e atitude, mesmo com a existência efêmera, entre 1975 e 1978.

McLaren havia vivido em Nova York no início dos anos 1970, sendo o empresário do New York Dolls, mas o fim precoce o fez voltar para casa com vontade de repetir a dose. Ele e Westwood montaram a loja de roupas que conferia um estilo alternativo e ousado para a época e casou como uma luva com o nascente movimento punk e suas vestimentas rasgadas e cheias de alfinetes.

Frequentadores da loja, o grupo decidiu formar uma banda, mesmo que mal soubessem tocar. As apresentações ruidosas e as canções potentes dos Sex Pistols, contudo, logo cativaram o público que não conseguia se identificar com o rock superproduzido e complexo de então, preferindo a sonoridade crua, simples e arrebatadora do nascente punk e do lema “faça você mesmo”.

A banda lançou seu primeiro single em 1976, com Anarchy in The UK, que foi não apenas um sucesso, mas um fenômeno. Os Sex Pistols abriram com isso a porta para uma série de outras bandas punks, formadas nos shows dos Pistols, como The Clash e The Damned.

O segundo compacto, God saves The Queen, tirava sarro da figura da Rainha da Inglaterra em plena época do Jubileu de Prata de Elizabeth II, e chegou ao primeiro lugar das paradas, foi censurada e chegou até a ser presa ao tentar organizar uma apresentação dentro de um barco no Tâmisa para tocar a canção durante os festejos.

O primeiro (e único) álbum da banda, Nevermind The Bollocks, lançado em 1977, foi um fenômeno cultural e espalhou o movimento punk pelo mundo, mesmo que o movimento dos EUA – liderado por The Ramones, Blondie, Television – fosse anterior, mas enquanto nos EUA o punk era essencialmente estético e pautado no desbunde, no Reino Unido, tinha uma postura muito mais radical, agressiva e política, dando a cara do que entendemos como punk hoje.

No meio do caminho entre o segundo compacto e o álbum, os Sex Pistols – que eram sujos, mal educados e antisociais – foram expulsos de duas gravadoras e perderam seu baixista (e principal compositor) Glen Matlock, sob a desculpa pública de que “ele gostava de Beatles” e colocaram no lugar um amigo da banda, fã dos shows e protótipo perfeito do punk: Sid Vicious, que mal era capaz de segurar um baixo.

A dupla Johnny Rotten (vocais) e Sid Vicious (baixo) imortalizou a estética visual e comportamental do punk e viraram ícones. Vicious se automutilava nos shows!

Em 1978, a banda foi fazer sua primeira (e única) turnê nos EUA e acabou por lá mesmo. Empresários e gravadoras tentaram manter a banda unida, com a ideia de Vicious assumir os vocais, mas o plano nunca se concretizou de verdade.

No fim das contas, Sid Vicious foi preso, acusado de matar a própria namorada e morreu de uma overdose quando foi solto para responder em liberdade.

Johnny Rotten assumiu o nome real, John Lydon, e continuou a fazer um sucesso mais alternativo na banda PIL.

Com certeza não falta material para um grande filme. Sem ser família dessa vez. E já existe um clássico no tema: Sid & Nancy, que foi estrelado por um jovem Gary Oldman, em 1986.