Enquanto o organizador do Festival de Woodstock, Michael Lang, luta para reprisar a glória e editar um festival comemorativo dos 50 anos do mais importante concerto da história do rock (e não vem sendo bem sucedido nisso); a gravadora Rhino Records traz notícias melhores: irá lançar o festival na íntegra em um box set de 38 CDs (!), mais o livro de Lang (Woodstock: 3 Days of Peace & Music) e o famoso filme de Michael Wadsleigh (Woodstock), que ganhou o Oscar de Melhor Documentário e virá em sua “versão do diretor” com 3 horas de duração, e fotografias, uma correia de guitarra e réplicas de ingressos, cartazes e programação do evento; em Woodstock: Back to the Garden – The Definitive 50th Anniversary Archive.

Os CDs cobrem todos os shows, na íntegra, dos 32 artistas que se apresentaram nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 1969, na fazenda de Max Yugur, na cidade de Bethel, vizinha à Woodstock que batizou o festival. Para montar o acervo, foram usadas as 60 fitas multitracks na qual o engenheiro de som Eddie Kramer (que trabalhou com Jimi Hendrix) e seu assistente Lee Osbourne gravaram os shows; adicionadas a outras 100 fitas tiradas das mesas de som do evento; tudo isso agora reproduzido pelo produtor Andy Zax, mais o produtor de som Brian Kehew e o engenheiro de masterização Dave Schultz.

Segundo o Consequences of the Sound, a equipe remasterizou e buscou resgatar a máxima qualidade do som, porém, evitou ao máximo mexer nos tapes para corrigir imperfeições sonoras da captação, para preservar a realidade do momento.

Mexican guitarist Carlos Santana (left) and his band perform on stage to a huge audience at the Woodstock Music

O material em áudio incluirá, também, as falas da equipe e dos apresentadores ao longo dos shows, pois algumas delas se tornaram tão icônicas quanto o próprio festival, como aquela do diretor de iluminação Chip Monk, que subiu ao palco e pegou o microfone para avisar que as pessoas evitassem tomar o LSD da pílula azul, porque estava dando bad trip nas pessoas.

O massivo box set permitirá um mergulho histórico sem precedentes no maior de todos os festivais, cobrindo em exata ordem cronológica todos os 32 artistas que subiram ao palco nos “três dias de paz e música”, como Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who, Creedence Clearwater Revival, Joe Cocker, Crosby, Stills, Nash & Young, Joan Baez, The Band, Grateful Dead e Santana.

Back to The Garder terá 432 faixas, distribuídas em 38 CDs, trazendo mais de 20 horas de áudio jamais escutado. A caixa custará US$ 799,98 e será restrita a somente 1.969 cópias, que serão numeradas.

Para o menos abastados, haverá outras versões, como a Experience, que terá apenas 10 CDs, com um resumo estendido do festival; e ao público em geral terá a opção Collection, com 3 CDs.

O Festival de Woodstock ocorreu em agosto de 1969, no interior do estado de Nova York, e tentou mimetizar o sucesso do Monterrey Festival, de 1967, que ocorrera em San Francisco. A notícia do festival se espalhou rápido e, embora se cobrasse ingressos inicialmente e se previssem 30 mil pessoas; uma multidão de 500 mil pessoas compareceu ao local, tornando evento gratuito e um fenômeno cultural sem precedentes.

Transformado em filme e em disco (um álbum triplo de muito sucesso), Woodstock se eternizou como o apogeu da cultura hippie dos anos 1960 e um retrato fabuloso da música imortal de seu tempo.

Para não dizer que não falei das flores: o produtor Michael Lang, principal, responsável pelo evento original, chegou a organizar outros festivais com o mesmo nome (e sem o mesmo brilho) em 1994 e 1999; e está programado para repetir a dose agora em 2019, porém, ele perdeu a empresa patrocinadora duas vezes e as vendas de ingressos foram suspensas. Mas Lang garante que o festival de comemoração aos 50 anos ainda ocorrerá.

Outro festival, avulso, menor e menos produzido, ocorrerá em Bethel, celebrando os 50 anos de Woodstock, e terá presença de Ringo Starr, Santana e John Forgety (vocalista e guitarrista do Creedence Clearwater Revival).