Não é uma surpresa, mas hoje foi anunciado oficialmente o cancelamento do Woodstock 50, o festival musical dedicado a celebrar o aniversário de um dos eventos mais importantes da história da música e um marco cultural dos anos 1960. A produção da festa foi marcada por uma série de problemas e, hoje, o organizador Michael Lang emitiu uma nota oficializando o fim.

No comunicado, Lang afirma:

Estamos tristes, porque uma série de imprevistos tornaram impossível seguir com o festival que imaginávamos, com uma magnífica line-up e o engajamento social.

Na verdade, foi um pouco mais do que “imprevistos”: primeiramente, a cidade de Bethel, onde ocorreu o Woodstock de 1969, não aceitou sediar o novo evento, preferindo ela própria organizar uma versão menor e menos espetaculosa para celebrar a data. A produção de Lang então conseguiu um acordo com a vizinha Watkins Glen, mas tiveram problemas em conseguir as licenças necessárias para sediar o evento. O atraso impediu que as vendas dos ingressos on line iniciassem em abril, como previsto. Então, o financiador do evento, a Dentsu Aegis, desistiu do festival e anunciou seu cancelamento.

Mas a organização de Lang insistiu em manter tudo rodando, mas em junho, a cidade de Watkins Glen desistiu de sediar o evento, e com isso, a parceira de Lang, a CID Entertainment, também desistiu. A produção insistiu em ir adiante e “mudou-se” para outra cidade vizinha, Vernon, mas em julho, o Conselho Municipal se negou a receber o Festival, afinal, o município de apenas 5 mil habitantes não teria infraestrutura para sediar a festa que teria pelo menos 60 mil pessoas. Lang insistiu quatro vezes, mas nenhuma logrou êxito.

Com o Festival marcado para os dias 16 a 18 de agosto, vários artistas começaram a desistir de seus contratos e a imprensa – tal qual o HQRock – já começou a dar o evento como morto. Ainda assim, a produção tentou mover o evento para o pavilhão Merriweather, na cidade de Columbia, no estado de Maryland, há mais de 600 km de distância do evento original; mas já era tarde demais.

A mudança de estado levou a uma debandada final de artistas que rescindiram os contratos.

Às vésperas da data programada, sem artistas e sem local, não coube outra alternativa a Michael Lang a não ser cancelar tudo. É uma pena!

Joe Cocker no palco em Woodstock.

O Woodstock é um marco histórico e merecia uma celebração, mas tudo começou a se mostrar um grande equívoco quando Lang divulgou a “sensacional” lista de artistas do evento: muitos artistas do pop e do RAP atual e uns poucos representantes da geração que tornou o festival um marco. O HQRock comentou na época do anúncio que era um line up muito fraco e indigno da herança do Woodstock. E parece que o meio captou a mesma mensagem: o Woodstock 50 nunca emplacou e afundou vergonhosamente.

Fica uma lição – inclusive para Lang, que foi um dos organizadores do evento de 1969 – que marcos importantes como Woodstock precisam ser cuidados com muito esmero e não adianta querer reprisá-los se não há um corpo artístico à altura. Nesse sentido, o Desert Trip de dois anos atrás foi muito mais bem-sucedido ao reunir por quatro noites alguns dos maiores nomes do rock clássico ainda em atividade, como Rolling Stones, Paul McCartney, Neil Young, Bob Dylan, The Who e Roger Waters. Nenhum desses estava no Woodstock 50.

De qualquer modo, o Woodstock original permanece recebendo homenagens de 50 anos de aniversário: a cidade de Bethel, na qual o evento ocorreu, fará uma festa mais humilde, com a presença de Santana e John Fogerty – que tocaram em 1969 (o último à frente do Creedence Clearwater Revival – mais o ex-Beatles Ringo Starr; e todo o material do festival original será lançado, pela primeira vez, em disco, por meio de uma coleção de mais de 30 CDs.

Ocorrido entre 15 e 17 de agosto de 1969, Woodstock reuniu alguns dos mais importantes artistas dos anos 1960, como Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who, Creedence Clearwater Revival, Santana e Crosby, Stills, Nash & Young.