Ontem, foram distribuídos os Golden Globe Awards, o Globo de Ouro, o prêmio ofertado pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood sobre a produção cinematográfica de 2019. A cerimônia – que abre oficialmente a temporada de premiações na área – teve algumas surpresas, mas Joaquin Phoenix receber o prêmio de Melhor Ator por Coringa não foi uma delas.

Coringa já tinha ganho o Leão de Ouro do Festival de Veneza e é um dos fortes candidatos ao Oscar deste ano, mesmo sendo um filme de super-heróis. O sucesso de crítica também se estende ao público, pois se tornou o único filme com Censura 18 anos a arrecadar US$ 1 bilhão nas bilheterias mundiais.

Leia aqui a Resenha do HQRock para Coringa.

Phoenix era um dos favoritos ao prêmio de ontem, provavelmente, o mais cotado e ganhou de acirrada concorrência contra Christian Bale (por Ford vs. Ferrari), Antonio Banderas (por Dor e Glória), Jonathan Pryce (por Dois Papas) e Adam Driver (por História de um Casamento). Em seu discurso de agradecimento, Phoenix agradeceu e elogiou seus concorrentes.

É a segunda vez que Phoenix ganha o Globo de Ouro, sendo a outra por Johnny e June, a cinebiografia de Johnny Cash, de 2006. O Coringa, enquanto personagem, também ganhou pela segunda vez, pois em 2009 o prêmio foi dado a Heath Ledger, que o interpretou no filme Batman – O Cavaleiro das Trevas.

E Coringa venceu 2 prêmios, ganhando ainda por Trilha Sonora Original, de Hildur Guõnadottir, que ainda fez história, sendo a primeira mulher a vencer na categoria sozinha.

Coringa concorria a Melhor Filme – Drama, ao lado de O Irlandês, História de um Casamento e Dois Papas, mas o grande vencedor da noite foi 1917, um filme sobre a I Guerra Mundial dirigido por Sam Mendes, que também levou o de Melhor Diretor.

Embora tecnicamente o grande ganhador da noite tenha sido 1917, o destaque terminou caindo para Quentin Tarantino, cujo Era Uma Vez… em Hollywood foi o mais premiado, com 3 Globos de Ouro: Melhor Filme – Comédia ou Musical, Melhor Roteiro e Melhor Ator Coadjuvante (para Brad Pitt).

O Globo de Ouro é o principal “termômetro” do Oscar, que é distribuído pela Associação de Artes e Ciências de Hollywood. Com a vitória de Joaquin Phoenix como Melhor Ator – Drama o coloca como praticamente o favorito ao Oscar, onde terá como grande concorrente Taron Egerton, que ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator – Comédia ou Musical, por sua interpretação do cantor Elton John em Rocketman. O Oscar não separa a premiação por tipo de filme – é apenas Melhor Ator – e terá que escolher apenas um deles.

Em 2019, o vencedor da categoria foi outra cinebiografia musical, quando Rami Malek venceu por seu papel como Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody.

Desviando um pouco de nosso tópico, mas apenas para não deixar de comentar, o Globo de Ouro esse ano teve uma importância especial para servir como “avalista” da tendência atual de que filmes produzidos (e financiados) por plataformas digitais de streaming, como a Netflix, disputem o mesmo espaço do que aqueles realizados exclusivamente para o cinema. Dentre os principais concorrentes, dois deles – O Irlandês e Dois Papas – foram produzidos pela Netflix e o analistas esperavam para ver como o meio os avaliaria, como consagrados ou deixados a parte. Ambos concorreram aos principais prêmios, mas nenhum deles foi premiado durante à noite, o que passa uma mensagem.

Há uma grande discussão, especialmente na Academia de Artes e Ciências de Hollywood, se é justo que filmes que são essencialmente produzidos para o streaming (ou seja, para a TV) podem concorrer em uma premiação como o Oscar, que é dedicada ao cinema. Até agora, para se ater às regras, filmes como O Irlandês e Dois Papas estreiam em uma pequena quantidade de cinemas para uma carreira de exibição “simbólica”, o que para muitos da indústria do cinema isso é apenas um modo de enganar, quase uma fraude.