Ainda vivo, embora praticamente aposentado, o guitarrista Peter Green ganhou uma homenagem emocionante em Londres, na terça-feira, dia 25 de fevereiro, no London Palladium, um dos mais tradicionais teatros da cidade. O tributo ocorreu apenas alguns dias depois de outro da mesma natureza para celebrar a memória do baterista Ginger Baker. Peter Green foi o fundador da banda Fleetwood Mac e um dos mais importantes guitarristas de Blues Rock dos anos 1960.

O tributo foi organizado pelo ex-companheiro de banda de Green, o baterista Mick Fleetwood, e passeou pelo repertório do grupo, além de alguns covers de Blues. No palco, uma sucessão de astros deu sua contribuição para celebrar o legado de Green, que nos dias de hoje não é mais um guitarrista tão famoso ou conhecido. Nem mesmo entre os roqueiros. Mas sua obra é sensacional!

David Gilmour, Billy Gibbons, Steve Tyler e Christine McVie.

Por isso, o London Palladium presenciou gente como o guitarrista Billy Gibbons (ZZ Top) tocando em faixas como Doctor Brown, All your love e Rattlesnake shake; a segunda com John Mayall nos teclados; e a terceira com vocal de Steve Tyler (Aerosmith). Tyler se uniu à pianista Christine McVie (Fleetwood Mac) em Stop messin’ around; e ela seguiu sozinha nos vocais de Looking for somebody.

Mick Fleetwood (centro) e Noel Gallagher.
Pete Townshend.

Depois, o guitarrista Noel Gallagher (Oasis) liderou o trio de canções com The world keep on turning, Like crying e No place to go; Pete Townshend (The Who) apresentou Station man; enquanto Billy Gibbons e Steve Tyler se uniram de novo para Oh, well, part 1; e David Gilmour (Pink Floyd) apresentou Oh, well, part 2. O bluesman Johnny Lang tocou Need your love so bad; e Rick Vito (membro das formações mais recentes do Fleetwood Mac) apresentou Black magic woman; sendo estas duas últimas algumas das canções mais conhecidas de Peter Green, a última tendo feito sucesso também com uma interpretação da banda do guitarrista Santana.

Billy Gibbons e Kirk Hammett.

Jeremy Spencer (guitarrista que foi parceiro de Green no Fleetwood Mac) e Bill Wyman (ex-baixista dos Rolling Stones) se uniram em The sky is crying e I can’t hold out. Em seguida, dois monstros da guitarra, Billy Gibbons e Kirk Hammett (Metallica) se juntaram para The Green Manalish.

O bis contou com duas canções: a instrumental Albatross, uma das mais famosas canções de Green no Fleetwood Mac, foi apresentada por David Gilmour; e quase todo o elenco de convidados se uniu para encerrar o show com Shake your moneymaker.

Mick Fleetwood, o organizador.

Mick Fleetwood disse em uma declaração à imprensa que a intenção é organizar o show para lançamento em vídeo (DVD e Blu-ray) e disco (CD e vinil), o que sem dúvida serve como uma grande homenagem ao lendário guitarrista.

Peter Green (centro) com John Mayall (dir.).

Peter Green nasceu em 29 de outubro de 1946, em Bethnal Green, na Inglaterra, em uma família musical, por isso, aprendeu a tocar guitarra bem cedo e aos 11 anos já impressionava com sua desenvoltura e talento. Aos 15 anos começou a tocar com bandas, e em 1966, antes de completar 20 anos, deu a grande virada de sua vida: substituir Eric Clapton na banda John Mayall’s Bluesbreakers, a mais “quente” do circuito de R&B de Londres então. O novo guitarrista fez sucesso imediato e gravou o álbum A Hard Road, lançado em 1967, já estrando também nos vocais e na composição.

Já com o Fleetwood Mac.

Porém, as tensas relações no interior do grupo levaram Green a deixar a banda ainda em 1967, e também o fizeram o baixista John McVie e o baterista Mick Fleetwood. O trio decidiu seguir unido em uma nova banda, que foi batizada de The Fleetwood Mac. Ganhando desde logo um segundo guitarrista com Jeremy Spencer, o grupo muito cedo se tornou um dos mais apreciados na nascente cena Blues Rock (mais pesada do que a de R&B), no mesmo espírito sonoro de grupos como Cream, The Jimi Hendrix Experience e o ainda vindouro Led Zeppelin.

O apogeu do Fleetwood Mac: Kirwan, Fleetwood, Spencer, McVie e Green (deitado).

O primeiro álbum do Fleetwood Mac, homônimo, já fez sucesso na Inglaterra, quando lançado em 1968, e a banda terminou o ano adicionando um terceiro guitarrista com o jovem Danny Kirwan. A trinca de guitarras deu ao Fleetwood Mac uma sonoridade muito específica e dinâmica e isso ajudou ao grupo emplacar uma série de hits em 1969, como Oh, well, Black magic woman, Man of the world e Albatross (todas de autoria de Green).

Infelizmente, o excesso de drogas pagou seu preço e Peter Green sofreu um colapso mental em 1970 e deixou o grupo. Mentalmente instável demais, o guitarrista passou anos em tratamento e só reiniciou a carreira em 1979, embora nunca mais tenha sido o mesmo e, portanto, não tenha sido capaz de produzir algo de qualidade como em seus velhos tempos. Green gravou seu último álbum em 2004 e há alguns anos tem se mantido basicamente recluso e aposentado.

O Fleetwood Mac nos tempos de Rumours, em 1978.

Sem Green, o Fleetwood Mac prosseguiu seu caminho e após uma série de mudanças na formação (mantendo apenas McVie e Fleetwood como membros duradouros) e de uma migração para os EUA, o grupo terminou mudando a sonoridade para algo mais pop e estourando com um grande sucesso e fazendo o álbum Rumours, de 1978, se transformar em um dos mais vendidos da história do rock.