O The Sun deu o furo e depois as confirmações vieram depois (via NME e Ultimate Classic Rock, por exemplo): a lendária banda Genesis irá se reunir para uma turnê e o anúncio oficial será dado pela BBC 2 amanhã de manhã. Será a primeira vez que o grupo que transitou com sucesso do rock progressivo ao pop se reunirá em 13 anos.

No Twitter, a BBC 2 afirmou que irá anunciar a reunião de uma GRANDE (assim mesmo, em letras garrafais) banda no seu programa da manhã, mas logo depois, o O2 Arena (a principal casa de shows de Londres) entregou a surpresa dizendo que iriam anunciar um grande repertório de concertos, incluindo o Genesis.

A conta oficial da banda não se fez de rogada: postou uma imagem de Phil Collins (vocais, bateria e teclados), Tony Banks (teclados) e Mike Rutherford (guitarra e baixo) com a legenda “and then there were three” (E então, havia três), que é o título de um álbum de 1978, mas também uma referência à formação de maior sucesso do grupo, com o trio citado.

Após essas pistas, o The Sun entregou todo o jogo.

O Genesis se reuniu pela última vez em 2007, quando celebrou os 40 anos de fundação da banda. Mas no ano passado, Collins e Rutherford se uniram em um concerto e tocaram o hit Follow you follow me, em Berlim, durante a turnê atual do primeiro.

O Genesis é uma das bandas de rock de maior sucesso da história, tendo vendido mais de 100 milhões de discos e emplacado um cabedal de hits, como Invisible Touch, I Can’t Dance e Throwing It All Away. O grupo foi fundado pelo vocalista e compositor Peter Gabriel em 1967 e lançou seu primeiro álbum em 1969, porém, a fase de sucesso começou a partir de 1971, coincidindo com a entrada do baterista Phil Collins, que rapidamente passou a compor canções e fazer vocais de apoio.

Após alguns álbuns de sucesso na Inglaterra (Foxtrot, 1972; Selling England by the Pound, 1973; The Little Lamb Lies Down on Broadway, 1974), Gabriel abandonou o grupo para seguir em carreira solo, cabendo a Phil Collins não só o papel de baterista, mas também de vocalista e compositor. Curiosamente, o disco seguinte da banda (A Trick of the Tail, 1976) fez ainda mais sucesso e o conjunto decidiu começar a simplificar seu som, gradualmente se afastando do progressivo em direção a um rock mais direto e com ares pop. Isso levou à saída do guitarrista Steve Hackett, mas o Genesis permaneceu como um trio (com Collins, Banks e Rutherford) e entrou os anos 1980 fazendo mais sucesso ainda (Duke, 1980; Abacab, 1981; Invisible Touch, 1986)!

Também no início dos anos 1980, Phil Collins lançou uma carreira paralela como artista solo e ele fez tanto sucesso quanto a banda – vendendo mais 100 milhões de discos sozinho! – mas terminou por deixar o Genesis em 1996, que ainda lançou um álbum sem ele, mas não conseguiu sucesso e encerrou as atividades.

Desde então, houveram apenas reuniões ocasionais do grupo. Após o bem recebido concerto de 2007, a banda cogitou fazer uma turnê comemorativa de seus 50 anos, em 2017, mas desistiu, em grande parte pela relutância de Collins.

O deslocamento de uma vértebra em uma turnê de 2009, associada à cirurgia que se seguiu, uma crise de alcoolismo e décadas de excessos com drogas e álcool, culminaram no comprometimento da saúde de Collins, que ficou com falta de sensibilidade na mão esquerda e no pé direito, o que lhe impede de tocar profissionalmente tanto a bateria quanto o piano, além de lhe deixar com dores nas costas e dificuldades de andar, sendo necessário uma bengala. Ele chegou a anunciar a aposentadoria da carreira musical em 2011, mas voltou atrás em 2017, encarando uma turnê mundial na qual canta o show inteiro sentado em uma cadeira especial, excursão esta que passou pelo Brasil em 2018 (leia a Resenha do HQRock do show clicando aqui).

A turnê prometida até agora inclui apenas o Reino Unido, mas não é improvável que o Genesis termine em uma turnê para encontrar seus fãs no mundo inteiro. E por que não no Brasil, que só viu uma excursão do grupo no longínquo 1978?