Grandes notícias sobre a nova versão do filme Let It Be, que agora já é chamado oficialmente de The Beatles – Get Back. A Disney comunicou por meio de seu Twitter oficial que lançará o longa nos cinemas em rede mundial em 04 de setembro de 2020. Isso se junta à notícia de que o novo filme, dirigido por Peter Jackson (de O Senhor dos Anéis), trará o Show do Telhado na íntegra.

Não há mais detalhes sobre essas notícias, por enquanto. É com certa surpresa que a Disney seja a distribuidora do filme, cuja produção coube a Apple Films, empresa pertencente aos Beatles, enquanto Jackson lançou grande parte de umas obras mais famosas pela Warner, mas sem dúvidas, é uma boa plataforma de distribuição mundial. O Let It Be original, de 1970, foi lançado pela United Artists, companhia britânica.

Quanto ao Show do Telhado (ou The Rooftop Concert), deve haver alguns “senões” na questão. Originalmente, os Beatles subiram ao telhado do prédio da Apple Corps., no centro de Londres, onde mantinham seus escritórios e estúdio, na hora do almoço do dia 30 de janeiro de 1969, e tocaram 9 faixas em 40 minutos, antes da polícia interromper o evento por causa do barulho e do caos que provocou no trânsito, com todos parando para ouvir a banda. As 9 faixas envolveram 3 takes de Get Back, 2 de Don’t Let me down, 2 de I’ve got a feeling, e versões únicas de Dig a pony e One after 909.

Quando se diz nas notícias que o Show do Telhado será exibido na íntegra deve querer dizer que veremos pequenos trechos das repetições, já que versões integrais de cada uma das canções já estavam presentes no Let It Be original. É pouco provável que o novo filme irá gastar 40 minutos mostrando também as repetições completas. Ainda mais quando raramente documentários possuem mais do que 90 minutos de duração.

Porém, levando em consideração que o Let It Be de 1970 tinha exatamente 90 minutos, podemos pensar que as audiências atuais estão mais acostumadas com filmes longos e isso deve implicar em Get Back ter algo na casa dos 120 minutos. Mas não deve mesmo trazer as repetições do Rooftop Concert, apenas enxertos para dar uma dimensão mais completa do que foi o evento.

O filme Let It Be foi o resultado de um projeto dos Beatles que previa a banda criar, ensaiar e realizar um concerto com material inédito, filmar tudo e lançar como disco e filme. Os ensaios/gravações iniciaram em 02 de janeiro de 1969, mas as tensões internas do grupo e a indisposição de realizar um show “de verdade” e correr o risco de reativar a beatlemania terminaram minando os planos. No fim das contas, precisando de um final para o filme, a banda decidiu simplesmente subir no telhado e fazer um show lá em cima, no dia 30 daquele mês, criando performances “definitivas” das outras canções no estúdio no dia seguinte.

Todo o processo foi filmado pelo diretor Michael Lindsay-Hogg e o documentário foi lançado em 1970, ganhando o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original. As gravações dos ensaios foram trabalhadas por Glyn Johns e por George Martin, mas como os Beatles estavam sempre insatisfeitos com o resultado, contrataram o badalado produtor norteamericano Phil Spector, que criou a versão final lançada no álbum Let It Be na mesma época. O disco trazia três faixas gravadas no Show do Telhado.

A nova versão do filme parte das imagens registradas por Michael Lindsay-Hogg em 1969, mas agora, restauradas e remontadas por Peter Jackson, inclusive, num processo de clareamento, já que eram consideradas escuras e granuladas demais. Segundo depoimentos de Jackson e também dos dois ex-Beatles vivos, Paul McCartney e Ringo Starr, a nova versão passa uma imagem mais positiva da experiência, sempre pensada como um ambiente tenso e infeliz, chamada por John Lennon certa vez de “as mais miseráveis gravações da face da Terra”. Porém, aparentemente, a nova versão destaca os bons momentos.

É esperado que o lançamento de The Beatles – Get Backcuja data foi adiantada na notícia do lançamento de um livro sobre o processo, aqui no HQRock – também trará vários outros produtos, como o citado livro, o álbum Let It Be remasterizado e remixado e até o filme Let It Be original, que nunca foi lançado em vídeo doméstico até hoje.