A série do universo de Star Trek, Picard estreou para felicidade dos fãs e o showrunner do programa, Michael Chabon, reforçou outra vez que quer fazer um filme de Adam Warlock para o Marvel Studios.

Adam Warlock: messias cósmico.

Chabon falou sobre o tema durante uma sessão de Perguntas & Respostas, quando foi perguntado sobre suas conexões com os quadrinhos de super-heróis, ele respondeu:

Oh, são muitas! Ainda estou esperando aquele chamado de [Kevin Feige] para Adam Warlock.

Chabon é um romancista que publicou livros como Usina de Sonhos, Garotos Incríveis, A Solução Final, Telegraph Avenue e que ganhou o Prêmio Pullitzer de 2001 por As Incríveis Aventuras de Kavallier e Klay, sobre dois artistas na aurora da indústria de quadrinhos. Ele já colaborou com roteiros de cinema e é um dos creditados pelo texto de Homem-Aranha 2, de 2004, considerado o melhor filme da franquia do aracnídeo.

O escritor já havia comentado muito tempo atrás, em 2012, sobre o interesse de adaptar Adam Warlock ao cinema. O personagem já foi mencionado na cena pós-créditos de Guardiões da Galáxia Vol. 2, de 2016, mas não é garantido que apareça na sequência, o Vol. 3, que deve ser lançado em 2022.

Nas HQs, Adam Warlock apareceu chamado apenas de “Ele” nas edições 66 e 67 de Fantastic Four, de 1967, nas mãos de Stan Lee e Jack Kirby. Na trama, ele é um ser humano artificialmente criado por um time de cientistas com planos de dominação, porém, dotado de bondade, o ser se voltou contra seus criadores. Pouco tempo depois, o personagem fez uma segunda aparição em The Mighty Thor 165 e 166, de 1969, onde inadvertidamente entra em confronto com o deus do trovão, novamente nas mãos de Lee e Kirby.

Porém, a grande guinada do personagem começa em Marvel Premiere 01, de 1971, nas mãos do escritor Roy Thomas e do desenhista Gil Kane, na qual Ele é encontrado flutuando no espaço em seu casulo artificial pelo Alto Evolucionário, testemunhando quando este (então ex-)vilão cria a Contra-Terra, um planeta artificial que mimetiza a Terra e orbita uma rota oposta do outro lado do Sol, com a intensão de criar uma nova raça humana pura, sem maldade. O experimento é maculado pelo vilão Homem-Fera e a Contra-Terra se torna um lugar violento e maligno. Mas presenciando isso, Ele decide ir para lá e tentar salvar esse mundo, ganhando uma Joia da Alma do Alto Evolucionário para ajudá-lo na missão que vai torná-lo conhecido como Adam Warlock.

Após aparecer em Marvel Premiere 01 e 02, Warlock terminou ganhando uma revista própria, The Power of Warlock, na qual Thomas explorava esses elementos messiânicos, com o herói tentando ser um salvador, numa Terra corrompida por um anjo caído (o Homem-Fera era parte dos Novos Homens do Alto Evolucionário, uma raça benéfica, mas se tornou maligno), ao mesmo tempo em que tentava convencer o criador todo poderoso (o Alto Evolucionário) de simplesmente destruir aquele planeta – tal qual Deus fez no Dilúvio. Mas os conceitos complexos e ousados de Thomas e Kane não caíram no agrado do público. Somado ao fato de Thomas se tornar o novo Editor-Chefe da Marvel em 1972 e ter menos tempo para escrever, a revista foi cancelada no número 08, naquele mesmo ano. A trama inacabada ganhou um final em The Incredible Hulk 177 e 178, de 1974.

Contudo, quando o escritor e desenhista Jim Starlin fez sucesso com sua revisão do Capitão Marvel (outro personagem de Roy Thomas) e com sua criação original, o vilão Thanos, a Marvel lhe encomendou a retomada das aventuras de Warlock.

Magus.

Jim Starlin iniciou a produção de aventuras solo de Warlock na revista Strange Tales 178 a 181, de 1975, e a boa recepção das travas levou ao relançamento da revista do herói, agora chamada apenas Warlock, com texto e arte de Starlin, mantendo a numeração anterior e prosseguindo entre as edições 09 e 15, de 1975 a 1976, na chamada Saga de Magus.

Warlock era carregado de misticismo e messianismo.

Nessas revistas, Starlin desenvolveu uma trama ainda mais complexa e psicodélica, com grandes tons de crítica religiosa: Warlock é tomado como um messias na Contra-Terra, mas vê a ascensão de uma versão maligna de si mesmo, Magus, que funda uma seita e acumula cada vez mais poder. Na medida em que combate seu outro eu, Warlock também precisa enfrentar a ameaça iminente do titã louco, Thanos.

Warlock e sua batalha final contra Thanos em 1977.

Novamente, essas histórias não foram tão bem recebidas pela massa e a Warlock foi cancelada. Porém, conhecedora do grande valor artístico da trama, a Marvel deu a Starlin duas das revistas de maior vendagem da editora para dar uma conclusão a sua saga, com o escritor e desenhista produzindo as edições anuais de Vingadores (Avengers Annual 07) e do Coisa (Marvel Two in One Annual 02), ambas em 1977. Na trama, Warlock une forças com os Vingadores, o Homem-Aranha e o Coisa para a derrota definitiva de Thanos. Infelizmente, o processo também custa a morte de Warlock e seus aliados, Gamora e Pip.

Warlock e a Manopla do Infinito.

Warlock permaneceu morto por décadas, mas regressou aos quadrinhos no início dos anos 1990, quando Starlin regressou à Marvel – após uma temporada escrevendo o Batman na DC Comics – e deu início a sua obra mais famosa, A Saga do Infinito, que inspirou a megassaga dos Vingadores nos cinemas, em particular, Guerra Infinita e Ultimato. Warlock regressa nas aventuras do Surfista Prateado (Silver Surfer vol. 2 n. 60) e do Doutor Estranho (Doctor Strange vol. 3 n. 36), ambas de 1991, quando é trazido de volta de dentro da Joia da Alma para ajudar a combater o também renascido Thanos, numa missão mortífera pela posse da Manopla do Infinito que reúne as seis Joias do Infinito, com a qual o titã louco pretende exterminar metade da população do universo.

Adam Warlock e Pip. Arte de Jim Starlin.

Warlock é o líder da resistência a Thanos pela posse da Manopla do Infinito na Trilogia do Infinito, que Starlin escreveu e foi desenhada por George Perez e Ron Lim em três minisséries publicadas entre 1991 e 1993.

Desde então, Warlock prossegue como um importante personagem do universo cósmico da Marvel.

Guardians Of The Galaxy Vol. 2 Ayesha (Elizabeth Debicki) Ph: Film Frame ©Marvel Studios 2017

No cinema, o personagem é citado em meio à trama de Guardiões da Galáxia Vol. 2, quando o time espacial precisa combater a raça alienígena dourada dos Soberanos. Em vingança por sua derrota, a rainha Ayesha cria artificialmente um casulo dizendo que ele se chamará Adam Warlock e irá destruir os Guardiões da Galáxia. Porém, o personagem não apareceu nos filmes seguintes dos Vingadores que trazem a equipe espacial, a despeito do longo intervalo temporal da cronologia de 9 anos até a última vez que os vimos no fim de Ultimato.