Faleceu hoje o músico, poeta e jornalista Ciro Pessoa, um dos fundadores da banda Titãs e coautor de alguns dos sucessos do grupo, como Sonífera ilha, Toda a cor e Homem primata, vítima da infecção do novo coronavírus.

Inicialmente, o motivo da morte não foi revelado, mas depois, a ex-mulher do músico confirmou que ele estava lutando contra um câncer quando contraiu a Covid-19, chegou a ser internado, mas não resistiu, diz o G1.

Ciro Pessoa e Branco Mello nos tempos dos Titãs em postagem no Instagram lamentando a morte do ex-colega.

Os músicos dos Titãs, entre membros e ex-membros, lamentaram a perda, em particular Branco Mello, que era o principal amigo do poeta nos tempos de juventude. Segundo Mello, foi de Ciro Pessoa a ideia de reunir os amigos compositores e formarem a banda que terminou sendo os Titãs, em 1982.

Os garotos quase todos estudavam no Colégio Equipe, em São Paulo, e eram influenciados pela cena punk, mas também pela vanguarda paulistana de Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé, pelo rock em geral e pela música brasileira. Ainda estudantes, vários deles já estavam em conjuntos amadores, quando decidiram se reunir numa força coletiva incomum e diversificada.

A primeira formação adotou o nome de Titãs do Iê-Iê e se estabeleceu com Arnaldo Antunes, Branco Mello e Ciro Pessoa (vocais), Paulo Miklos (saxofone, flauta, teclados, guitarras ocasionais), Sérgio Britto (vocais e teclados), Nando Reis (vocais e baixo), Tony Belloto e Marcelo Fromer (guitarras) e André Jung (bateria), se apresentando com visual bizarro (ternos coloridos, gravatas de bolinha, cortes de cabelos estranhos, maquiagem) e uma musicalidade que misturava todas as suas influências em uma embalagem moderna, algo new wave, algo pop. O primeiro show foi em 28 de setembro de 1982, no SESC Pompeia. Mas o “Iê-Iê” foi logo abandonado.

Os shows nos clubes undergrounds de São Paulo foram gradativamente chamando a atenção e o grupo começou a ser assediado por gravadores e programas de TV, o que levou à saída de Ciro Pessoa, em 1983, que preferia continuar na vanguarda e fora dos holofotes. Os Titãs terminaram assinando um contrato com a gravadora WEA, em 1984, e lançaram seu primeiro álbum já naquele ano, que emplacou o sucesso Sonífera ilha, uma das canções de Pessoa.

Pessoa montou a banda Cabine C que ganhou notoriedade por ser uma das pioneiras do rock gótico no Brasil, e lançaram um único disco, Fósforos de Oxford, em 1986, mas o segundo disco foi abortado no meio das gravações por causa de conflitos com a gravadora RPM, da banda homônima.

O compositor teve outros projetos musicais, como Ciro Pessoa e seu Pessoal, Ciro Pessoa & o Ventilador, gravou dois discos solo (em 2003 e 2010) até a mais recente banda Flying Chair (que lançou quatro álbuns entre 2016 e 2018), ao mesmo tempo em que suas composições foram gravadas pela banda Ira!, de quem guardava amizade. Ele tem mais de 100 composições registradas no ECAD, diz o G1.

Pessoa também emplacou uma carreira como jornalista, a partir dos anos 1990, escrevendo para a Folha de São Paulo e, principalmente, para revistas mensais ou semanais da editora Abril, como Playboy, Superinteressante, VIP, Viagem & Turismo, dentre outras.

Ele tinha 62 anos.

Titãs: 30 anos de estrada.

Os Titãs se tornaram uma das bandas mais importantes da história do rock e, do octeto original, mantem-se hoje como um trio com Branco Mello, Tony Belloto e Sérgio Britto; enquanto Arnaldo Antunes saiu nos anos 1990 para se tornar um compositor cult; Nando Reis saiu nos anos 2000 para se tornar um dos cantores mais populares do Brasil.

Conheça a Discografia do Titãs nesse post especial do HQRock.