Morreu em Nashville, nos Estados Unidos, o cantor, pianista e compositor Little Richard, um dos grandes nomes do primeiro momento do rock, nos anos 1950.

A morte do músico foi confirmada por Danny Penniman, seu filho, à revista Rolling Stone. Richard estava doente há mais de uma década: ele se submeteu a uma cirurgia nos quadris, em 2009, e ficou bastante debilitado, precisando usar uma cadeira de rodas; e sofreu um ataque cardíaco durante um evento beneficente, em 2013; mas seu quadro de saúde piorou bastante a partir de 2016, quando sofreu um derrame. Ele viveu os últimos anos em uma grande cobertura no Hilton Hotel em Nashville.

Nascido em Macon, na Georgia, nos EUA, em 05 de dezembro de 1932, Richard Penniman Jr. cresceu em uma família extremamente religiosa, nas quais o avô e os tios eram pastores. Aprendeu música na Igreja, com os cantos gospel e o piano. Quando jovem, adotou a alcunha de Little Richard e passou a tocar uma versão frenética do R&B, marcado pelo piano boogie (herança do jazz) e os vocais agudos e gritados, uma adaptação mundana e exagerada do gospel. Essa combinação resultou no Rock and Roll.

As inovações de Richard não estavam descontextualizadas e vieram no mesmo momento em que outros músicos e compositores chegavam a um resultado similar por meio da combinação de elementos da música de raíz dos EUA, como country, blues, R&B e gospel, como era o caso de Chuck Berry, Fats Domino, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash e Elvis Presley.

Richard conseguiu um contrato com a grande gravadora RCA, mas não emplacou nenhum sucesso até trocá-la pela Speciality Records, com a qual conseguiu uma série impressionante de sucessos, a partir de 1955, como Tutti Frutti, Good holly miss Molly, Long tall Sally, dentre outras. Além de compor as próprias canções, o músico chamou a atenção por sua performance frenética, tocando em pé, gritando ao microfone, martelando os dedos no piano, botando seus pés em cima dele, e ainda usando roupas coloridas, espalhafatosas, cheias de brilho e usando maquiagem pesada e um cabelo muito alto, precursor do Black Power.

Apesar do sucesso, Penniman vivia o conflito interno causado pela dualidade antagônica entre sua vida desregrada de rock Star e sua forte herança religiosa. Por isso, em 1957, após ver o Sputnik (o primeiro satélite artificial criado pelo homem e lançado pela União Soviética) nos céus, interpretou isso como um sinal divino, abandonou a música comercial e passou a se dedicar à religião.

Se por um lado, o desvio à religião foi breve, serviu para encerrar a fase clássica do cantor, que nunca mais voltou às paradas de sucesso. Ele retomou a carreira em 1961, agora, num circuito menor, de clubes, e foi à Europa, onde acabou conhecendo os Beatles, ainda antes da fama, que abriram seus shows no Star Club de Hamburgo, na Alemanha.

A banda britânica de Liverpool já tinha várias canções de Little Richard em seu repertório e impressionaram o cantor. Quando os Beatles conseguiram o sucesso estrondoso nos EUA, em 1964, a banda retribui a influência gravando uma versão de Long tall Sally, que ajudou a colocar Richard de novo nos holofotes.

Longe das paradas, Richard manteve a carreira e alguns grandes músicos passaram por sua banda, como tecladista Billy Preston e o guitarrista Jimi Hendrix.

Little Richard tinha 87 anos e a causa da morte não foi revelada.