O escritor de quadrinhos Grant Morrison é um dos grandes nomes da mídia nos últimos 30 anos e esteve envolvido na produção de The Flash, o filme solo do velocista escarlate da DC Comics que iria dar continuidade ao personagem já visto em Liga da Justiça. Enquanto o futuro do longa parece sempre envolto em problemas, Morrison conversou com o Collider sobre o que era sua versão do filme.

Contextualizando, The Flash está em produção desde 2015 e já trocou de diretor quatro vezes desde então, com constantes conflitos de interesse e agendas entre a Warner Bros. e os cineastas. Em 2019, o contrato do ator Ezra Miller estava prestes a vencer e começaram correr notícias de que o estúdio ira dispensá-lo, no rescaldo das notícias de que Ben Affleck havia deixado de ser o Batman e Henry Cavill podia fazer o mesmo com o Superman. Então, Miller se uniu a Grant Morrison para produzir um roteiro que era, pretensamente, mais sombrio do que a versão cômica que a Warner estava desenvolvendo e criou uma situação do tipo “ou aceita meu roteiro ou eu vou embora”.

Grant Morrison.

No fim das contas, Miller continuou como Barry Allen e houve outra troca de diretores, mas a Warner não aproveitou o roteiro de Miller e Morrison. Falando sobre a série Brave New World, da qual é produtor e roteirista, Morrison finalmente falou sobre o trabalho em The Flash ao Collider:

Bom, quer dizer, Ezra Miller e eu escrevemos isso [o roteiro de The Flash] no ano passado, mas é aquele tipo de coisa… sabe o que quero dizer? Foi uma daquelas coisas que nós todos… Bem, eu acho que fizemos uma versão realmente boa de The Flash e escrevemos veloz como o Flash é, porque era algo de uma demanda muito urgente, e foi muito bom. E acho que, depois de alguns tratamentos, aquilo teria sido ótimo. Mas do modo como os estúdios trabalham, essas coisas apenas vem e vão. Acho que umas 15 pessoas diferentes já escreveram versões [do roteiro] de The Flash. Mas eles [Warner] estão seguindo adiante agora, mas não é a versão que nós fizemos. Eu me diverti. Ezra veio até minha casa e nós apenas tivemos uma grande ideia e criamos a história. E talvez um dia o roteiro irá vazar para o mundo.

Perguntado sobre como o filme seria, Morrison disse que seria mais como De Volta para o Futuro do que como um filme de super-heróis tradicional:

Era muito bom. Quero dizer, eu não sei o que eles estão fazendo com ele [o filme]. Mas era muito bom. E era uma coisa muito diferente dos super-heróis, era mais como De Volta para o Futuro, eu diria, do que como um filme de super-heróis.

De Volta para o Futuro foi um clássico dos anos 1980 e é referência até hoje de uma história de viagem no tempo interessante e divertida. O que não combina com os rumores de que a versão de Miller-Morrison era sombria. E o quadrinista confirma que não era:

Não, não era mesmo [sombrio]. Quer dizer, elementos sombrios estavam lá e o material que eles queriam que nós usássemos era a coisa de Flashpoint. Então, Ezra e eu, na verdade, tentamos fazer um coisa que era mais como… como eu digo, era mais como uma grande história de ficção científica. E se você não conhecesse [os quadrinhos], faria sentido para você. Mas eu tenho que dizer, assim, eu não quero falar sobre isso, porque alguém mais está fazendo o seu próprio trabalho nele e tenho certeza de que será ótimo. E talvez, como eu disse, isso vaze algum dia e as pessoas possam julgar o que acham.

É agora esperar o que os novos nomes por trás de The Flash irão produzir. O filme enfrenta outro desafio agora, além da pandemia de Covid-19… O ator Ezra Miller está no meio de uma delicada situação após um vídeo dele supostamente agredindo uma fã na saída de um bar durante suas férias na Islândia. Desde então, o ator não aparece mais nos holofotes e a Warner também não se pronunciou. O material de divulgação da versão de Zack Snyder para Liga da Justiça – que após anos de campanha dos fãs finalmente verá a luz do dia em 2021 no canal de streaming HBO Max – parece estar delicadamente evitando colocar o Flash em muito destaque.

Grant Morrison é escocês e despontou no mercado de quadrinhos nos anos 1980, primeiro na produção britânica, e depois, migrando para a DC Comics, onde realizou obras memoráveis, primeiro em títulos pouco conhecidos, como Homem-Animal e Patrulha do Destino, e depois, em grandes personagens da casa, como a graphic novel Batman: Asilo Arkham e sua longa e aclamada temporada em Liga da Justiça. Morrison também escreveu, mais recentemente, aclamadíssima temporada no Batman e histórias especiais, como Crise Final e All-Star Superman, eleita como a melhor história do homem de aço no novo século.