Segundo o The Direct, uma chamada de elenco aponta que a heroína Miss América terá um papel importante em Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura, segundo filme solo do mago supremo do Marvel Studios. America Chavez é a primeira heroína latina e LGBTQ+ da Marvel Comics.

A chamada de elenco pede por uma adolescente hispânica para um papel importante no filme. E o rumor da presença de America Chavez já era antigo e parece se confirmar. Além disso, a personagem vem de uma outra dimensão nos quadrinhos e isso casa perfeitamente com o que os fãs esperam da sequência de Doutor Estranho, por causa, obviamente, de seu título.

É rumorizado que Multiverso da Loucura também terá conexões com a série de TV WandaVision, já que a Feiticeira Escarlate pode manipular a realidade nas HQs, embora não seja (até agora pelo menos) capaz disso nos filmes do Marvel Studios.

Ademais, Miss América pode ser mais uma adesão aos Jovens Vingadores, equipe de heróis adolescentes aos quais parece que o Marvel Studios quer investir. Outros membros vêm aparecendo aqui e ali, como Miss Marvel, que deve ganhar uma série no Disney+, a Gaviã Arqueria Katie Bishop, que deve estrelar a série do Gavião Arqueiro e Estatura, a filha do Homem-Formiga.

A Miss América foi criada por Joe Casey e Nick Dragotta e estreou na minissérie Vingança 01, de 2011, e depois, apareceu na revista Young Avengers, em 2013, e na A-Force (uma versão feminina dos Vingadores), em 2015, ganhando uma revista solo, chamada apenas America, que foi publicada entre 2017 e 2018.

Na trama, America Chavez vivia na Utopia Paralela, uma outra dimensão na qual a sociedade vivia de forma idílica, mas o contanto com uma força mística que lhe deu incríveis super-poderes, como força, invulnerabilidade, supervelocidade, voo e a capacidade de abrir portais entre as dimensões, o que a trouxe até à realidade do Universo Marvel tradicional.

A personagem é baseada em outra Miss América (Madeline Joyce), que foi a primeira super-heroína da Marvel Comics. A personagem foi idealizada pelo editor Vince Fargo (que substituiu Stan Lee como editor-chefe da Marvel, então, chamada Timely Comics, quando Lee foi convocado para o Exército em meio à II Guerra Mundial, entre 1943 e 1946), que convidou a artista Pauline Loth, que trabalhava no ramo das animações, para criar seu visual e seu uniforme. O destaque do design criado por Loth era que a heroína estava totalmente coberta por suas roupas, em vez da famosa Mulher-Maravilha (da concorrente DC Comics), que vivia seminua. Mas as aventuras da Miss América foram escritas por Otto Binder (roteirista do Capitão Marvel/ Shazam da Fawcett Comics, e futuro escritor do Superman) e com desenhos de Al Gabrielle, um dos principais artistas do Capitão América.

A Miss América original era parte de um esforço consciente da Timely/Marvel em criar heroínas para atrair empatia do público feminino que lia as HQs, de modo que na mesma época surgiram a Fantasma Loura (1946), Namora (a prima de Namor, o príncipe submarino, em 1947), a Golden Girl (namorada e parceira no combate ao crime do Capitão América, em 1948), e mais algumas outras.

Miss América estreou na revista Marvel Mystery Comics 49, de novembro de 1943, e ganhou sua própria revista, Miss America, em 1944, que publicava histórias de outras personagens femininas – embora não super-heroínas, mas dentro do segmento de histórias românticas (além de contos e outros conteúdos jornalísticos). Miss América foi apenas a terceira super-heroína a ter um título próprio nos quadrinhos, depois da Mulher-Maravilha e de Sheena, a rainha da selva.

Miss América foi membro do primeiro grupo de super-heróis da Marvel, o Esquadrão Vitorioso, que teve apenas duas histórias publicadas, em 1946, e terminou deixando de ser publicada no fim dos anos 1940, apesar da revista com seu nome prosseguir até a década de 1950 com outros personagens.

Nos anos 1970, o escritor Roy Thomas resgatou a Miss América para a continuidade dos heróis da Marvel, fazendo-a interagir com os Vingadores e um contexto foi criado para que a heroína existisse nos tempos da II Guerra Mundial como membro dos Invasores, o grupo de heróis liderado pelo Capitão América no conflito e que, em termos cronológicos, antecedeu o Esquadrão Vitorioso.

Trazer a versão moderna da Miss America ao MCU é mais um passo decisivo de ampliação da diversidade no qual a Marvel aposta e é importante em termos de representatividade.