Só criticar não foi o suficiente. Depois de ir às redes sociais criticar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de usar na campanha à reeleição sua canção Fortunate son, gravada pelo Creedence Clearwater Revival em 1969, o cantor e guitarrista John Fogerty decidiu ir à Justiça para impedir que o representante do Partido Republicano use suas canções em seus eventos.

Num comunicado oficial sobre o processo, Fogerty escreveu (via Twitter):

Eu sou contrário que o presidente faça uso de minha canção Fortunate son de qualquer maneira em sua campanha. Ele está usando minhas palavras e minha voz para apresentar uma mensagem que eu não endosso. Por isso, estou processando-o por uma ordem de “cessar e desistir”.

A canção Fortunate son é uma das mais conhecidas do Creedence Clearwater Revival, banda que Fogerty liderou entre 1968 e 1972 e que foi um dos grupos de rock de maior sucesso em seu tempo. Na letra, o cantor faz uma crítica aos “filhos afortunados” que usavam de benefícios econômicos ou posições de prestígio para não serem alistados na Guerra do Vietnã, ao contrário dos jovens normais que, uma vez convocados, não tinham como recusar a ordem de servir no Exército, numa época em que existia esse tipo de serviço militar obrigatório em tempos de guerra nos EUA.

O próprio Fogerty fora convocado em 1965 e serviu por um ano no Exército, embora sem ir ao Vietnã. Ao que consta, Donald Trump foi convocado a servir cinco vezes e nunca foi ao Exército, pois usou sua fortuna para se livrar da obrigação.

É sobre isso que Fogerty continua a falar em sua mensagem:

Eu escrevi essa canção porque, como um veterano, estava desgostoso de ver que algumas pessoas conseguiam ser excluídas da ordem de servir ao país porque tinham acesso a privilégio político ou financeiro. Eu também escrevi sobre as pessoas ricas não pagarem corretamente seus impostos. O Sr. Trump é um exímio exemplo dessas duas questões. O fato do Sr. Trump também apreciar as chamas de ódio, racismo e medo enquanto reescreve a história recente é ainda motivo maior para que seja problemático fazer uso de minhas canções.

A revista Rolling Stone afirma ter tido acesso à mensagem de Fogerty e seus advogados à Justiça para abrir o caso e o texto cita que o uso das canções de Fogerty por Trump consiste em infringir a proteção de direitos autorais, competição injusta, falsa designação de origem e descrição falsa, violando as leis dos Estados Unidos.

As leis de direitos autorais dos EUA abrem um tipo de exceção para o uso público (que inclui campanhas políticas) de canções, deixando que uma obra possa ser usada e, caso o autor discorde, peça à não utilização. Fogerty já tinha feito isso, mas Trump não se deu ao trabalho de deixar de usar as músicas do Creedence Clearwater Revival, às quais são, em sua maioria, de autoria do próprio Fogerty.

Como lembra a Rolling Stone, Fogerty é apenas mais um em uma longa fila de artistas que não quer que Trump use suas canções na campanha, dentre os quais os Rolling Stones, Neil Young, Elton John, Aerosmith, Phil Collins, Guns’n’Roses e muitos mais.