Na semana em que completaria 80 anos de idade caso fosse vivo, o ex-membro dos Beatles, John Lennon, conseguiu mais um marco em sua carreira: uma nova coletânea com canções remixadas chegou ao 3º lugar das paradas oficiais do Reino Unido já na semana de seu lançamento.

A Official Charts já tinha atentado à possibilidade no início da semana, publicando que a disputa pelo primeiro lugar das paradas daquela semana (que são divulgadas a cada sexta-feira) estavam em uma acirrada disputa entre três nomes: John Lennon, a banda indie Travis e o novato Headie One, com uma diferença de pouco mais de 300 unidades entre eles na terça-feira. Já há algum tempo, a Official Charts contabiliza não somente a venda de discos físicos, mas também serviços de download e streamings de plataformas como AppleStore, Spotify, Deezer e YouTube. A situação era tão inusitada – uma lenda do rock, um novato e uma banda alternativa consolidada há décadas disputando venda a venda o 1º lugar que até a revista Billboard, que faz as paradas dos Estados Unidos, também noticiou o feito.

Os números de sexta-feira divulgados pela Official Charts, então, revelaram o vencedor da rodada: Headie One ficou no primeiro lugar com o álbum Edna; o D-Block Europe furou a fila e ficou no segundo lugar com o álbum The Blue Print – Us vs Them; e John Lennon ficou com o terceiro lugar, com a coletânea Gimme Some Truth. Todos os três discos são lançamentos e já estrearam nas paradas nessas posições, um feito e tanto para todos.

A lista segue com Pop Smoke (Shoot for the Stars Aim for the Moon) no quarto lugar (subindo em relação à semana anterior, quando esteve na sexta posição); o Travis (10 Songs) na 5ª posição, também estreando o disco na parada; o primeiro lugar da semana passada, o Queen (Queen & Adam Lambert: Live Around the World) caiu para o 6º lugar em sua segunda semana no ranking; em 7º Lewis Capaldi (Divinely Uninspired to a Hellish Extent), que está há 74 semanas na parada e já foi o número 1 tempos atrás, manteve a posição da semana anterior; em 8º Amanda Holden (Songs from my Heart); em 9º o box set da banda Dire Straits (The Studio Albums 1978-1991) também estreando; e em 10º o Fleetwood Mac (50 Years – Don’t Stop), com sua coletânea.

Com a ausência de novidades no campo do rock, pouca representatividade do pop e mais, as paradas britânicas hoje alternam lançamentos e discos consagrados em seus primeiros lugares. Por exemplo os casos já exibidos no Top10, mas também: na semana passada, o 3º lugar (a posição garantida pela estreia de Lennon) estava com o álbum mais apreciado da banda Oasis, o (What’s the Story) Morning Glory, de 1996.

A última vez que um álbum de John Lennon chegou ao 1º lugar das paradas foi em 1982, com a coletânea The John Lennon Collection. Outras coletâneas do músico também foram bem nas paradas, como Lennon Legend: The Very Best of (1997) chegou ao 4º lugar; Working Class Hero – The Definitive (2008) atingiu o 11º lugar; e Power to the People: The Hits (2010) chegou ao 15º.

Lennon morreu em 1980 e seu último álbum lançado em vida, Double Fantasy (1980) foi o último de seus discos “de linha” a chegar ao número 1 das paradas.

No campo dos singles, o último número 1 de Lennon foi Woman, em 1981, mas a morte do cantor tem que ser contabilizada na ausência de lançamentos ou canções novas.

Vamos observar se a coletânea de Lennon, Gimme Some Truth, consegue manter posições altas nas paradas nas próximas semanas ou vai cair para números mais baixos. Há alguma chance de se manter, afinal, em 2020 também se celebram os 40 anos da morte do músico, o que pode render suficiente atenção para que o disco venda um pouco mais.

Mas não deixa de ser impressionante que Lennon ainda consiga chegar ao 3º lugar das paradas, quase indo ao número 1, com um disquinho de seus “maiores sucessos” remixados, sem nenhuma novidade verdadeira e sem canções novas, como um disco ao vivo ou coisa do tipo. E a atenção midiática que seus 80 anos atingiram é notável.

Gimme Some Truth traz as faixas mais conhecidas da carreira solo de Lennon entre 1969 (começando ainda antes do fim dos Beatles em 1970) e sua morte, em 1980, mais uma ou outra canção póstuma (ele estava gravando um disco novo quando morreu e deixou algum material). As canções foram remixadas do zero por sua viúva, Yoko Ono, o filho do casal, o também músico Sean Lennon, e o produtor Paul Hicks, que já trabalhou em remasterizações dos Beatles. As novas versões das canções procuram manter o arranjo original, mas se beneficiam da tecnologia para dar mais ênfase a alguns instrumentos, mais brilho e qualidade de som e também reposicionam a voz de Lennon para que tenha mais destaque no mix.

John Lennon nasceu em Liverpool na Inglaterra, em 09 de outubro de 1940, e fundou a banda que daria origem aos Beatles aos 15 anos de idade. Os Beatles lançaram seu primeiro disco em 1962 e se tornaram um fenômeno cultural mundial, sendo a banda de maior sucesso e a mais influente do século XX (e além), pautado especialmente nas composições da dupla John Lennon & Paul McCartney. O grupo se separou em 1970 e Lennon seguiu uma carreira solo notável, conseguindo sucessos como Mother, Instant karma, Imagine, Mind games e Woman.

Lennon foi assassinado por um fã com distúrbios mentais na entrada do edifício em que morava, em Nova York, nos EUA, em 08 de dezembro de 1980, poucas semanas após lançar o álbum Double Fantasy.