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Vespa e Homem-Formiga no cinema.

O cinema cumpriu a magia de tornar famosos personagens como o Homem-Formiga e a Vespa, importantes membros dos Vingadores nos quadrinhos, mas que são heróis basicamente desconhecidos do grande público. Mais um motivo para apresentarmos um especial sobre esses dois personagens e suas variações. Então, se você não é um ávido fã de quadrinhos, mas quer saber sobre os diminutos heróis; ou é um leitor de HQs mas não sabe ou quer lembrar as aventuras da dupla/casal, este é o seu lugar! Por isso, encolha de tamanho, monte em uma formiga e siga a aventura dos mais diminutos (e às vezes nem tanto) heróis da Marvel Comics.

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Em primeiro lugar, é preciso dizer que quando falamos de Homem-Formiga, estamos falando de vários personagens ao mesmo tempo. Isso porque, apesar do cientista Hank Pym ter sido o primeiro a usar tal identidade, pelo menos outros dois heróis assumiram este nome depois: Scott Lang (que é aquele usado nos filmes do Marvel Studios) e Eric O’Grady.

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Hank Pym e suas identidades heroicas: Homem-Formiga, Gigante, Golias e Jaqueta Amarela.

Além disso, Hank Pym surgiu nos quadrinhos como o Homem-Formiga, mas em seguida, usou outros uniformes e codinomes: Gigante, Golias e Jaqueta Amarela. Nos dois primeiros, ele inverteu seus poderes (crescendo de tamanho em vez de diminuir) e no último voltou a somente diminuir.

Essas identidades também deixaram herdeiros: houve outros dois heróis chamados Golias e um vilão; e uma vilã também usou o nome Jaqueta Amarela, depois passado a um homem.

Mais detalhes adiante!

Claro, este Dossiê também dá atenção a Janet Van Dyne, a Vespa, que foi uma das primeiras heroínas da Marvel. Apesar de uma abordagem relativamente equivocada em seus primeiros anos nos quadrinhos, com o passar do tempo, os escritores souberam desenvolvê-la melhor, ao ponto dela ser uma das membras mais constantes dos Vingadores e foi a líder do grupo em uma marcante temporada nos anos 1980.

Então, pegue seu pacote de Partículas Pym e diminua ou cresça de tamanho e conheça as histórias de Hank Pym e Janet Van Dyne e o legado deles.

Fundadores dos Vingadores

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Homem-Formiga.

Muitos fãs de cinema não sabem, mas o Homem-Formiga/ Hank Pym e a Vespa são fundadores dos Vingadores nos quadrinhos, sendo a heroína quem batiza o grupo e ao longo do tempo se tornou uma das membros mais importantes e constantes da equipe, chegando a liderá-lo em várias ocasiões.

O cinema tomou outro rumo, optando por envelhecer Pym e Janet Van Dyne, deixando-os como heróis do passado, enquanto Scott Lang e a filha daquele casal, Hope Van Dyne, se tornam a dupla de heróis do presente que interagem com os Vingadores. Mas vamos conhecer como é sua trajetória nos quadrinhos!

Pequenos heróis

O Homem-Formiga foi criado por Stan Lee, Larry Lieber e Jack Kirby, e estreou na revista Tales of Astonish 27, de janeiro de 1962, mas não foi criado como um super-herói.

Stan Lee e Jack Kirby em 1966.

Explicamos! A Marvel Comics nasceu com o nome Timely Comics em 1939 e fez bastante sucesso na Era de Ouro dos quadrinhos (fim da década de 1930 até a metade dos anos 1950) com heróis como Tocha Humana, Namor, o príncipe submarino e, claro, o Capitão América; mas o mercado de HQs de super-heróis implodiu após o fim da II Guerra Mundial e a editora passou por maus bocados. Por volta de 1954, a situação estava tão complicada que o editor-chefe Stan Lee foi obrigado a demitir todos os funcionários da empresa e contratar artistas apenas pelo sistema de free-lancer, pago por serviço.

Numa busca de se reinventar, a Timely mudou de nome para Atlas Comics e passou a publicar histórias de faroeste, terror e ficção científica. Foi daí que em 1959 surgiram revistas como Tales os Suspense e Tales of Astonish, que traziam pequenas histórias de 8 ou 10 páginas de personagens não-fixos, trazendo aventuras naquelas temáticas, escritas por Lee, seu irmão Larry Lieber, mais alguns escritores ocasionais; e desenhada por nomes como Jack Kirby, Steve Ditko e Don Heck.

O Quarteto Fantástico na arte de Jack Kirby.

Mas quando a concorrente DC Comics estourou nas vendas com a criação da Liga da Justiça, reunindo seus heróis recém-formulados, em 1961, o dono da Timely/ Atlas, Martin Goodman, mandou Stan Lee criar uma nova leva de heróis. A primeira empreitada foi o Quarteto Fantástico (que fez ao lado de Jack Kirby), inaugurando o novo nome da editora: Marvel Comics, e foi um grande sucesso. Então, rapidamente, Lee e seus artistas colaboradores passaram a criar vários novos heróis que resultariam no Universo Marvel que conhecemos.

Porém, algumas criações da fase de transição entre Atlas e Marvel terminaram incorporados ao novo universo de heróis criado por Lee. Por isso, é interessante pensar que personagens como o Homem de Ferro, Thor e Hulk não foram criados exatamente como super-heróis (todos chegaram às bancas em 1962 e 1963), mas como parte dos contos de suspense e ficção científica, mas foram rapidamente repaginados (já na sua segunda ou terceira aparição) como super-heróis.

Este também foi o caso do Homem-Formiga.

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Capa de Tales of Astonish 27, com a primeira história de Hank Pym.

Quando Hank Pym apareceu pela primeira vez, na Tales of Astonish 27, com premissa de Stan Lee, roteiro de Larry Lieber e arte de Jack Kirby, não tinha nome heroico nem uniforme. Era apenas o cientista que criava dois fantásticos soros (um para encolher outro para crescer) e se metia em uma enrascada. Mas segundo contou Stan Lee em uma entrevista anos depois, aquela história – The Man in the Ant-Hill fez tanto sucesso que ele decidiu transformá-lo em um herói.

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Assim, TA 27 traz uma trama mais de ficção científica do que qualquer outra coisa, num evento prosaico. Na história, Hank Pym acabou de terminar seu trabalho nos dois soros depois de meses sendo desacreditado pela comunidade científica. Ele testa o soro em uma cadeira e dá certo. Tão confiante estava, testou em si mesmo e encolheu, mas percebeu que deixou o soro do crescimento em cima da janela! Daí, Pym termina caindo dentro de um formigueiro, é atacado por uma formiga e ajudado por outra, mas consegue tomar o outro soro; destruindo sua criação no final, por a achar muito perigosa.

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O pano de fundo da criação da história mostra que Stan Lee desenvolveu seu “método Marvel” de criação: o escritor e editor criou apenas a premissa básica, sem detalhes da trama, e a passou ao desenhista Jack Kirby que criou a história “muda” a partir dessas informações, com por fim, Larry Lieber (que também era desenhista) escrevendo os diálogos e estruturando o roteiro. Lee trabalhava assim porque a Marvel ainda era uma empresa pequena e ele meio que escrevia todas (ou quase todas) as revistas, o que tornava humanamente impossível desenvolver roteiros completos e detalhados.

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Primeira aparição do Homem-Formiga propriamente dito, em Tales of Astonish 35.

Foram precisos 8 meses para o personagem aparecer de novo. Dessa vez, Hank Pym já começa a ganhar seu contorno heroico: Tales of Astonish 35, de setembro de 1962, de novo por Lee, Lieber e Kirby, mostra o cientista tendo desistido de esquecer sua criação, e voltando a desenvolvê-la, agora, criando um capacete com antenas para se comunicar eletronicamente com as formigas e com um vistoso uniforme que o protegeria de golpes e picadas. Dessa vez, porém, Pym é contratado pelo Governo dos EUA para desenvolver um gás que cure as pessoas da radiação, mas espiões russos – eram tempos de Guerra Fria entre EUA e União Soviética – o atacam para roubar o experimento, no que Pym decide usar seu uniforme de Homem-Formiga para escapar, arrebatar um exército de formigas e conseguir dar cabo dos bandidos. No processo, o cientista descobre que, por alguma razão, mantém sua força normal quando está em tamanho reduzido, o que, na prática, lhe dá “super-força” nesse estado.

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Dali em diante, Tales of Astonish seria a casa do Homem-Formiga, que aparecia na maior parte das capas, porém, continuava a ser uma publicação do tipo antologia, e trazia outras três histórias genéricas, prosseguindo nos temas de ficção científica e terror.

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As aventuras do Homem-Formiga prosseguiram nas edições seguintes, com destaque à TA 38 que trouxe o vilão que se tornaria o arqui-inimigo de Pym: o brilhante e maligno cientista Elihas Starr ou Egghead (às vezes, chamado no Brasil de Cabeça de Ovo). As tramas, inicialmente, estavam muito presas à Guerra Fria, um tema que interessava mais a Lieber do que a Lee, propriamente, já que aquele também dava essa mesma direção nas tramas do Homem de Ferro que também escrevia. Mas a edição 41 já tem o herói viajando a uma outra dimensão. Este número também marca a primeira aventura do personagem desenhada por Don Heck, que também faria as histórias do Homem de Ferro em breve, já que Jack Kirby estava ocupado demais fazendo outras revistas (Quarteto Fantástico, Thor, Hulk), mas continuou fazendo as capas de TA por muito tempo.

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As edições 42 e 43 mencionam que a cidade em que se passam as aventuras do Homem-Formiga é Center City, nome que não seria mais usado e o número 44 já a menciona normalmente como Manhattan, parte da cidade de Nova York. Isto deve ter sido um lapso de Larry Lieber, pois Stan Lee não costumava criar cidades fictícias para seus heróis, normalmente, situando suas aventuras em NYC mesmo; ao contrário da Distinta Concorrente, que sempre criava cidades fictícias. Outro ponto interessante sobre os números 42 e 43 é que foi a primeira vez que uma história começou em uma revista e não terminou, passando à seguinte por meio de uma sequência direta. A trama também informa que, apesar de ter suas aventuras em NYC, Hank Pym mora em uma residência de subúrbio na vizinha Nova Jersey.

A Chegada da Vespa

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A história mais importante do Homem-Formiga nessa primeiríssima fase foi, claro, a estreia da Vespa. Tales of Astonish 44, de junho de 1963, já lançada já em meio à franca ampliação da Marvel Comics e chamou a atenção dos leitores com a primeira grande heroína da editora. A ocasião especial foi brindada com duas histórias seguidas na mesma revista. A trama também é fundamental porque apresenta a real origem de Hank Pym pela primeira vez.

Tendo Jack Kirby de volta aos desenhos, com trama geral de Stan Lee e roteiro de Ernie Hart (que assinou com o pseudônimo de H.E. Hutley), TA 44 mostra que Hank Pym já fora casado, com Maria Trovaya Pym, uma húngara que havia sido presa política em seu país natal, que vivia sob o regime soviético na época. O casal Pym foi à Hungria na lua de mel, mas dado ao passado dela, foram atacados pelas forças locais e a moça foi morta. Um dos tios da menina tinha o lema “Go to the ants, thou sluggard!”, um provérbio bíblico que significa “observe e aprenda”, e isso inspira Pym a buscar a pesquisa de sobre as formigas e o encolhimento, que o levaram a se tornar o Homem-Formiga. Embora para vários fins, isso seja um tipo de retcon, pois nada disso havia sido mencionado nas aventuras anteriores do personagem, essa passa a ser a origem oficial do herói.

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Depois, Pym recebe a visita do cientista Vernon Van Dyne e sua filha adolescente Janet. O cientista quer convencê-lo a ajudá-lo em uma pesquisa com raios gama para se comunicar com outras galáxias, mas a área de especialização de Pym é a Biologia (e não a Astrofísica). Ao fazer seu experimento sozinho, Vernon termina teleportando um monstro alienígena do planeta Kosmos e morre de um ataque cardíaco ao vê-lo, com a criatura escapando e causando muita destruição.

Sabendo do ocorrido por meio de suas formigas, Hank Pym vai prestar auxílio a Janet sob a forma de Homem-Formiga e revela para ela sua identidade secreta. Com a menina disposta a ajudá-lo para se vingar de seu pai – e abalado pela semelhança da moça com sua falecida esposa – Pym a transforma na Vespa, implantando biotecnologicamente uma antena e um par de asas nela, de modo que quando ela encolhe de tamanho, pode voar e quase naturalmente se comunicar com as formigas. (Mais tarde, ela ganharia um tipo de disparador de rajadas, chamado de O Ferrão da Vespa).

A dupla Homem-Formiga e Vespa faz sua estreia e consegue derrotar o monstro.

O curioso dessa história é que a parte do cientista que teletransporta acidentalmente um alienígena e, literalmente, morre de medo ao vê-lo, foi copiado descaradamente da história do Caçador de Marte, herói da DC Comics, que fora publicada em uma história secundária de Detective Comics 225 (uma das revistas do Batman), por Jack Miller e Joe Certa, em 1955.

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A aventura também estabelece o “bromance” entre Hank e Janet no seguinte parâmetro: ele gosta dela, pois a lembra de sua ex-esposa, porém, a vê como uma menina de temperamento volátil, sem dar-lhe muito crédito; enquanto ela é apaixonada por ele e quer “se provar”, mostrar que é uma mulher, não uma menina. Era uma forma de Stan Lee apostar nas leitoras jovens da Marvel de modo que se identificassem com uma personagem que era vista pelos outros como “uma criança” e queria mostrar ser muito mais, o que não é tão distante da abordagem de Peter Parker; embora, é verdade, sem os problemas de grana, pois as aventuras seguintes iriam estabelecer Janet Van Dyne como uma menina rica, uma socialite.

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A partir de então, Homem-Formiga e Vespa seriam uma dupla inseparável e já são postos à prova contra o Egghead em Tales of Astonish 45, ainda por Lee e Hartie, mas com Don Heck de volta à arte (Kirby voltou só para a estreia da Vespa mesmo); seguindo contra um gigante ciclope (que era um robô) durante uma viagem de férias na edição 46; combatendo Liso Trago, um músico indiano que toca jazz e usa a música para hipnotizar as pessoas, na edição 47; e lutando contra o Porco Espinho, um vilão que faria várias aparições posteriores em outras revistas (como dos X-Men e Demolidor) no número 48, naquela que é a última aventura completa de Hank Pym como o Homem-Formiga naquela primeira fase.

Mas antes de aprofundarmos esse detalhe, precisamos falar da formação de um grupo…

A Fundação dos Vingadores

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Capa de Avengers 01 por Jack Kirby.

Como já escrevemos, a inspiração para a criação dos novos heróis que criaram o Universo Marvel por Stan Lee e seus colaboradores (Jack Kirby, Steve Ditko e Don Heck, especialmente) foi a Liga da Justiça da DC Comics, que reuniu os principais heróis daquela editora. Em 1961, a Marvel não tinha herói nenhum para reunir, então, criou os seus. Mas a coisa era diferente dois anos depois: agora, existia um pequeno leque de personagens que poderiam ser reunidos em um time. E, claro, foi o que Lee fez.

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The Avengers 01 foi criada por Stan Lee e Jack Kirby e chegou às bancas com data de setembro de 1963, como uma publicação bimestral (como eram os novos títulos da Marvel, que era uma empresa pequena e fazia revesamento de lançamentos) e reunindo Homem-Formiga, Vespa, Homem de Ferro, Thor e Hulk na mesma aventura! Na trama, Loki (meio-irmão de Thor e o deus da trapaça) consegue escapar de sua prisão mágica e decide lançar mais um plano de vingança, usando o Hulk – que é perseguido pelas autoridades – para difamá-lo e fazer Thor se lançar contra ele. Uma equipe de adolescentes que seguia as aventuras do golias verde (e do Quarteto Fantástico, também), chamada Legião Jovem, manda uma mensagem de socorro via rádio (eram os anos 1960!) para o Quarteto, porém, Loki desvia o sinal para que seu irmão escute. Dá certo e lá vai o deus do trovão atrás do gigante esmeralda.

Porém, a mensagem também é escutada pelo Homem de Ferro e por Homem-Formiga e Vespa e todos terminam no mesmo local, confrontando o Hulk. Mas Thor percebe que isto deve ser uma armação de Loki e encontra seu irmão e o leva ao campo de batalha, terminando com os cinco heróis se unindo para derrotá-lo. Após a vitória, o Homem-Formiga sugere que eles permaneçam juntos para combater o mal e a Vespa sugere o nome do time: Os Vingadores. Era o início da lenda.

De formiga a gigante

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Apesar do Homem-Formiga ser um herói famoso nos dias de hoje, e Hank Pym estar ligado a ele, na verdade, a carreira de Pym como o herói diminuto é curtíssima, se resumindo (originalmente) ao ano entre setembro de 1962 e outubro de 1963. Isso porque este último mês já trouxe o cientista abandonando o nome e uniforme do Homem-Formiga e se tornando o Gigante (ou Giant-Man, no original), num uniforme que, é bem verdade, era apenas uma variação do anterior, mantendo o esquema de cores, simplificando as antenas como as da Vespa e adotando uma máscara de tecido em vez do capacete.

A estreia do Gigante se dá em Tales of Astonish 49, de novembro de 1963, com texto de Stan Lee (sem Larry Lieber, dessa vez) e com arte de Jack Kirby, que parecia realmente aparecer somente nas edições importantes. Don Heck faz a arte-final (finalização em nanquim), mas assumiu a capa da revista. Na trama, Hank Pym destrói a própria casa ao testar sua nova pílula de crescimento, que o faz crescer até os 12 pés (3,6 metros) de altura! Ao mesmo tempo, a polícia persegue um alienígena que é capaz de “apagar” as pessoas e, por isso, é chamado de O Apagador Vivo.

Após o vilão revelar que está atrás de cientistas nucleares, ele ataca Hank Pym em trajes civis em sua casa, mas a Vespa está diminuta em sua mão, e os dois são apagados: na verdade, teletransportados para um planeta que fica em um outro universo, paralelo ao nosso; e o objetivo é roubar a tecnologia de explosão nuclear que os terráqueos desenvolveram. Mas claro, o Gigante e a Vespa são capazes de libertar os cientistas sequestrados e levá-los de volta para casa.

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A Publicação de TA 49 se deu ao mesmo tempo em que Avengers 02, que já trazia Hank Pym como Gigante e numa trama que, curiosamente, guarda semelhanças àquela: os Vingadores combatem o Fantasma do Espaço, um alienígena que troca de lugar com as pessoas, enviando-as para um tipo de limbo, enquanto assume a forma delas no lugar. Não é uma aventura memorável, mas serviu para estabelecer vários aspectos da nova equipe (que Tony Stark – que na época os heróis ainda não sabiam que era também o Homem de Ferro – financiava a equipe e cedeu um casarão na 5ª Avenida como QG para eles, a Mansão dos Vingadores; que o mordomo Erwin Jarvis é o auxiliar deles e cuida da casa; que eles não têm um líder fixo, mas é feito um revezamento) e termina com o Hulk decidindo sair do grupo, por se sentir incompreendido e temido pelos outros.

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Human Top, primeiro vilão principal.

A transformação de Pym no Gigante parece ter empolgado mais Stan Lee e a dupla de heróis (agora mais dinâmica, com um crescendo e outro diminuindo) ganhou uma boa (embora curta) fase de aventuras, começando com a estreia do Human Top em TA 50 e 51, que foi o segundo vilão a ser recorrente nas aventuras do herói e, nesta fase, seu principal oponente. David Cannon, que em 1967 adotaria outro nome, Tufão, é um mutante capaz de se mover a altíssimas velocidades e girar como um peão.

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TA 52 trouxe a estreia do Cavaleiro Negro, um importante vilão da época e que seria a última aventura de Gigante e Vespa pelas mãos do desenhista Jack Kirby, que continuava a fazer as capas da revista.

Em Tales of Astonish 53, o Porco Espinho também retornou e na edição 54 a dupla vai à pedido do Governo dos EUA à Republica de San Rico combater o novo presidente eleito, El Toro, que havia sido financiado pelos comunistas para ganhar a eleição. O Human Top retorna na edição 55; a dupla combate O Mágico na 56 e o Egghead consegue lançar os heróis contra o Homem-Aranha em TA 57, mantendo a tradição de Stan Lee de sempre fazer os heróis da Marvel saírem na porrada por causa de algum mau entendido.

A dupla de insetos combate o Homem-Aranha. Arte de Dick Ayer.

Com a saída de Kirby, Dick Ayer se torna o desenhista oficial das aventuras do duo e fez a arte nessas revistas citadas, à exceção da 54, cujo o clima de Guerra Fria foi entregue às mãos de Don Heck, que tinha experiência nesse tema pelas aventuras do Homem de Ferro.

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Tales of Suspense 58 trouxe uma interessante história – novamente em um lugar “exótico” – quando Gigante e Vespa pegam um jato dos Vingadores e vão até a (fictícia) nação africana de Bora-Boru combater o Colossos, um gigante (de 30 pés/ 9,1 metros!) que se revela ser um alienígena. Embora quase derrotados, a dupla consegue vencer por astúcia e o povo africano, em reconhecimento, constrói uma estátua do duo em sua homenagem.

A Vespa ganha aventuras solo.

Outra coisa interessante dessa época é que Stan Lee teve a curiosa ideia de usar a Vespa como narradora das outras aventuras genéricas que continuavam a ser publicadas em Tales of Astonish, começando no número 51. Na edição 57, a Vespa ganha sua primeira aventura solo, numa história secundária da revista, combatendo um ladrão de joias; com plot de Stan Lee e roteiro e arte de Larry Lieber, fazendo a Vespa ser a primeira heroína da Marvel a ter aventuras solo, antecipando nomes futuros, como Viúva Negra e Miss Marvel.

No número 58 combate sozinha o Mágico (que tinha aparecido na história principal da edição 56). Neste conto, inclusive, Hank Pym aparece dando “ordens” expressas de que Janet não saia de casa com o bandido à solta, mas ela desobedece e vence, depois chegando na casa de Pym, com ares cínicos se jogando nos braços dele e dizendo que não sabe fazer nada sem ele, que não sabe ainda do feito. Era uma maneira de empoderar mais a heroína, apesar da abordagem “casamenteira” que era lhe dada, sempre querendo conquistar o coração de Pym, que reluta em assumi-la. Uma abordagem no mínimo curiosa, tendo em vista que na maior parte das aventuras ela parece simplesmente morar na mesma casa que ele

Dupla de Vingadores

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Os Vingadores são um time famoso por mudar de formação constantemente. O time original durou apenas duas edições, com o Hulk indo embora e se voltando contra os heróis. Mas seu lugar seria ocupado pelo Capitão América, em Avengers 04, de 1964, numa história que revela que o herói da II Guerra Mundial fora dado como morto em 1945 e passou as décadas seguintes congelado em animação suspensa e foi reencontrado pela equipe, sem ter envelhecido um único dia desde então.

A formação com Gigante, Vespa, Homem de Ferro, Thor e Capitão América durou 12 edições, confrontando desafios como os Mestres do Terror (um super-grupo de vilões liderado pelo Barão Zemo e que trazia o Cavaleiro Negro) nas edições 06, 07, 09 e 15; e Kang, o conquistador (números 08 e 12); dentre outros.

Em Avengers 16, os membros originais do grupo decidem sair, deixando o Capitão América para liderar uma nova formação ao lado de Gavião Arqueiro, Feiticeira Escarlate e Mercúrio.

Nova Fase da Revista

Em 1964, a Marvel ainda era uma empresa pequena e fazia revezamento de lançamentos. Por isso, quando o Homem-Aranha fez muito sucesso em sua primeira história, publicada em Amazing Fantasy 15, de 1962, Stan Lee decidiu cancelar a revista The Incredible Hulk em seu sexto número e substituí-la por The Amazing Spider-Man, em março de 1963.

Com isso, o Hulk ficou sem revista e começou a fazer aparições especiais, como em Fantastic Four 12, na qual luta contra o Coisa e o Quarteto Fantástico. O golias verde ganhou uma casa com o lançamento de Avengers 01, mas como deixou a equipe na segunda edição e apareceu como um oponente nos números 03 e 05 e de novo em Fantastic Four 24 e 25. Por fim, o monstro lutou contra o Homem-Aranha em Amazing Spider-Man 14, de 1964, antes de ganhar suas novas aventuras solo justamente em Tales of Astonish.

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Por isso, Tales of Astonish 59, de setembro de 1964, é uma revista especial, na qual pela primeira vez toda a edição é preenchida por Gigante e Vespa numa aventura contra o Hulk. Na trama, vendo que seu ex-companheiro de Vingadores está causando problemas no meio-oeste, Hank e Janet pegam um jato do time e oferecem seus préstimos ao General Ross para deter o Hulk e a briga ainda é atrapalhada pelo Human Top.

Assim, a partir de TA 60, a revista passa a ser dividida em apenas duas histórias: a primeira dedicada à dupla Gigante e Vespa e a segunda ao Hulk.

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O segundo uniforme do Gigante na edição 65.

As aventuras da dupla, porém, à esta altura já perdiam totalmente o fôlego, e iam gradativamente se tornando atrações secundárias dentro da crescente Marvel, agora, já abrilhantada por histórias de Vingadores, Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Hulk, Demolidor, Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Nick Fury, Doutor Estranho, X-Men etc.

Isso se reflete no caso de, apesar do fato de Stan Lee continuar a assinar as aventuras, elas passaram ao time de artistas do segundo escalão da editora (não em qualidade, mas em importância). Dick Ayer terminou sua temporada com os heróis na edição 61; e na seguinte, assumiu Carl Burgos, artista da Era de Ouro que criara o Tocha Humana original, em 1939. Burgos desenhou três números; e o lápis passou a Bob Powell na edição 65, em 1965. Nesta última, o Gigante ganha um novo uniforme, mais exagerado e feio do que o original. Reflexo da desimportância da dupla é que as capas de TA, antes divididas ao meio entre eles e o Hulk começam a deixar o monstro verde cada vez mais em destaque com o passar das edições.

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Última edição de Tales of Astonish com histórias de Gigante e Vespa.

Por isso, as aventuras solo da dupla se encerram em Tales of Astonish 68 e 69, de junho e julho de 1965, com desenhos de Powell e roteiro de Al Hartley na última edição (e colaboração de Jack Kirby nos desenhos da despedida). As duas histórias trazem mais um confronto com o Human Top ao mesmo tempo em que Hank Pym consegue crescer até 100 pés (30 metros), mas fica muito mal com isso, e confessa a Janet que seu constante crescimento está afetando sua saúde, determinando a si mesmo um limite para seu crescimento: 35 pés (10,6 metros). a aventura também revela que Pym não consegue mais encolher ao tamanho do Homem-Formiga, artifício que usava casualmente.

O lugar de Gigante e Vespa em Tales of Astonish seria ocupado por Namor, o príncipe submarino a partir da edição 70. Namor e Hulk seriam os protagonistas da publicação até o fim da revista, na edição 102, em 1968, quando ela trocou de nome para The Incredible Hulk (vol. 2).

Como Hank e Janet tinham se afastado dos Vingadores em Avengers 16, recém publicada, a dupla Gigante e Vespa ficaria um período de tempo “aposentada” de suas atividades heroicas. O duo só reapareceu para uma participação especial na aventura de Namor, na mesma Tales of Astonish, números 77 e 78, de 1966. Mas demoraria cerca de um ano para retornarem como personagens regulares nas revistas da Marvel.

De volta aos Vingadores (como Golias)

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Enquanto a “quadrilha do capitão” exercia seu tempo nos Vingadores (Capitão América, Gavião Arqueiro, Feiticeira Escarlate e Mercúrio) por 10 números, gradualmente, houve um retorno de Hank Pym e Janet Van Dyne ao time, sendo os primeiros membros originais a recorrerem novamente.

Em Avengers 26, de 1966, por Stan Lee e Don Heck, enquanto fazem uma pesquisa no fundo do oceano, Hank Pym e Janet Van Dyne vêem os Atlantes se dirigindo ao ataque e a Vespa vai avisar os Vingadores, em sua primeira atuação com a equipe desde sua saída dez números antes, numa batalha contra Attuma e os Atlantes que conta com a participação do vilão Besouro (que combateu o Demolidor).

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Finalmente, Avengers 28 traz Hank Pym de volta à equipe, agora com um novo (e mais bonito) uniforme (trocando a cor vermelha desde sempre para o azul com amarelo, formando um conjunto harmônico) e trocando a alcunha de Gigante por Golias. Tipicamente Marvel, o Gavião Arqueiro desde logo se mostra arredio à figura de Pym e o roteiro também explora as dificuldades do cientista em voltar a usar seus poderes. Quando o Capitão América diz a Pym que ele é um Golias de verdade, o cientista decide passar a usar essa alcunha em vez de Gigante. Pym também revela que não precisa mais usar pílulas ou gás para crescer de tamanho, pois seu organismo já absorveu tal capacidade. Ao mesmo tempo, Lee continua a explorar de leve o fato de que o crescimento prejudica sua saúde.

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Em Avengers 29, Viúva Negra (que tinha se arrependido de seus crimes nas aventuras do Homem de Ferro e era a namorada do Gavião Arqueiro) sofre uma lavagem cerebral do Regime Soviético e volta a ser uma vilã, recrutando o Espadachim e o Poderoso para atacarem os Vingadores. Contudo, em meio à batalha, Natasha Romanoff se lembra de sua paixão e termina recobrando a consciência. A partir de então, a Viúva Negra passaria os números imediatamente seguintes da revista como uma personagem coadjuvante, embora não fosse oficialmente admitida na equipe.

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Uma trama mais relevante tem início em Avengers 32, com o surgimento do grupo de vilões Filhos da Serpente, um grupo racista. Foi uma maneira de Stan Lee trazer a questão do preconceito racial e os direitos civis à tona num momento em que o tema estava incendiando nos EUA. Não há toa, a edição introduz o cientista Bill Foster, um afrodescedente que se torna assistente de Hank Pym em seu laboratório e um personagem coadjuvante recorrente por um tempo. No futuro, Foster se tornaria um herói com os mesmos poderes de Pym e chamado Golias.

O Golias ficaria um tempo sozinho na equipe, mas a Vespa não demoraria a entrar de novo, com os Vingadores passando a ser um sexteto. A revista ganhou um novo roteirista a partir da edição 34, com Roy Thomas, um nome que seria essencial para o desenvolvimento de Pym como personagem nos anos seguintes.  O desenho permaneceu com Don Heck até a edição 40, quando passou a tocha a John Buscema.

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Em Avengers 36, de 1966, Mercúrio é capturado e os Vingadores chamam todos para saírem ao resgate. Chamado no meio de um encontro, o Gavião Arqueiro termina levando a namorada, a Viúva Negra, e aproveita a ocasião para candidata-la a membro fixo do grupo. O Golias se apressa em ser contra – ainda magoado por ela ter atacado o grupo na edição 29 – porém, para a admissão, seria necessária a convocação de todos os membros e uma eleição e não há tempo para isso. A novela se estende por vários meses.

O velho vilão da dupla, Human Top, inclusive, migrou para a revista dos Vingadores, aparecendo com um novo uniforme e mais habilidoso com o nome de Tufão em Avengers 46. Na trama, ele adota a identidade falsa de Charles e trabalha como motorista de Janet Van Dyne.

Hank Pym e Janet Van Dyne tiveram bastante importância na fase de Roy Thomas e John Buscema à frente dos Vingadores, entre 1967 e 1970. Assim, vem uma sequência de histórias na qual o grupo combate o Colecionador, ganha o Pantera Negra como membro e entram em rota de colisão contra os X-Men.

Mas Pym assume certo protagonismo a seguir, no ciclo de histórias que introduz o vilão Ultron, que é uma criação do cientista nas HQs. O leitor atento já deve ter percebido que isso é diferente do que foi feito nos filmes, em que o mortífero robô é criado por Tony Stark, com a ajuda de Bruce Banner, usando a Joia da Mente, que vai dar resultado, também no Visão. Os quadrinhos originais são ligeiramente distintos.

Outro detalhe importante é que após um ano usando o uniforme no esquema de cores azul e amarelo, o Golias volta à sua cor vermelha (com detalhes azul) original em Avengers 51, de 1967.

Em certo sentido, Avengers 54 dá início à melhor fase dos Vingadores nas mãos de Thomas e Buscema. Neste ponto, Buscema já estava totalmente liberado de algum modo seguir o estilo de Jack Kirby ou Don Heck e pôde encontrar seu próprio estilo. E resultado é arrebatador, com sua arte plástica, realística e muito bonita, precisa do ponto de vista anatômico, mostrando porque é um dos maiores desenhistas de todos os tempos. Junto a isso, Thomas também aprofundava seus talentos, contextualizando cada vez mais as histórias com os problemas políticos e sociais dos anos 1960.

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Os novos Mestres do Terror, liderados por Ultron (que não aparece).

Mas o maior destaque foi o robô Ultron, indestrutível e inteligente, criado por Hank Pym, que se volta contra seu “pai”. Sua primeira aparição foi em Avengers 54, de 1968. Na trama, um vilão misterioso chamado Manto Rubro reúne uma nova encarnação dos Mestres do Terror, para destruir os Vingadores, formada por notórios oponentes dos heróis: Garra Sônica, Homem-Radioativo, Derretedor, Tufão e o Cavaleiro Negro.

Só que o vilão não sabe que o Cavaleiro Negro em questão não é mais o vilão que combateu a dupla Gigante e Vespa em suas primeiras aventuras, que havia morrido nas histórias do Homem de Ferro. Havia um novo Cavaleiro Negro: Dane Whiteman, um herói, e só atende ao chamado de Manto Rubro com a intenção de traí-lo e avisar aos Vingadores.

Ultron 6 by john buscema
Ultron 6: adamantium.

Os novos Mestres do Terror conseguem cooptar o mordomo Edwin Jarvis, que ajuda os vilões a invadirem a Mansão dos Vingadores. Os vilões estranham porque o Manto Rubro não mata Jarvis, mas o final da edição explicava: um segundo Manto Rubro aparecia e desmascarava o outro que era apenas um robô, revelando ele mesmo como sendo o próprio Jarvis.

Claro, que era um embuste. A edição seguinte revela que Jarvis foi só cooptado mesmo e que o tal robô, que se apresenta como Ultron-5 é o verdadeiro Manto Rubro e a mente por trás de tudo. Não fica claro, porém, quem é o robô e porque quer se vingar dos Vingadores.

Avengers 57 cover by John Buscema 1967
“Avengers 57” traz a estreia do Visão.

Em Avengers 57, a Vespa é atacada por outro robô: o Visão. Derrotado, este é levado à Mansão dos Vingadores, mas mostra-se arrependido e criando uma consciência própria contra seu criador: Ultron. Na edição seguinte, o número 58, contudo, o Visão descobre que foi criado como um ser humano artificial (com todos os órgãos artificiais), algo que Hank Pym, o Golias, chama de sintozoide, e que sua inteligência artificial foi incrementada com os padrões cerebrais de Simon Williams, o Magnum, um ex-vilão que morreu ajudando os Vingadores. Pym guardava os padrões cerebrais de Williams em seu laboratório. Por causa disso, o Visão termina se voltando contra seu criador e se torna um aliado dos Vingadores, sendo admitido no grupo pouco depois.

O Visão se une aos Vingadores para derrotar Ultron, enquanto o Golias descobre que foi ele próprio quem criou o robô, que o chama de “pai”: Pym havia criado a inteligência artificial, que trabalhava como seu assistente no laboratório, mas depois, gerou autoconsciência, tornou-se maligno, se voltou contra ele e apagou todos esses eventos de sua mente. Ultron se transformaria em um dos maiores vilões dos Vingadores e desde o início suas histórias renderam bastante.

No futuro seria esclarecido que, tal qual os padrões cerebrais de Simon Willams para compor o Visão; Pym usara os seus próprios padrões cerebrais para montar Ultron. O fato do Visão virar um herói e Ultron um vilão seria explorado para aprofundar a psique de Pym.

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O Visão chora de emoção ao ser aceito pela equipe.

Além disso, Roy Thomas passa a dar bastante importância ao Visão que, provavelmente, se torna seu personagem favorito na equipe. E já a edição 58, em que é aceito no grupo, já é explorada sua real capacidade de sentir emoções, como se fosse um ser humano verdadeiro.

Ficou famosa a frase dita pelo Gavião Arqueiro de que “os Vingadores originais tinham um deus imortal e um monstro de pele verde” para falar sobre humanidade. Ao fim, o Visão pede licença e chora de emoção. O título da história era Até um Androide pode chorar.

O Jaqueta Amarela

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O Jaqueta Amarela tenta entrar para o grupo, mas ele é Hank Pym surtado.

O arco de introdução do Visão também teve uma consequência interessante: o surgimento do Jaqueta Amarela, a nova identidade de Hank Pym. Na verdade, o Jaqueta Amarela aparece em Avengers 59 como se fosse um herói autônomo, que ataca os Vingadores e diz que matou Hank Pym. O Jaqueta Amarela (o nome determina um tipo de vespa comum nos EUA) é bastante habilidoso nas lutas e encolhe de tamanho e usa asas para voar, tal qual a Vespa. O novo herói, manda a equipe aceitá-lo como membro e sequestra a Vespa. De repente, a heroína “apaixona-se” pelo captor e marca o casamento com ele.

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Toda a comunidade super-heróica fica surpreendida com o anúncio do casamento da Vespa com o desconhecido Jaqueta Amarela, mas só os Vingadores sabem sobre o “destino” de Hank Pym. Com toda a pompa, a cerimônia ocorre em Avengers 60, inclusive, com vários convidados especiais, como os X-Men, o Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Nick Fury, Dr. Estranho, Demolidor etc.

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Icônica capa de Avengers 58, de 1968, por John Buscema.

O casamento, claro, é alvo de vilões – no caso o Picadeiro do Crime – e, no final, na iminência de ver a Vespa ser ferida, as roupas do Jaqueta Amarela são rasgadas para dar lugar ao Golias, Hank Pym, crescendo e vencendo os vilões, para surpresa de todos.  A Vespa depois explica que percebeu que o Jaqueta Amarela era Hank Pym depois de beijá-lo (à força) pela primeira vez; enquanto Pym explica que sofreu um distúrbio psíquico por causa de gases experimentais que estava usando em seu laboratório.

Resolvido o problema, tudo fica paz. Hank Pym e Janet Van Dyne estão casados e ele adota para si a nova identidade de Jaqueta Amarela. Sob a “velha” alegativa de que crescer de tamanho estava destruindo sua saúde – e os episódios de “lapsos” mentais com Ultron e a emergência da personalidade egocêntrica e sacana do Jaqueta Amarela deixavam ainda mais claro – Pym deixou de usar a habilidade de crescimento e o Jaqueta Amarela apenas encolhia de tamanho, como o Homem-Formiga, embora fosse dotado de asas como a Vespa.

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O Gavião Arqueiro se torna o Golias. Arte de Gene Colan.

Mas o Golias não ficaria desaparecido por muito tempo. A partir de Avengers 62, de 1969, Clint Barton, desiste de ser o Gavião Arqueiro, e assume a identidade de Golias, usando a fórmula de crescimento criada por Pym, embora um novo uniforme, primeiramente azul, mas logo em seguida, na cor vermelha.

Com essa “passada de bastão”, os Vingadores permanecem com o Golias em suas fileiras (agora Clint Barton) e a dupla Jaqueta Amarela e Vespa.

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Ultron: um dos maiores vilões da equipe.

Ultron já retorna em Avengers 67, numa história em que Roy Thomas explora elementos da psicanálise: Ultron revela-se obcecado pela Vespa, que ele considera sua “mãe”, já que Hank Pym é seu “pai”. Um robô movido por um complexo de édipo! E Ultron consegue um novo corpo, com o metal Adamantium, o mais resistente metal do universo.

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Esquadrão Sinistro: versão Marvel da Liga da Justiça. Arte de Sal Buscema.

Em seguida, a dupla Thomas e Buscema criou o Esquadrão Supremo, uma equipe de superseres de uma outra dimensão, que na verdade era uma “homenagem” à Liga da Justiça da DC, trazendo membros que refletiam os heróis da concorrente: Hyperion (Superman), Nighthawk (Batman), Dr. Spectrum (Lanterna Verde) e Whizzer (Flash). O encontro se dá em meio a uma trilogia de edições contra Kang, o Conquistador, entre Avengers 69 e 71, de 1969.

Na trama, há uma disputa entre Kang e o Grande Mestre e este coloca uma aposta: se o outro matar os Vingadores, ele curaria a amada de Kang, Ravonna, à beira da morte depois dos eventos do número 24.

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Os Invasores são introduzidos na cronologia Marvel. Arte de Sal Buscema.

Esta aventura não apenas trouxe a volta dos “três grandes” (Capitão América, Homem de Ferro e Thor) em ação, como também rendeu outra criação importante para o Universo Marvel como um todo: na edição 70, é citado pela primeira vez os Invasores, grupo de heróis da época da II Guerra Mundial, que incluía o Capitão América, Tocha Humana e Namor.

Porém, depois desse ciclo de histórias, Jaqueta Amarela e Vespa saíram dos Vingadores por um tempo, sob a desculpa de realizar uma pesquisa sobre os efeitos do petróleo no Ártico, no início de Avengers 75, de 1970, ainda por Thomas e Buscema.

Participação Menor

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Dali em diante, a dupla perderia seu espaço no grupo aparecendo apenas de modo esporádico pelos anos 1970. A primeira delas foi no meio da Guerra Kree-Skrull, a mais famosa saga da equipe. Pym e Van Dyne aparecem nas edições 90 e 91, de 1971, por Roy Thomas e Sal Buscema, irmão caçula do outro desenhista. Na trama, a Vespa busca auxílio dos Vingadores ao relatar que um dia ela e Pym descobriram uma ilha tropical no meio do Ártico e seu marido desapareceu. A história revela que havia um dispositivo alienígena que fazia os seres desevoluírem e Hank se transformou em um grotesco ser humano primitivo. Mas claro, os heróis resolvem tudo no fim.

Ainda assim, a trama causou algum mal-estar posteriormente porque, em seu estado “selvagem”, Hank Pym bate na Vespa.

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Hank Pym volta a ser o Homem-Formiga…

Mas Pym faria uma participação especial bastante recordada pelos fãs em Avengers 93, de 1971, por Roy Thomas e Neal Adams: quando o sintozoide Visão é quase morto misteriosamente, Pym se voluntaria para entrar dentro dele e reativar seu sistema por dentro. O curioso – talvez num ato de nostalgia – é que ele decide fazer isso como Homem-Formiga e não como Jaqueta Amarela. A aventura é um deleite puro dos anos 1960, com toda a sorte de esquisitices de um sistema imunológico artificial e, principalmente, da arte fantástica de Adams, que fez algumas edições da revista da equipe.

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… para entrar no Visão. Arte de Neal Adams.

Outra coisa interessante é que o trio de formigas que auxiliam Pym ganham nome: Crosby, Stills e Nash em homenagem à  famosa banda de rock de mesmo nome.

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Capa de Avengers 100, por Barry Windsor-Smith.

A dupla apareceu de novo em Avengers 100, de 1972, que era uma edição especial, comemorativa, usando a desculpa de uma batalha contra os deuses do Olímpio para reunir a maior parte de todos aqueles que já fizeram parte dos Vingadores. Porém, meio para dar continuidade à ação da aparição anterior, Hank Pym aparece de novo como Homem-Formiga e não como Jaqueta Amarela.

De novo, a dupla Homem-Formiga e Vespa dá as caras na revista The Incredible Hulk 154, também em 1972, (por Archie Goodwyn e Herb Trimpe) na qual combatem o Hulk que foi encolhido por um vilão.

Novas Aventuras Solo (como Homem-Formiga)

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A história do Hulk, na verdade, era apenas um teste (e exposição para um maior número de leitores) para relançar aventuras solo de Hank Pym como o Homem-Formiga. Sua nova casa era a revista Marvel Feature, e sua estreia foi no número 5, de 1972, com roteiro de Mike Friedrich e desenhos de Herb Trimpe (o mesmo da história do Hulk). Na trama, em consequência da aventura com o Hulk, Pym não consegue mais voltar ao tamanho normal e precisa fugir de um falcão, o que o leva a destruir seu capacete para transformá-lo em uma arma – a desculpa perfeita para seu novo visual, sem máscara. E luta contra o Egghead!

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The Astonish Ant-Man, como é apresentado nessas histórias (incorporando o adjetivo de sua velha revista), volta a se reunir com a Vespa em Marvel Feature 06, na qual a dupla de novo combate o Tufão.

Esta aventura é importante por um detalhe bizarro: na trama, Hank e Janet estão encurralados e ele pede que ela vá embora e se salve, com a Vespa dizendo que suas asas estão molhadas demais para voar (uma desculpa para permanecer ao seu lado) e o Homem-Formiga consegue salvá-los. Quando ela revela que podia ter voado a qualquer momento, Pym pensa “Eu deveria por minhas mãos em seu pescoço e quebrá-lo!”, um elemento que, com o passar do tempo, ia se tornando cada vez mais comum ao personagem: uma personalidade explosiva e violenta. Inclusive com a esposa.

Não ajudou o fato dele ter batido nela naquela história dos Vingadores no qual foi revertido ao estado primitivo. E o modo cruel com que afastava as investidas dela em suas velhas aventuras. Pouco a pouco construindo uma personalidade nada simpática a Pym.

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A origem recontada da Vespa. Arte de Jim Starlin.

As aventuras prosseguiram, com o desenhista P. Craig Russell assumindo a arte a partir de Marvel Feature 07 e a edição 08 usando a desculpa de um flashback para recontar (e reimprimir editada à história nova) a origem da Vespa, tal qual contada na antiga Tales of Astonish 44, na qual além da arte original de Jack Kirby, é usada como complemento (para adaptar à nova história), artes de Don Heck e Jim Starlin.

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Mas as histórias solo da dupla não cativaram os leitores e terminaram na edição 10 de 1973. Marvel Feature passaria a ter O Coisa (membro do Quarteto Fantástico) como protagonista a partir da edição seguinte.

O Golias Negro

As constantes mudanças de identidade de Hank Pym – Homem-Formiga, Gigante, Golias e Jaqueta Amarela já estavam na conta – geraram não apenas novos uniformes, mas variantes em outros personagens. O primeiro derivado, já vimos, foi Clint Barton, o Gavião Arqueiro, deixar esta identidade e assumir um papel como o novo Golias nos Vingadores (inclusive, ao lado do próprio Pym usando a identidade Jaqueta Amarela), entre os anos de 1969 e 1972.

Mas foi o segundo derivado de Pym que ganhou mais destaque nos anos 1970: Bill Foster, o Golias Negro.

Nos anos 1970, a Marvel promoveu uma explícita campanha para diversificar seu material editorial, no que resultou em mais revistas de personagens secundários (como as aventuras solo do Homem-Formiga) e a criação de mais super-heróis de outras etnias (negros e orientais) e de super-heroínas, além da ampliação das temáticas. Assim, além dos heróis tradicionais, surgiram histórias mais voltadas a heróis urbanos, a artistas marciais, às aventuras no espaço etc. Foi daí que vieram personagens como Luke Cage, o Power-Man, Punho de Ferro, Chang-Chi, o Mestre do Kung Fu, Capitão Marvel, Adam Warlock, os Guardiões da Galáxia, os Heróis de Aluguel, as Filhas do Dragão, Mulher-Aranha, Miss Marvel, Mulher-Hulk e muito mais.

Bill Foster com Hank Pym (como Golias) na revista dos Vingadores nos anos 1960. Arte de Don Heck.

Nessa linha, o antigo assessor de Hank Pym nas histórias dos Vingadores, Bill Foster, se transformou em um novo super-herói: o Golias Negro. Afroamericano, Foster surgiu em Avengers 32, de 1966, criado por Stan Lee e Don Heck como um cientista que trabalhava com Pym e ficou como um coadjuvante, aparecendo, por exemplo, em Avengers 41, 54 e 75. Ele também apareceu nas aventuras solo de Pym e Vespa em Marvel Feature 09.

A estreia do Golias Negro. Arte de Gil Kane.

Então, em Luke Cage, Power-Man 24, de 1975, escrito por Tony Isabella e desenhado por George Tuska, com capa de Gil Kane, Bill Foster se torna o Golias Negro. Na trama, Luke Cage está atrás de Claire Temple e a encontra em um circo em Los Angeles, onde descobre que ela é ex-esposa de Bill Foster e que o cientista agora é o Golias Negro, usando as Partículas Pym para crescer de tamanho, e ainda está sendo obrigado a atuar ao lado do Circo do Crime, um velho grupo de vilões da Marvel (que apareceu no casamento de Pym e Dyne, lembram?).

Primeira aparição do Golias Negro, contra Luke Cage. Arte de George Tuska.

Como era típico da Marvel, o Poderoso (Power-Man) e o Golias Negro saem na luta antes de se aliarem para lutar contra os vilões. A história continua na edição seguinte, número 25 (agora tendo Bill Mantlo como corroteirista e a arte por Ron Wilson). Esta era a típica estratégia da Marvel para apresentar um “novo” personagem dentro de uma história que alcançava um público maior.

O fim do casamento com Claire Temple. Arte por Ron Wilson.

Um detalhe importante de Power-Man 25, é que esta mostra Claire Temple decidindo ficar com Luke Cage, e dando fim definitivamente à relação com seu ex-marido Bill Foster.

A estreia da revista própria, com capa de Rick Buckler.

Daí, nos meses seguintes, a Marvel lançou um título próprio para o Golias Negro: Black Goliah 01 chegou às bancas no final de 1975 e com a data de capa de fevereiro de 1976, com a mesma dupla que o criou na história de Luke Cage, Tony Isabella e George Tuska, e também com Rick Buckler nas capas.

Na trama, Bill Foster está em Los Angeles, trabalhando na filial da Stark Enterprises e em dúvida se prossegue na carreira como cientista ou dá vazão à sua ocupação de super-herói. O interessante das histórias é a ambientação na Costa Oeste – fora da tradicional Nova York do restante do Universo Marvel – e o modo como aborda Foster como um menino negro e pobre que realizou o “sonho americano”, mas precisa lidar com a continuidade da pobreza e da violência nos locais em que cresceu (o bairro de Watts) e se incomoda com isso.

As histórias também abordam explicitamente o incômodo de Foster em ter os poderes e o nome de um herói na qual é o terceiro representante, já que Hank Pym usou este nome (a partir de 1966) e também Clint Barton, quando abandonou a identidade de Gavião Arqueiro e se tornou o Golias, entre 1969 e 1971.

Os roteiros passaram logo para Chris Claremont (que já fazia certa fama nos X-Men) na edição 02, que introduz Celia Jackson, o novo interesse amoroso de Bill. A edição também introduz o vilão Atom-Smasher, cuja ação (e poderes radioativos) terá grandes consequências à vida de Bill Foster no futuro.

Bela capa de Jack Kirby para Black Goliah 04.

Mas a aparente dificuldade da revista conseguir um público parece expressa na constante alternância de artistas: Rick Buckler (das capas) assume a arte interna na edição 04 apenas para ser substituído por Keith Pollard na edição 05. Black Goliah 04 tem uma bela capa produzida por Jack Kirby, mas a edição 05 volta ao tradicional Gil Kane.

Os roteiros mais urbanos com foco na Los Angeles afrodescendente também se mantiveram até a edição 04, porém, Black Goliah 05 manda Bill Foster e Celia Jackson ao espaço para combater alienígenas no planeta Kigar. Contudo, as baixas vendas eram implacáveis no mercado competitivo dos anos 1970, então, a revista foi cancelada nesta quinta edição.

De qualquer modo, a revista Black Goliah, embora com apenas 05 edições publicadas, introduziu um mundo próprio para o personagem e seus vilões tradicionais, como Atom-Smasher, Vulcan e Stilt-Man.

Mas a Marvel foi persistente com o Golias Negro e o herói apareceu em Marvel Two in One 24, de fevereiro de 1977, uma revista que trazia sempre aventuras solo do Coisa (do Quarteto Fantástico) ao lado de algum convidado especial. A dupla combate os Hijackets. A história foi de Bill Mantlo e Jim Shooter e os desenhos de Sal Buscema, com capa de Ron Wilson.

Em seguida, o personagem foi reintroduzido na revista The Champions, que trazia as aventuras dos Campeões (também chamados às vezes de Campeões de Los Angeles), um grupo heterogêneo de super-heróis reunindo Viúva Negra, Hércules, Motoqueiro Fantasma e dois ex-X-Men, o Anjo e o Homem de Gelo. O herói aparece em The Champions 11, de fevereiro de 1977, com texto de Bill Mantlo e arte de John Byrne (ainda em início de carreira na Marvel). Nos anos 1970, a Marvel criou alguns desses grupos heterogêneos (heróis que a princípio não tinham nada em comum) como uma forma de mantê-los nas bancas.

Na trama, Bill Foster termina indo trabalhar como assistente científico dos Campeões, o que inevitavelmente faz os caminhos do grupo e do herói se cruzarem e, embora o Golias Negro não chegue a se tornar um membro fixo do time, pelo menos aparece nas histórias entre The Champions 11 e 13.

O Golias Negro reaparece em Defenders 62 a 65, de 1978, com roteiro de David Kraft e arte de Sal Buscema, na revista dos Defensores. Embora hoje o grande público associe este nome aos heróis urbanos da Marvel por causa das séries do Netflix (2013-2019), na verdade, este era um grupo bastante heterogêneo de heróis dos anos 1970. Fundado por Hulk, Doutor Estranho e Namor, o príncipe submarino, em 1971, o trio foi gradativamente aumentado com personagens como Surfista Prateado e Valquíria, ganhando vários outros membros.

Na trama de Defenders 62, a equipe está aos pedaços, restando apenas Hulk, Valquíra, Felina e Falcão Noturno, então, promovem um concurso para a escolha de novos membros, e um desses candidatos é o Golias Negro, juntamente a uma dúzia de outros heróis coadjuvantes da Marvel na época. Além de lutarem entre si, o grupo termina combatendo também um coletivo gigantesco de vilões secundários da Marvel na edição 64. Os membros adicionais – como o Golias Negro – saem de cena na edição 65, que já tem um novo desenhista, Don Perlin,

O personagem Bill Foster voltaria às páginas de Marvel Two in One na edição 54, de agosto de 1979, dentro da chamada Saga do Projeto Pegasus. Foster é apresentado como trabalhando como cientista no Projeto PEGASUS e vira um tipo de personagem coadjuvante na revista, que tinha roteiro de Mark Gruenwald e Ralph Machio (dois escritores que teriam longa carreira como editores da Marvel) e desenhos de John Byrne. Nessas aventuras, Foster decide abandonar o nome Golias Negro e passa a ser apenas o Gigante (Giant-Man), retomando outros dos codinomes de Hank Pym. A estreia do novo Gigante (com novo uniforme) se dá em Marvel Two in One 55.

O novo uniforme de Bill Foster, como Gigante, por John Byrne.

Ao fim da Saga do Projeto Pegasus, em Marvel Two in One 58, o Gigante revela a Ben Grimm, o Coisa, que adquiriu câncer após o combate com o Atom-Smasher em Black Goliah 03.

O Gigante reapareceu em Marvel Two in One 76, de junho de 1981, lutando ao lado do Coisa contra o Circo do Crime; e de novo na edição 82, ao lado do Coisa e do Capitão América contra MODOK.

Mas sua participação mais importante, que serviu como um encerramento ao arco do personagem, se deu em Marvel Two in One 85, de março de 1982, por Tom DeFalco e Ron Wilson, quando o Gigante se reúne ao Coisa e à Mulher-Aranha para lutar contra uma nova versão do Atom-Smasher. Na trama, Bill Foster está morrendo do câncer, mas é curado da doença pela habilidade de Jessica Drew (a Mulher-Aranha) de ser imune à radiação.

Curado de sua doença, Bill Foster volta a trabalhar como cientista e não apareceria mais nas revistas da Marvel por muitos anos.

De Volta aos Vingadores

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Jaqueta Amarela e Vespa de volta aos Vingadores. Arte de John Romita.

Hank Pym e Janet Van Dyne ficaram 2 anos longe das bancas até Avengers 137, de 1975, por Steve Englehart e George Tuska, quando os Vingadores chamam um recrutamento, após ficarem desfalcados com a morte do Espadachim e a partida de Feiticeira Escarlate e Visão em lua de mel. Dos velhos membros, apenas Pym e Dyne aceitam voltar, com o primeiro retornando à persona de Jaqueta Amarela. Os outros dois ingressantes seriam a Serpente da Lua e o Fera (ex-X-Men).

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Tufão de novo. Arte de George Tuska.

Claro que um retorno da dupla aos Vingadores deveria trazer mais um confronto com o Tufão, não é? Com a Vespa gravemente ferida na batalha contra o Estranho, em Avengers 138, o vilão tenta matá-la no hospital. Para derrotá-lo e salvar a esposa, Pym volta a crescer de tamanho, mas simplesmente não consegue parar de crescer, atingindo até 50 pés (15 metros), passando mal e desmaiando. Assim, em Avengers 140, o Visão (retornando de sua lua de mel) retribui o favor de Pym (que entrou em seu corpo e salvou sua vida na edição 93) e o sintozoide usa seus poderes de se tornar intangível e entra no corpo do crescido Jaqueta Amarela para ministrar uma fórmula que pode salvar sua vida diretamente em sua corrente sanguínea.

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O Visão devolve o favor. Arte de George Tuska.

Jaqueta Amarela e Vespa continuam como membros dos Vingadores no restante da fase do escritor Steve Englehart, com arte de George Perez e capas de Jack Kirby, na qual ocorre a Saga da Coroa da Serpente, um poderosíssimo artefato mágico que leva a uma guerra entre os heróis e os seres de outra dimensão, o Esquadrão Supremo (ex-Sinistro).

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De novo, essa é uma fase na qual a dupla não tem tanta importância. Isso muda um pouco apenas a partir de Avengers 161, de 1977, quando Hank Pym reaparece usando o uniforme do Homem-Formiga e ataca os Vingadores, quase vencendo o grupo até a Vespa perceber o que aconteceu: Ultron está de volta e fez uma lavagem cerebral em Pym, que pensava estar indo para a primeira reunião dos Vingadores e, portanto, não reconheceu os outros membros.

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Avengers 162 traz A Noiva de Ultron.

É o arco A Noiva de Ultron, na qual o robô – que tem sua inteligência artificial construída a partir dos padrões cerebrais do próprio Pym – constrói uma versão feminina de sim mesmo para poder “amar” e a alimenta com os padrões mentais de Janet Van Dyne, surgindo Jocasta.

Jaqueta Amarela e Vespa retornaram como membros fixos durante A Saga de Korvac, uma das melhores aventuras dos Vingadores em todos os tempos, entre Avengers 167 e 178, de 1977 e 78.

Em Avengers 167, o escritor Jim Shooter e o desenhista George Perez dão início à Saga de Korvac, para muitos a melhor de todas as aventuras dos Vingadores! Na trama, os Vingadores encontram os Guardiões da Galáxia, um grupo cósmico de heróis advindos do século 31 e que voltaram ao passado em busca do vilão Korvac, um humano que foi transformado em máquina pelos alienígenas Baldoon. O que eles não sabem (e o texto entrega logo para o leitor) é que Korvac invadiu uma nave pertencente a Galactus e ao se conectar nela terminou bombardeado de puro poder cósmico. Isso transformou Korvac em um ser tão poderoso quanto… Deus!

Enquanto isso, Ultron faz um breve retorno – em Avengers 171 – tentando reaver Jocasta, mas desta vez, o robô é uma ameaça menor porque o Jaqueta Amarela, como criador do robô, encontrou uma maneira de deixar os Vingadores imunes à energia do vilão. Ainda assim, a equipe conta com o reforço da Miss Marvel, que passa a integrar a equipe informalmente.

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O Colecionador é desafiado pelo Gavião Arqueiro.

A partir de Avengers 173, em 1978, os Vingadores contam o seguinte supertime: Homem de Ferro (ainda o líder), Capitão América, Thor, Hércules, Mercúrio, Jocasta, Visão, Feiticeira Escarlate, Miss Marvel, Serpente da Lua, Magnum, Vespa, Jaqueta Amarela, Pantera Negra e Gavião Arqueiro, contando ainda com a ajuda temporária de Two-Gun e Capitão Marvel.

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Korvac elimina os Vingadores um a um numa das maiores batalhas da equipe. Arte de David Wenzel.
Os Vingadores localizam e confrontam o Colecionador, um velho vilão da Marvel, surgido lá atrás em Avengers 28, mas a equipe termina descobrindo que o Colecionador estava, na verdade, tentando ajudar os Vingadores a combater Korvac.

Os Vingadores terminam encontrando Korvac, com um time de 16 vingadores ladeados pelos Guardiões da Galáxia, na climática Avengers 176, por Jim Shooter, David Michelinie e Dave Wenzel. Tem início uma feroz batalha, mas Korvac é um deus e não pode ser detido. Todos os Guardiões da Galáxia são mortos, bem como alguns vingadores, como Mércurio, Jaqueta Amarela, Capitão Marvel, Pantera Negra, Vespa, Jocasta, Capitão América e Magnum. Isso mesmo, todo mundo morre!

O fim da batalha: só Thor e Serpente da Lua sobram.
O fim da batalha: só Thor e Serpente da Lua sobram.

No fim, tudo acaba muito abruptamente e fica implícito de que ao morrerem, Korvac e Carina devolveram a vida aos heróis mortos – todos voltam – mas A Saga de Korvac termina com Thor voltando à identidade do médico Donald Blake para salvar os companheiros que jazem no chão.

Em seguida, o contato dos Vingadores com o Governo dos EUA, Henry Peter Gyrich, entra em cena e diz que, para os Vingadores retomarem suas credenciais especiais do precisam se submeter a algumas regras: incluindo um time mais enxuto de heróis, com sete membros fixos, podendo-se recorrer a extras caso alguma missão exija.

Avengers 181 traz 16 Vingadores e os Guardiões da Galáxia: hora de uma faxina. Arte de John Byrne.
Avengers 181 traz 16 Vingadores e os Guardiões da Galáxia: hora de uma faxina. Arte de John Byrne.

Assim, Avengers 181, de 1978, com desenhos do mestre John Byrne, faz emergir uma nova equipe oficial: Homem de Ferro (continuando como líder), Visão, Capitão América, Feiticeira Escarlate, Fera, Vespa e o Falcão.

Hank Pym fica de fora.

Scott Lang, o novo Homem-Formiga

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A Marvel estava mesmo disposta a manter o Homem-Formiga em ação. Assim, a mesma Avengers 181, apresentou pela primeira vez – embora de modo muito discreto – o personagem Scott Lang, que assumiria o manto do herói.

Sua estreia de verdade se dá em Marvel Premiere 47, de 1979, com a mesma equipe criativa daquela: David Michelinie e John Byrne. Na trama – que também avança à edição seguinte dessa revista da editora destinada somente a estreia de aventuras de personagens novos ou que nunca tiveram histórias solo – Lang é apresentado como um ex-ladrão que tenta reconstruir sua vida, mas é obrigado a voltar ao crime quando sua filha pequena, Cassie, está bastante doente de uma doença rara do coração que apenas a Dra. Erica Soundheim pode curar. Porém, o caríssimo tratamento deixou Lang sem dinheiro.

Ao tentar implorar à Dra. para tratá-la mesmo assim, Lang vê a médica sendo sequestrada por um bando liderado por Darren Cross. O ex-ladrão vê suas chances indo embora e traça outro plano: decide roubar uma casa para reunir dinheiro ou joias, mas termina – sem querer – entrando na casa de Hank Pym e encontrando o uniforme do Homem-Formiga. Se apoderando do artefato e aprendendo-o a usar, decide usar essas habilidades (encolher de tamanho e comandar as formigas) para resgatar a Dra. Soundheim e curar sua filha.

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Na aventura, Lang termina tendo que confrontar Cross, que se transformou em um monstro grotesco por causa de um experimento, mas consegue ser bem sucedido. A doutora decide ajudá-lo e curar Cassie, no que Lang vai à casa de Pym devolver o uniforme e se entregar à polícia.

Mas Pym tinha assistido tudo por causa de uma câmera embutida na roupa e dá o uniforme de presente a Scott, incentivando-o a continuar o legado do Homem-Formiga.

Com isso, o novo Homem-Formiga voltaria à ação, fazendo aparições especiais nas revistas da Marvel, mas especialmente na do Homem de Ferro, que também era escrita por David Michelinie (com corroteiro de Bob Layton e arte de John Romita Jr.), aparecendo, por exemplo, em The Invencible Iron-Man 125, de 1980, e 131, de 1981.

Scott Lang também agiu ao lado dos Vingadores em Avengers 195 e 196, auxiliando o time a vencer o Treinador.

A Derrocada de Hank Pym

hank pym and identities 2

Enquanto Scott Lang deixava seu passado para trás e ia se transformando em um herói, Hank Pym, por sua vez, fez a trajetória inversa. O escritor Jim Shooter, que era o Editor-Chefe da Marvel na época e escrevia a revista dos Vingadores, criou uma trama que tentava responder porque em sua carreira o cientista já tinha usado quatro identidades heroicas diferentes (Homem-Formiga, Gigante, Golias e Jaqueta Amarela).

Também queria investigar eventos estranhos da vida de Pym nos quadrinhos, como sua tendência a ser esquentado e até violento, já tendo batido na própria esposa uma ou duas vezes. Outro ponto importante era o fato de que Ultron fora criado a partir dos padrões de pensamento do próprio Hank e se tornou um ser maligno.

A resposta estava na frente de todos, segundo, Shooter: Hank Pym era esquizofrênico! E criou uma saga na qual o fundador dos Vingadores tem um surto psicótico terrível.

Os Vingadores vinham de uma fase em transição, na qual a Vespa era membro titular da equipe (ainda desde a edição 181) sem Pym, ciclo que contou até com mais um confronto contra Ultron, em Avengers 201 e 202, de 1980. Mas a queda de Pym começa em Avengers 211, com texto de Jim Shooter e desenhos de Gene Colan. A edição 211 traz uma reformulação da equipe. Decidido a reformar o time, o Capitão América convoca novos integrantes, emergindo uma nova equipe com Capitão América, Thor, Homem de Ferro, Vespa, Jaqueta Amarela e Tigresa.

Em Avengers 212, 1981, por Shooter e o desenhista Bob Hall, a equipe enfrenta a Elfqueen, uma feiticeira. No meio da batalha, o Capitão América percebe que ela não é uma vilã, apenas está mal orientada, e consegue acalmá-la. Contudo, o Jaqueta Amarela, aparentemente sem motivos, ataca a feiticeira e a batalha recomeça. Com tudo resolvido, depois, a edição seguinte traz os Vingadores realizando uma Corte-Marcial para julgar o comportamento de Hank Pym.

A Queda de Hank Pym, o Jaqueta Amarela.
A Queda de Hank Pym, o Jaqueta Amarela.

O herói se descontrola e ataca a equipe, sendo expulso. Nas edições seguintes, vemos o Jaqueta Amarela construindo um novo robô para atacar os Vingadores, de modo que só ele pudesse derrotá-lo e ganhar a simpatia da equipe. Vespa se nega a fazer parte disso e é agredida pelo marido. Outra vez! Com isso, o casamento dos dois chega ao fim!

Yellow Jacquet bits Wasp by George Perez
Como Jaqueta Amarela batendo na esposa.

Em Avengers 217, o Jaqueta Amarela termina se aliando ao seu velho vilão, o Cabeça de Ovo (Egghead) e ataca novamente a equipe, terminando com Hank Pym preso por roubo! Para superar os acontecimentos, a Vespa se propõe como a nova líder da equipe e é aceita.

Foi o fundo do poço para Pym, que terminou preso e afastado dos Vingadores por um longo tempo.

Enquanto isso, a Vespa permaneceu um longo período sozinha nos Vingadores, atuando como líder do time ao longo de boa parte dos anos 1980, especialmente na fase escrita por Roger Stern.

Enquanto isso, o novo Homem-Formiga, Scott Lang, novamente agiu ao lado dos Vingadores, em Avengers 223 e 224, de novo contra o Treinador, ocasião em que o diminuto herói é disparado em cima de uma das flechas do Gavião Arqueiro, uma manobra que ficou bastante marcada entre os fãs da época.

Vespa, a líder dos Vingadores

Janet Van Dyne fez merecer seu papel de membro fundador dos Vingadores em boa parte dos anos 1980, se tornando a líder do grupo por um longo e virtuoso período, ao longo da fase do escritor Roger Stern, boa parte dela desenhada novamente pelo clássico John Buscema. A Vespa assumiu a liderança do grupo em Avengers 217, ainda no fim do arco com a queda de Hank Pym e prosseguiu adiante.

Desde o início, os Vingadores sempre tiveram líderes rotativos, com mandados curtos. Mas o Homem de Ferro permaneceu como líder durante uma longa gestão na passagem dos anos 1970 para 1980, e a Vespa manteve essa característica. Inclusive, ela ordenou um pouco o time, garantindo que ele tivesse um quórum mínimo de 6 membros ativos.

A Vespa lidera uma reunião dos Vingadores, com Capitão América, Thor, Mulher-Hulk, Cavaleiro Negro e Dr. Druida.

Foi uma fase bastante interessante, na qual Capitão América e Thor permaneceram como membros ativos – o Homem de Ferro saiu porque Tony Stark teve problemas com o alcoolismo e, depois, foi substituído na armadura por James Rhodes – e contou com novos membros, como a nova Capitã Marvel (Monica Rambeau), e a volta de Cavaleiro Negro e Hércules.

Inclusive, Stern e Buscema exploraram que Hércules – um deus grego com mentalidade da Antiguidade – não aceita ser comandado por uma mulher, o que lhe põe em rota de colisão com a Vespa. Era até uma incongruência, já que o personagem já havia sido liderado pela Viúva Negra na equipe dos Campeões nos anos 1970, mas era uma boa forma de lidar com a questão do machismo.

Durante a fase da liderança da Vespa, os Vingadores viveram grandes aventuras, como a participação nas Guerras Secretas (1984), a batalha contra Nebula ao lado dos Skrulls e o mais importante de todos, o arco Cerco, no qual o novo Barão Zemo reúne uma nova e gigantesca versão dos Mestres do Terror e conseguem invadir a Mansão dos Vingadores e derrotar os heróis, deixando vários membros feridos e até Hércules à beira da morte. A aventura contou também com a participação de Scott Lang como o Homem-Formiga.

O Longo Caminho de Volta

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O arco de histórias de Jim Shooter causou bastante polêmica, pois revoltou muitos dos fãs mais antigos da Marvel, enraivecidos de um herói antigo e tradicional ser transformado em um vilão. Vários artistas também não gostaram disso, em especial, aqueles que vinham do fandoom, ou seja, que também eram fãs antes de conseguirem trabalhar na indústria.

Um deles era Steve Englehart, roteirista que comandou a revista Avengers em meados dos anos 1970 e que voltava à  Marvel após uma década. Embora demorasse praticamente 11 anos (!!!) para Hank Pym voltar a ser um herói uniformizado, ele foi sendo redimido muito antes disso.

A primeira pista disso se deu na revista The Invencible Iron-Man 194, de 1985, por Dennis O’Neil e Luke McDonnell, na qual o personagem James Rhodes procura a ajuda do Dr. Pym para descobrir o que é a dor de cabeça misteriosa que está sentindo. É a desculpa para envolver Pym com os Vingadores da Costa Oeste, uma equipe secundária de Vingadores criada para atuar com base na Califórnia e que reunia o Homem de Ferro e outros heróis, como Gavião Arqueiro, Harpia, Felina e Magnum.

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O time tinha aparecido em Avengers 243, de 1984, e estrelado uma minissérie própria, mas só ganharam suas aventuras de verdade a partir do lançamento da revista West Coast Avengers 01, de 1985, com roteiro de Steve Englehart e arte de Al Migrom. Hank Pym se instalou na base da nova equipe na Califórnia e serviu como um tipo de assessor científico, sem interferir na ação, condição que exerceu durante muito tempo. Na história, inicialmente, Pym se oferece para estudar o novo Golias – o antigo vilão dos Vingadores antes conhecido como Poderoso – e ao mesmo tempo, servir como um tipo de administrador da base dos Vingadores da Costa Oeste. O Homem de Ferro não deixa de se escandalizar com o fundo do poço ao qual seu ex-amigo chegou.

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Englehart explorou bastante o processo de remissão de Hank Pym, mostrando-o arrependido de seus erros do passado. Em West Coast Avengers Avengers 17, de 1987, Pym está tão deprimido após a equipe combater seu velho inimigo Tufão, que planeja o próprio suicídio, sendo impedido por Flama, uma de suas colegas de equipe.

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Hank Pym quase comete suicídio em West Coast Avengers 17.

O fato aproxima Pym da heroína, cujo nome era Bonita Juarez, e os dois se envolvem emocionalmente. Ela tem um papel importantíssimo no cientista voltar a criar e se tornar um membro dos Vingadores de novo, embora, dessa vez, sem usar um uniforme, apenas utilizando as Partículas Pym para encolher e esconder armas e ferramentas que pode usar em missão.

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Hank Pym sem uniforme ou identidade heroica, ajudando os Vingadores da Costa Oeste.

Sua estreia na nova função se deu em West Coast Avengers 21, de 1987. Pym continuou prestando assessoria ao time ao longo da fase na qual a revista foi escrita e desenhada por John Byrne, a partir de Avengers West Coast 42 (sim, o nome da revista mudou), de 1989, onde ganhou ares mais heroicos, porém, continuando apenas como um coadjuvante sem um uniforme propriamente dito (usava um tipo de macacão vermelho).

O Visão e o Tocha Humana original nos Vingadores da Costa Oeste.

É importante frisar que, depois de abandonar a equipe principal dos Vingadores, a Vespa também engrossou as fileiras da filial da Costa Oeste, aparecendo na edição 32, de 1988, e tornando-se membro fixo a partir da edição 42, de 1989.

O (Breve) Retorno do Golias Negro

Não podemos deixar de citar que em 1988 o editor-chefe da Marvel, Tom DeFalco, organizou um grande crossover entre os heróis da editora, chamado Evolutionary War (ou A Guerra do Alto Evolucionário) na qual este vilão mobiliza um plano de explodir uma bomba genética na atmosfera da Terra e com isso alterar o DNA dos humanos. Praticamente todos os grandes personagens da Marvel se envolveram na saga por meio de suas edições anuais daquele ano.

Os Vingadores da Costa Oeste apareceram em Avengers West Coast Annual 03, com roteiro de Steve Englehart e arte de Al Migrom. Na trama, Bill Foster (que não aparecia desde Marvel Two in One 85, de 1982) trabalha no laboratório do Alto Evolucionário e, ao descobrir os planos do vilão, alerta os Vingadores da Costa Oeste, unindo-se aos heróis brevemente como o Gigante. Esta história menciona que Foster tem câncer – de novo? – e vai em busca de tratamento ao fim da trama, mas este problema não será mais mencionado nas aparições futuras do personagem.

Gigante de Novo

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Hank Pym retornou oficialmente aos Vingadores apenas em Avengers 368, de 1993, por Bob Harras e Steve Epting, ao fim da saga contra o vilão Proctor, na qual prestou assistência científica. Nesta edição, Pym cria um novo uniforme e retoma as atividades heroicas, assumindo novamente a identidade de Gigante (que não usava desde 1965!).

O Gigante permaneceu como membro em uma longa temporada, só encerrada em Avengers 402, de 1996, que foi a última edição do primeiro volume da equipe.

Scott Lang e o Quarteto Fantástico

Enquanto tudo isso acontecia, Scott Lang continuava a ser um personagem coadjuvante da Marvel aparecendo em várias aventuras dispersas, com personagens que iam dos Micronautas ao Homem-Aranha, além de aparecer com mais frequência na revista do Homem de Ferro, inclusive, ajudando Tony Stark a descobrir como sua tecnologia foi roubada na super-clássica história Guerra das Armaduras, de 1987.

Depois, Lang terminou se firmando como um personagem coadjuvante do Quarteto Fantástico. Quando o líder Reed Richards foi dado como morto, Lang foi contratado pelo time como assessor científico, a partir de Fantastic Four 384. Durante esse período, o Homem-Formiga descobriu que sua filha, Cassie Lang, sabia que ele era o herói, como mostrado em Fantastic Four 401, de 1995.

Mais tarde, Scott Lang chegou até a fundar um Quarteto Fantástico temporário, com Tocha Humana, Mulher-Hulk e Namorita para resgatar o restante do time que estava aprisionado na Zona Negativa, em Fantastic Four (vol. 3) 43.

Uma nova equipe

Após terem sido dados como mortos – no evento Massacre – os Vingadores voltam à ativa em Avengers (vol. 3) 01 de 1998, por Kurt Busiek e George Perez, e lá estava Hank Pym de novo entre eles, novamente como Gigante, mas agora com um uniforme quase idêntico ao original, à exceção de um capacete similar ao do Homem-Formiga. Mas após uma grande aventura na qual todos os membros possíveis da equipe participaram, um novo time é formado e Pym não está entre eles, na edição 04.

Mas quando Ultron armou uma grande ataque aos Vingadores entre Avengers (vol. 3) 19 e 22, de 1999, Pym se uniu ao time para destruir sua maior criação. É somente nesta história em que é revelado que a mente computadorizada de Ultron foi criada a partir dos padrões cerebrais de Hank, algo que os fãs já supunham há muito tempo, tendo em vista o fato do vilão robótico ter usado os padrões de Simon Williams (o Magnum) para criar o Visão lá atrás em 1967.

De qualquer modo, fica claro que Ultron é a manifestação do lado negro de Hank Pym, o que atormenta o herói.

A Vespa retornou à equipe em Avengers (vol. 3) 27, de 2000, e a partir da edição 38, ela voltou a ser a líder da equipe, dessa vez, dividindo o cargo com o Capitão América.

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Golias e Jaqueta Amarela juntos!

Paralelamente, a maxissérie Avengers Forever (em 12 edições, publicada entre 1998 e 1999) com texto de Kurt Busiek e arte de Carlos Pacheco, mostrava a Guerra do Destino entre dois viajantes do tempo que são a mesma pessoa em épocas diferentes: Kang, o conquistador e Immortus, o mestre do tempo.

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Na trama, é recrutada uma equipe de Vingadores composta por membros de várias épocas diferentes, e este time não tem somente um, mas dois Hanks Pyms: o Gigante do presente (embora voltando a usar o belo uniforme do Golias em azul e amarelo de 1966) e o Jaqueta Amarela imediatamente antes de seu casamento com Janet Van Dyne, ou seja, uma versão raivosa, autoconfiante e algo inescrupulosa dele mesmo no que agora era tomado como outro episódio de surto psicótico em vez da desculpa dos gases experimentais das histórias de 1969.

Pym continuaria nos Vingadores – de novo usando o nome de Golias – e durante a Guerra contra Kang voltaria a usar a identidade de Jaqueta Amarela, em Avengers 45, de 2001.

Quando o escritor Geoff Johns assumiu a revista, em Avengers 57, de 2002, Jaqueta Amarela e Vespa, que estavam reunidos ao time já há algum tempo, retomaram seu relacionamento, interrompido desde os eventos de 20 anos antes.

Os Vingadores em 2004: Feiticeira Escarlate, Vespa, Capitão América, Homem de Ferro, Mulher-Hulk, Gavião Arqueiro e Homem-Formiga.

Scott Lang, Vingador

Em Avengers (vol. 3) 62, de 2002, Scott Lang, o segundo Homem-Formiga, finalmente se torna membro oficial dos Vingadores. Aproveitando que sua filha Cassie agora estava sob a custódia da mãe, Lang embarcou nas aventuras do grupo ficando no time por um longo período.

O Fim dos Vingadores

Os Vingadores foram virtualmente destruídos na saga Vingadores: A Queda, de 2004 (Disassembled), por Brian Michael Bendis e David Finch, na qual a Feiticeira Escarlate sofre um surto psicótico e ataca a equipe, resultando na morte de alguns membros, como o Homem-Formiga Scott Lang, o Visão e o Gavião Arqueiro. Com a equipe desmontada, em Avengers: Finale, Hank Pym e Janet Van Dyne decidem abandonar suas personas heroicas e se mudarem para a Inglaterra, investindo em seu relacionamento e trabalhando na Universidade de Oxford.

Os Vingadores passaram uns “seis meses” extintos, mas um evento conhecido como Motim (a fuga de uma série de supercriminosos da Balsa, uma prisão especial) levou à reunião de uma série de heróis e a ideia do Capitão América de recriar o time. Apesar de relutante, o Homem de Ferro aceita e a dupla decide recrutar uma nova linha de heróis não-tradicionais, como Luke Cage, Homem-Aranha, Wolverine e Mulher-Aranha, adotando o nome Novos Vingadores, a partir de New Avengers 01, de 2005, por Brian Michael Bendis e David Finch.

Cassie Lang, a Estatura

Outra consequência do fim dos Vingadores foi o surgimento dos Jovens Vingadores, um time de jovens heróis que mimetizavam os poderes de alguns dos membros mais famosos do time, criados por Allan Heinberg e Jim Jeung em sua própria revista Young Avengers 01. Dentre eles, estava Cassie Lang, usando as Partículas Pym para crescer de tamanho, sob o nome Estatura.

A Guerra Civil

Capitão América e Homem de Ferro lutam na história.

Por sua vez, a dupla Hank Pym e Janet Van Dyne permaneceria algum tempo fora de circulação, retornando apenas em meio à saga Guerra Civil, na qual é mostrado que Hank Pym – de novo como Jaqueta Amarela – está ao lado da facção de Tony Stark/ Homem de Ferro em favor do Ato de Registro, que obriga os super-heróis a revelarem suas identidades secretas e trabalharem para o Governo dos EUA; se opondo a facção do Capitão América, que defendia os direitos civis e a liberdade.

Guerra Civil foi uma minissérie em 7 edições, publicadas entre 2006 e 2007, escrita por Mark Millar e desenhada por Steve McNiven, e Pym é visto ao lado de Stark e Reed Richards (o Senhor Fantástico do Quarteto Fantástico) como um dos responsáveis por criar uma prisão interdimensional para aprisionar os heróis (seus ex-colegas) que desobedecem a nova lei.

A facção de Stark é a vencedora da Guerra Civil e o Capitão América termina preso ao fim – sendo assassinado em seguida, quando se dirigia às escadarias do tribunal (Captain America 25, de 2007). Na trama, Hank Pym se torna um dos principais nomes do novo status quo e é capa da Revista Time.

Como consequência da Guerra Civil, os remanescentes da facção do Capitão América continuam como os Novos Vingadores, agindo como fugitivos da lei na revista New Avengers; enquanto a equipe oficial dos Vingadores, os Poderosos Vingadores, assume a nova revista The Mighty Avengers. A Vespa também retorna oficialmente ao time, dentro da facção de Stark nos Poderosos Vingadores.

A Morte do Golias Negro

Um dos eventos mais traumáticos da Guerra Civil – e que de certo modo serviu como reviravolta da história – foi a morte de Bill Foster, o Golias Negro. De volta à ativa – e não mais usando o nome Gigante como das últimas vezes, bem Golias Negro, apenas Golias – Foster é um dos heróis que está ao lado da facção do Capitão América na resistência à nova lei.

Desesperados, Homem de Ferro, Reed Richards e Hank Pym produzem um clone de Thor – que na época estava dado como morto (e permaneceria assim ainda alguns anos) – que é poderoso, mas não tem a ética e o pudor do original. Como resultado, o clone (apelidado de Ragnarok) fuzila o Golias com um raio sem dó nem piedade. O evento causa um grande mal estar, um sentimento de vingança e faz Stark e Richards repensarem seus atos.

A Iniciativa

Como consequência da Guerra Civil, todos os super-heróis legalmente ativos precisavam de treinamento e daí nasceu a Iniciativa, um plano de Stark, Richards e Pym de estabelecer campos de treinamento para esses heróis, que atuariam sob o apadrinhamento dos Vingadores. Pym se torna o diretor do Campo Hammond, em Standford, Connecticut, e protagonista da revista Avengers: The Iniciative, lançada em 2007, com roteiro de Dan Slott e desenhos de Steffano Caselli.

Os Poderosos Vingadores: Ares, Sentinela, Miss Marvel, Vespa, Magnum e Viúva Negra.

Nessas histórias, Pym encerra o relacionamento com Janet Van Dyne definitivamente e termina se envolvendo com a Tigresa, sua antiga amiga dos tempos dos Vingadores da Costa Oeste.

Em uma das primeiras aventuras dos Poderosos Vingadores pós-Guerra Civil, em The Mighty Avengers 02, a equipe precisa confrontar uma horda de alienígenas simbiontes, e na ocasião, Hank Pym presenteia a Vespa com um novo soro do crescimento que lhe permite aumentar de tamanho sem efeitos colaterais à saúde, artifício que Janet Van Dyne usa para ajudar a derrotar os monstros.

É neste ponto que chega a saga Invasão Secreta, que teve como ponto principal a minissérie homônima de 8 edições, escrita por Brian Michael Bendis e desenhada por Leinil Francis Yu. Na trama, os Novos Vingadores (aqueles da facção do falecido Capitão América e continuam agindo fora da lei) descobrem que os aliens transmorfos Skrulls invadiram a Terra e se infiltraram na comunidade heroica, assumindo a identidade deles, o que cria um clima de paranoia piorado pelo contexto pós-Guerra Civil

Porém, para a surpresa de muitos, Hank Pym é revelado como um impostor Skrull, como revelado em The Mighty Avengers 15, de 2008, por Brian Michael Bendis e John Romita Jr. e também em Avengers: The Iniciativa 14, por Dan Slott e Christos Cage no texto e Stefano Caselli na arte. A trama mostra que desde após os eventos de Vingadores: A Queda, o verdadeiro Pym foi substituído por um Skrull. Isso significa que o Jaqueta Amarela que atuou em Guerra Civil e na Iniciativa era um impostor! (Tal estratégia livrava o herói das falhas de caráter mostrada nessas tramas).

No final de Invasão Secreta, os Vingadores descobrem uma nave Skrull com os verdadeiros heróis substituídos – além de Pym, vários outros, como a Mulher-Aranha e outros que eram dados como mortos, como a Harpia, outra dos Vingadores da Costa Oeste).

Porém, a batalha final resultou na morte de Janet Van Dyne, a Vespa, em Secret Invasion 08, de 2008. Enquanto os Vingadores promovem a batalha final contra os Skrulls, a Vespa aumenta de tamanho de modo descontrolado e, finalmente, percebe a verdade: o Skrull impostor que se passava por Hank Pym havia lhe dado o novo soro de crescimento, mas que era, na verdade, um artifício para transformá-la em uma bomba genética. Com isso, a Vespa agarra a maior quantidade possível de Skrulls e sobe aos céus para explodir e matar uma grande quantidade de inimigos. Mas é o fim de Janet Van Dyne.

Bom, pelo menos por enquanto.

Pym vira o Vespa.

Em luto pela perda da ex-esposa – o fim do relacionamento e o romance com Tigresa eram obra do Skrull não dele – Hank Pym decide adotar para si a identidade de O Vespa (em Secret Invasion: Requiem, de 2009) e reingressa nos Vingadores, se tornando o líder do grupo, em The Mighty Avengers 21, de 2009, por Dan Slott e Khoi Pham.

O Vespa teve bastante destaque nessa fase, dentre os Poderosos Vingadores (os herdeiros ainda da facção do Homem de Ferro pós-Guerra Civil, enquanto os Novos Vingadores permaneciam como um time marginalizado e paralelo), inclusive, quando o grupo enfrentou os Unspoken, na qual Eternidade (a mais poderosa das entidades cósmicas do panteão da Marvel) diz para Pym que ele é o Cientista Supremo da Terra, em paralelo ao Mago Supremo – o posto tradicionalmente ocupado pelo Doutor Estranho. Isso ocorre no final da saga dos Unspoken, em The Mighty Avengers 30, de 2009, por Dan Slott e Christos Cage nos textos e Sean Chen na arte.

Eternidade justifica a categorização dizendo que Reed Richards – tradicionalmente apontado como a maior mente do Universo Marvel – como alguém para quem a ciência é descoberta e ele é um aventureiro do conhecimento; e Tony Stark é um engenheiro, que usa a ciência para moldar seu mundo e seu destino; enquanto Pym se esforça para fazer o impossível ser possível, levando a ciência quase ao nível da magia.

Porém, o título não durou muito, já que The Mighty Avengers 34, de 2010, por Dan Slott e Neil Edwards, já traz a informação de que não era realmente Eternidade quem encontrara Hank Pym, mas o vilão Loki se fazendo passar pela poderosa entidade cósmica.

A Academia Vingadores

O Capitão América retornou dos mortos na saga Reborn e tal evento associada à saga O Cerco (na qual Norman Osborn tenta invadir Asgard e dispara uma guerra divina) terminam por encerrar o ciclo de ruptura iniciado pela Guerra Civil, resultando na Era Heroica. Steve Rogers não retoma o seu escudo, deixando-o na mão de seu substituto, Bucky Barnes, o ex-Soldado Invernal, e passa a atuar como Diretor da SHIELD, e coordenador dos Vingadores, que mantêm a lógica de múltiplas equipes: os Novos Vingadores como um grupo mais urbano, os Poderosos Vingadores como equipe oficial e inauguram os Vingadores Secretos, para missões mais obscuras e violentas.

Seguindo um pouco a lógica da Iniciativa, é criada a Academia Vingadores, para treinar jovens superpoderosos, da qual Hank Pym se torna o líder, em Avengers Academy 01, de 2010, e o cientista adota de novo o nome de Gigante na edição 07. Ele também cria um novo time de Vingadores, os Vingadores I.A. (Inteligência Artificial), reunindo vários desses personagens robóticos ou cibernéticos da Marvel.

A Volta da Vespa

Como ninguém fica morto nos quadrinhos, a Vespa regressou dos mortos no arco de histórias publicado entre Avengers (vol. 4) 32 a 34, na qual é revelado que Janet Van Dyne não havia morrido na Invasão Secreta, mas tinha encolhido até o Microverso – um universo alternativo e microscópico existente no Universo Marvel – e conseguiu mandar uma sinal de socorro por meio de seu cartão de localização dos Vingadores, ajudando a equipe derrotar um déspota que havia tomado o poder do Microverso.

Os Fabulosos Vingadores: Destrutor, Vampira, Thor, Solaris, Vespa, Capitão América, Magnum, Wolverine e Feiticeira Escarlate.

Daí, a Vespa não apenas ingressa no Esquadrão Especial dos Vingadores – um grupo criado pelo Capitão América para missões mais radicais – como também passa a financiá-lo com sua fortuna pessoal, como uma forma de evitar problemas com o Governo. As aventuras são publicadas na revista Uncanny Avengers e mescla, pela primeira vez, membros dos Vingadores (Capitão América, Feiticeira Escarlate, Magnum) e dos X-Men (Destrutor, Vampira, Wolverine, Solaris etc.).

Destrutor e Vespa.

Nas aventuras dos Uncanny Avengers, a Vespa terminou se envolvendo e namorando Destrutor, que é Alex Summers, irmão do líder dos X-Men, Ciclope. Numa das histórias, a Terra é destruída e o casal é o único sobrevivente da raça humana, resultando que eles têm uma filha, que chamam de Katie. Mas numa aliança arriscada com Kang, o conquistador, a dupla volta ao passado e altera a realidade, enquanto Kang mantém Katie como refém, publicada entre Uncanny Avengers 20 a 23.

A Volta de Scott Lang

Ninguém morre mesmo nos quadrinhos. Na saga A Cruzada das Crianças, por Allen Heinberg e Jim Jeung, entre 2010 e 2012, protagonizada pelos Jovens Vingadores, o Iron Lad – que tem conexões com Kang, o conquistador – promove uma viagem no tempo para que o time presencie os eventos de Vingadores: A Queda e entenderem o que aconteceu, mas em meio aos eventos, Estatura (Cassie Lang) não resiste a tentar salvar seu pai e, quando ocorre a explosão que o vitimou originalmente, a Feiticeira Escarlate traz os jovens heróis de volta ao presente, porém, sem querer, Scott Lang vem também.

Assim, fica estabelecido que o Homem-Formiga não morreu na história de 2005, apenas foi levado ao seu futuro.

Scott Lang fica bastante orgulhoso de ver sua filha agindo como uma heroína, mas infelizmente, a reunião dura pouco: em meio a um confronto com o Doutor Destino, Estatura termina morrendo.

Mas ela também não ficaria morta por muito tempo. Em meio à saga AXIS, o Doutor Destino é transformado e se torna um herói, usando todos os seus recursos através dos poderes da Feiticeira Escarlate para trazer Cassie Lang de volta à vida. Com o pai e filha reunidos.

A Fusão com Ultron

Ultron, a nefasta criação de Pym, produz um grande golpe na saga Era de Ultron, na qual o robô conquista o mundo e mata os heróis, obrigando aos heróis viajarem ao passado para tentar impedir sua criação. Na verdade, Wolverine e a Mulher-Invisível conseguem implantar, com a ajuda de Pym, um vírus de computador que destrói Ultron no presente.

Mas claro que Ultron ainda retornaria, como em Avengers: Rage of Ultron, de 2015, por Rick Rememder e Jerome Opeña e Pepe Larraz, na qual ocorre uma fusão entre Hank Pym e Ultron, com os dois se tornando um só. Por causa disso, Pym é considerado morto e é realizado um funeral em sua homenagem.

Quando do lançamento da revista Uncanny Avengers, unindo membros dos Vingadores e dos X-Men, a fusão Pym/Ultron foi um dos oponentes até ser derrotado na edição 12, embora ainda sobreviva.

No arco The Ultron Agenda, publicado na revista Tony Stark: Iron-Man 17 a 19, na passagem de 2019 para 2020, por Dan Slott e Christos Cage nos textos e Francesco Manna na arte, Ultron Pym cria um procedimento para fundir os seres humanos aos robôs e criar uma nova forma de vida, testando o procedimento no Magnum e Visão e no próprio Stark, que consegue curar a si e aos seus amigos. Mas o Homem de Ferro descobre que um dos efeitos da fusão é a morte do humano no processo, concluindo, portanto, que Hank Pym está morto há muito tempo, desde que foi fundido a Ultron. Estarrecido pela informação, Ultron Pym se rende.