Com a chegada da série Falcão e o Soldado Invernal, um público ainda maior irá dar atenção à dupla de protagonistas. Já vistos nos filmes do Capitão América e dos Vingadores, Sam Wilson e Bucky Barnes ganharão agora holofotes em cima de si para que suas histórias pessoais possam ser exploradas e saibamos mais sobre eles. Daí, muita gente quer saber sobre esses heróis em sua mídia original nos quadrinhos. E é isso o que fazemos aqui: apresentamos Falcão, sua história nos quadrinhos, seus criadores, seus principais artistas e suas maiores histórias. Em post futuros também abordaremos o Soldado Invernal, o Agente Americano (US Agent) e o Barão Zemo. Fique ligado!

Capitão América, Falcão e Pantera Negra.

FALCÃO

Embora não seja o primeiro super-herói afrodescendente a ser levado aos cinemas, o Falcão foi o primeiro deles a surgir nos quadrinhos. A Marvel sempre foi pioneira na inclusão de personagens negros em suas histórias, numa época em que os quadrinhos eram monopolizados pelos caucasianos. Já em 1963, a revista Sgt. Fury and his Howling Commandos, criada por Stan Lee e Jack Kirby, que trazia o personagem Nick Fury (ainda em sua versão caucasiana) e se passava nos tempos da II Guerra Mundial, já trazia um personagem negro, Cabe Jones. (O Comando Selvagem – sem Nick Fury – aparece em Capitão América – O Primeiro Vingador, lutando ao lado do Capitão América na guerra e Cabe Jones está lá).

O Comando Selvagem no filme do Capitão América: Cabe Jones está lá (dir.).

O primeiro super-herói negro dos quadrinhos foi o Pantera Negra, criado também por Lee e Kirby na revista do Quarteto Fantástico (especificamente em Fantastic Four 52, de 1966), porém, ele é africano mesmo, aliás, rei de uma nação da África, Wakanda. Em 1967, a revista do Homem-AranhaAmazing Spider-Man, produzida por Stan Lee e John Romita, ganhou um núcleo afrodescendente, com o editor de cidades do Clarim Diário Joe “Robbie” Robertson e sua família (o filho Randy estudava com Peter Parker).

A estreia do Falcão, em 1969. Arte de Gene Colan.

Mas faltava ainda o primeiro super-herói realmente afrodescendente, então, veio o Falcão, criado por Stan Lee e Gene Colan, em Captain America 117, de 1969. Segundo Colan contou numa entrevista publicada no volume Marvel Masterworks dedicado ao personagem que foi dele a ideia original de criar um super-herói negro na revista do Capitão América, porque ela era a mais indicada – por seu constante teor político – para abordar a questão dos direitos civis que sacudiam os Estados Unidos da época, pois Martin Luther King tinha acabado de ser assassinado. Lee, por sua vez, estava sempre disposto a dar um ar de vanguarda à Marvel e colocá-la no centro dos acontecimentos do mundo real.

Gene Colan: traço bonito e sombrio.

No fim dos anos 1960, os protestos sobre a Guerra do Vietnã e os direitos civis eram constantes e Stan [Lee], que sempre queria estar à frente das coisas, começou a colocar esses temas nos quadrinhos. Um dos maiores passos que demos nessa direção veio na [revista] Captain America. Eu sempre adorei desenhar pessoas de todos os tipos. Eu desenhei tipos muito diferentes de pessoas nas cenas que eu ilustrava, e amava desenhar o povo negro. Sempre achei a postura deles interessante e tanto da sua força, espírito e sabedoria escrita em seus rostos. Eu abordei Stan, segundo eu lembro, com a ideia de introduzir um herói afroamericano e ele topou na hora! Eu olhei em várias revistas afroamericanas e as usei como base de inspiração para trazer o Falcão à vida.

Colan é mais lembrado por seu longo trabalho na revista do Demolidor na mesma época e na revista de terror The Tomb of Dracula, nos anos 1970, mas teve passagens por várias outras da Marvel, como Capitão América e Vingadores. Ao lermos seu depoimento, chegamos a pensar que a ideia lhe ocorreu depois de uma célebre história do Demolidor (publicada em Daredevil 48, de 1968) na qual Matt Murdock ajuda um ex-combatente do Vietnã que é negro e cego e foi injustamente acusado de um crime, história que também realizou ao lado de Stan Lee e que o escritor sempre considerou como sua favorita.

Na trama de Captain America 117, o Caveira Vermelha se apossou do Cubo Cósmico (o Tesseract dos cinemas) e trocou de corpo com o Capitão América para humilhá-lo e deixou o herói em uma ilha “nos trópicos”. Lá ele conhece um afroamericano – Sam Wilson, antigo morador do Harlem, como se revela na edição seguinte – que vive lá e treinou uma águia selvagem como animal de estimação, batizada de Asa Vermelha (Redwing). Wilson foi contatado por um grupo de estrangeiros em busca de uma ave de rapina para caçar, mas terminou descobrindo que o grupo era de ex-nazistas associados ao Caveira Vermelha.

Capa de Captain America 126, por Jack Kirby e Bill Everett.

Steve Rogers o estimula a adotar um uniforme para inspirar os habitantes da ilha e lutar contra os Exilados e a dupla se une na empreitada. Depois que derrotam o Caveira Vermelha (Captain America 119), Sam retorna para o Harlem (edição 120), em Nova York, onde retoma sua carreira como assistente social para ajudar aos negros, mas após um intenso treinamento, continua sendo o Falcão, se tornando o parceiro de combate ao crime do Capitão América.

Captain America and the Falcon 134, de 1971: marco histórico. Arte da capa por Marie Severin.

O Falcão continuou a aparecer na revista, e Captain America 126, de 1970, ainda por Lee e Colan, explora pela primeira vez em detalhes as origens do personagem e seu background no Harlem. De volta de novo na edição 132, a dupla Capitão América e Falcão se tornou um time fixo e efetivo a partir de Captain America 133, em meio a uma trama contra MODOK e a IMA, de modo que a revista é rebatizada de Captain America and the Falcon a partir da edição 134, de fevereiro de 1971, ainda por Lee e Colan, o que fez de Sam Wilson o primeiro herói negro a ter seu nome como título de uma revista de super-heróis!

Uma curiosidade sobre o Falcão nessa primeira fase é que, além da cor verde e amarelo [Brasil?] (quando hoje ele é sempre associado às cores vermelha e branca), o Falcão não tinha asas nem voava. Embora já usasse Redwing como parceiro, o Falcão usava apenas habilidades atléticas e usava uma corda e rapel para escaladas ou se balançar entre edifícios, ao estilo de muitos heróis urbanos da época como o Demolidor ou Homem-Aranha (na versão teias) – e o Batman da DC Comics.

O novo uniforme do Falcão estreia na edição 144: criação de John Romita.

O Falcão ganhou seu visual mais conhecido – ou pelo menos a versão primeira dele – em Captain America and the Falcon 144, de 1971, das mãos de John Romita que tinha assumido a arte da revista 6 números antes. Famoso por seu trabalho no Homem-Aranha (é considerado o artista clássico por excelência do personagem), Romita já atuava como diretor de arte da Marvel e havia feito várias das capas da revista. Romita manteve a blusa aberta do design anterior, mas criou um novo esquema de cores com vermelho e branco, o que o tornava mais harmônico ao lado do Capitão América. Mas ainda não havia asas. O roteiro da época era por Gary Friedrick, que substituiu Stan Lee nos textos da revista.

Ao longo dos anos 1970, o Falcão se tornou o principal coadjuvante das histórias do Capitão América, particularmente nas clássicas temporadas de Steve Englehart e Sal Buscema e do escritor e desenhista Jack Kirby. Ao longo do tempo, a personagem serviu como catalisador para discussões sobre os problemas sociais dos Estados Unidos, em particular do bairro do Harlem, em Nova York. 

Na temporada de Steve Englehart, a mais célebre do Capitão América dos anos 1970, o Falcão ganhou dois incrementos que mudaram sua história.

O Falcão ganha suas asas na arte de Sal Buscema.

O primeiro foram as asas do Falcão, em meio à saga Império Secreto, na qual a dupla combate uma grande conspiração infiltrada nos altos escalões do Governo dos EUA. Na trama, face aos desafios de inimigos tão difíceis, Sam Wilson pede ajuda ao Pantera Negra, que usa a tecnologia de Wakanda para criar as asas que lhe permitem voar, que estreiam em Captain America and the Falcon 170, de 1974, com texto de Englehart e arte de Sal Buscema. Mas a capa e o design das asas foram criados por John Romita.

O Falcão (esq.) com o Capitão América e o Pantera Negra: dividindo os créditos principais. Arte de John Romita.

O segundo veio em Captain America and the Falcon 186, de 1975, Englehart e Buscema publicaram uma história que aprofundou as origens de Wilson, fazendo um leve retcon na qual o herói teria sido um criminoso na juventude, conhecido como Snap Wilson, mas terminou se transformando em um assistente social bondoso por meio da ação do Cubo Cósmico. Ainda que alguns elementos dessa história tenham ficado controversos – a mudança “mágica” da personalidade – escritores posteriores passaram a adotar uma versão mais realista dela: a de que Wilson foi encantado pelo crime na juventude, participando das gangues do Harlem, mas depois, adquiriu consciência social e terminou se tornando um assistente social.

Como se vê, nas HQs clássicas, Sam Wilson não tem o background militar que sua contraparte mais famosa nos cinemas.

Depois da fase aclamada de Englehart, o Falcão continuou a ter papel protagonista na fase em que Captain America and the Falcon foi escrita e desenhada por Jack Kirby, entre 1976 e 1978. Kirby fora o cocriador do Capitão América (lá atrás, em 1941 ao lado de Joe Simon).

Arte de John Buscema.

Em Captain America and the Falcon 217, de 1978, escrita por Roy Thomas e Don Glut e desenhada por John Buscema, quando Capitão América, Falcão e Nick Fury enfrentam uma grande ameaça à SHIELD, Fury tem a ideia de formar um esquadrão de super-agentes da SHIELD e o Falcão é convidado a tomar parte. Sam aceita e isso termina sua parceria de “tempo integral” com o Capitão após 10 anos de histórias conjuntas. Captain America and the Falcon aparece pela última vez na edição 222, e dali em diante, a revista volta a se chamar apenas Captain America.

Naquele tempo, a Marvel queria desvincular um pouco a imagem do Falcão da do Capitão América, de modo que o herói ingressou rapidamente nos Defensores, entre os números 62 e 64 de The Defenders, de 1978. Depois, o Falcão ingressou nos Vingadores pela primeira vez em Avengers 183, de 1979, permanecendo como membro efetivo até o número 194, de 1980.

O Falcão ganhou sua primeira aventura realmente solo em Marvel Premiere 49, de 1979, por Mark Evanier e Sal Buscema, numa história produzida para a revista Captain America, mas cujo editores acharam por bem publicar a parte, já que o personagem-título da revista não aparecia.

Enquanto continuava a fazer aparições na revista do Capitão América, o Falcão ganhou uma minissérie própria em 1983, escrita por Jim Owsley e desenhada por Paul Smith (edição 1) e Mark D. Bright (as restantes). A série é importante não somente porque foi a primeira história continuada totalmente focada em Sam Wilson, como também foi escrita por Owsley, que também era afroamericano e hoje assina suas histórias como Christopher Priest. Owsley criou um universo particular para o Falcão e a ideia era lançá-lo em uma revista solo caso a minissérie tivesse boas vendas, o que infelizmente não aconteceu.

Um elemento importante dessa história é que Owsley introduziu a ideia de que Sam era um mutante, o que o fazia poder se comunicar telepaticamente com Redwing e outras aves. O conceito ficou um pouco em aberto com o passar do tempo e a Marvel não parece segura de confirmar ou negar tal habilidade, preferindo mantê-lo oficialmente como apenas tendo um vínculo telepático com Redwing.

Ao longo dos anos 1980 e início dos 1990, continuou a aparecer esporadicamente nas aventuras do Capitão América como um coadjuvante e voltou a ser membro dos Vingadores, na revista Avengers (vol. 03) 01 a 03, pela dupla Kurt Busiek e George Perez, que criaram uma história em que uma grande ameaça mística força os Vingadores a convocar todos os heróis que tinham feito parte do time ao longo dos anos.

Mas Sam Wilson voltaria não muito tempo depois a se tornar novamente um membro efetivo dos Vingadores, a partir de Avengers (vol. 3) 57, de 2002, por Geoff Johns e Kieron Dwyer. Na trama, que se estendeu até a edição 70, de 2003 (já com arte de Oliver Coipel), os Vingadores estão atuando comissionados pela ONU e novamente monitorados por Henry Gyrich, mas o Secretário de Defesa dos EUA, Dell Rusk quer espionar e expor os Vingadores, e a ação conjunta de Falcão e Gyrich termina por revelar que Rusk é, na verdade, o Caveira Vermelha, que é detido pela equipe.

Quando se iniciou o arco Vingadores: A Queda, em 2004, a Feiticeira Escarlate sofreu secretamente um surto psicótico e mobiliza uma ação contra seus parceiros. Uma das ações dela, que é capaz de alternar a realidade, foi devolver a personalidade de Snap Wilson para o Falcão, o que tornou a relação dele com o Capitão América bastante difícil, como explorado na nova revista Captain America & The Falcon, publicada em 14 números, entre 2004 e 2005, com roteiros de Christopher Priest e arte de Bart Sears e depois de Dan Jurgens, combatendo inimigos como o Anti-Cap, que morre na última edição.

Os eventos da série mostravam a relação de Steve e Sam se deteriorar em problemas, mas a Marvel preferiu não seguir adiante com esse plot. Uma vez que a trama se encerrou, a editora relançou a revista como Captain America (vol. 5) 01, iniciando a aclamadíssima fase escrita por Ed Brubaker e desenhada por Steve Epting que deu origem ao arco O Soldado Invernal, que introduziu a nova versão de Bucky Barnes.

O Falcão (esq.) e o elenco de apoio do Capitão América de Brubaker e Epting.

Sam Wilson retornou em Captain America (vol. 5) 12, de 2005, sem retomar os elementos da trama anterior. Dali em diante, o Falcão voltou a ser um membro fixo do elenco do Capitão América, ao mesmo tempo em que atuava como um tipo de apoio aos Novos Vingadores.

O Homem-Aranha é crucial à Guerra Civil.

Então, veio a Guerra Civil, quando após uma tragédia que custou a vida de 600 pessoas o Governo dos EUA declara a Lei de Registro dos Superseres, na qual os heróis devem revelar suas identidades e se tornarem agentes especiais do governo. Capitão América é contra a lei, porque ela fere os direitos civis; o Homem de Ferro é a favor, porque acha que precisa responsabilizar quem tem poderes. Tendo em vista que a lei preconiza prender quem se opõe e declará-lo ameaça nacional, se resulta numa guerra entre os heróis, com o Tony Stark reunindo um grupo de Vingadores para caçar seus ex-companheiros rebeldes liderados por Steve Rogers. Sam Wilson, claro, é o primeiro a se unir ao lado do Capitão, como vemos na minissérie Civil War, de Mark Millar e Steve McNiven, publicada em 7 partes entre 2006 e 2007.

No fim das contas, após uma acirrada batalha que resulta até em mortes, além de destruição, o Capitão percebe que não vale à pena prosseguir com o confronto e se entrega. As consequências da saga, claro, reverberaram nas demais revistas da Marvel, e Captain America (vol. 5) 25, por Brubaker e Epting, mostra Steve Rogers indo a julgamento por seus “crimes” e sendo morto por um atirador misterioso nas escadarias do tribunal nos braços da namorada, a agente da SHIELD Sharon Carter.

New Captain America by Alex Ross
Buck Barnes se torna o Novo Capitão América: visual criado pelo artista Alex Ross.

No arco que se segue entre as edições 26 e 34, de 2007 a 2008, Sharon Carter, Bucky Barnes e Sam Wilson se unem para investigar a morte do amigo e terminam descobrindo uma conspiração liderada pelo Caveira Vermelha. No processo, Barnes se torna o novo Capitão América, herdando o escudo de seu amigo, e se mantendo um fora da lei ao lado dos Novos Vingadores.

Depois da saga O Cerco e do Retorno do Capitão América (que não tinha morrido, mas jogado num limbo espaço-temporal), em 2010, os heróis se reúnem após a cisão da Guerra Civil, e se dá início à chamada Era Heroica. Por um tempo, mesmo com Steve Rogers de volta, Barnes continua sendo o Capitão América, enquanto Rogers se ocupa de liderar a SHIELD e os Vingadores Secretos, mas no fim, ele retorna ao seu posto oficial e com o Falcão ao seu lado, em Captain America (vol. 6) 07, de 2012, ainda escrita por Ed Brubaker, mas desenhada por Alan Davis.

Em seguida, a revista Captain America (vol. 7) passa ao comando do escritor Rick Remender ao lado do desenhista Carlos Pacheco, continuando a pegada de tratar o Capitão América de modo maduro e mostrando-o como um homem consciente de que o patriotismo levado ao extremo vira fanatismo e que a xenofobia é um grande mal, porque os Estados Unidos foram construídos por imigrantes. Sam Wilson continua a ser a visão das ruas como complemento dessa visão.

Em Captain America (vol. 7) 24, de 2014, Steve Rogers é desprovido do Soro do Supersoldado e envelhece para se tornar um ancião, então, cabe ao Falcão derrotar o vilão Arnim Zola. Na edição seguinte, há uma espécie de debate sobre quem deve ser o novo detentor do manto do Capitão, já que Rogers está incapacitado, e a honra recai sobre Sam Wilson.

O Falcão como Capitão América.

Tem-se início All-New Captain America 01, ainda por Rick Remender e com arte de Stuart Immonen, com Sam Wilson como o novo Capitão América, em histórias muito boas nas quais o autor explora a reação do público a um homem negro ocupando tal cargo, falando de racismo, intolerância e mais.

Homenagem aos 75 anos do Capitão América mimetizando a capa da primeira revista, de 1941.

Ao lado de Misty Knight, Sam combateu muitas ameaças, como a HIDRA e o Barão Sangue e também fez parte da nova encarnação dos Vingadores (publicada na revista All-New, All Diferent Avengers). Como a Marvel passou a adotar a estratégia de zerar a numeração de suas revistas a cada par de anos, Sam estrelou a nova Captain America: Sam Wilson, a partir de 2016, agora com roteiro de Nick Spencer, e naquele ano em que foi comemorado os 75 anos do Capitão América, celebrados na capa da edição 07.

Na edição 09, Kobic (um Cubo Cósmico consciente) trouxe Steve Rogers de volta à sua condição normal de supersoldado, mas tal qual fizera com Bucky Barnes no passado, Steve prefere que Sam permaneça como Capitão América.

As histórias de Spencer exploraram a difícil situação de Sam como um Capitão que enfrenta aberta oposição de uma parcela da população e enfrenta a organização Americops de cunho fascista, resultando no arco do vigilante Rage – um esquecido personagem resgatado dos anos 1990 – que age no Harlem e termina sendo preso e processado por puro racismo. Essa cadeia de eventos faz com que Sam tenha sua fé nos EUA abalada e ele opta por deixar de ser o Capitão América em Captain America: Sam Wilson 21, de 2017, por Spencer e Daniel Acuña, numa capa que remete à celebre ilustração de John Romita dos anos 1970, quando Steve Rogers fez o mesmo.

Em seguida, veio a saga Império Secreto (sim, repetindo o título da outra dos anos 1970), no qual Steve Rogers é substituído por uma versão fascista de uma realidade alternativa por Kobic, os heróis da Marvel precisam enfrentar o horror de um Capitão América vilanesco, mas depois, o verdadeiro Rogers é resgatado e elimina o farsante.

Enquanto isso, Sam Wilson voltou a ser o Falcão e ganhou sua primeira revista solo com esse nome, chamada de The Falcon (vol. 2), por causa do copyright da minissérie dos anos 1980, que estreou em outubro de 2017, com roteiro de Rodney Barnes e arte de Joshua Cassandra.

Passando por décadas de histórias publicadas, apesar de comumente um coadjuvante das histórias do Capitão América, o Falcão se mostrou como um personagem de grande mérito e um nome importante dentro dos heróis urbanos, conhecido por seu comprometimento à causa dos negros e um homem que, a despeito de poder voar por causa de suas asas mecânicas, sempre manteve os pés no chão.