Segundo o ShowBizz-411, a nova cinebiografia do ex-membro dos Beatles, John Lennon está com o roteiro finalizado e entrando em pré-produção. O texto é de autoria de Anthony McCarten, que escreveu o arrasa-quarteirão Bohemian Rhapsody sobre Freddie Mercury e o Queen.

O site diz que o filme ainda não tem título e nem um diretor escolhido – ainda que Dexter Fletcher, do sucesso Rocketman sobre Elton John (e que também finalizou Bohemian Rhapsody após o diretor original Bryan Singer ter sido demitido por causa das acusações de abuso sexual que enfrenta na justiça) seja mencionado como uma das possibilidades.

A trama do longa, aparentemente, se focará principalmente na carreira solo de John Lennon, embora seu período com os Beatles será mencionado, inclusive, com a presença de 5 canções-chave dos Beatles na trilha sonora. A fonte do site também afirma que haverá ênfase no “fim de semana perdido” de Lennon, período em que se separou da esposa Yoko Ono e abusou de drogas e álcool em Los Angeles, se metendo em algumas enrascadas. Inclusive, que o roteiro lança uma luz positiva sobre May Pang, a namorada que acompanhou Lennon no período e que foi uma presença protetiva sobre o músico.

Os próximos passos serão escolher um diretor para a película e um astro para viver Lennon. Notícias anteriores diziam que a direção seria de Jean-Marc Vallée (dos aclamados Clube de Compras Dallas e Livre, e criador das séries Big Little Lies e Sharp Objects), mas o reporte do ShowBizz-411 diz que não há diretor associado ao projeto.

Ainda que cobrir uma vida inteira seja um grande desafio – uma questão que atrapalha o desenvolvimento narrativo de obras célebres desse filão como Ray (sobre Ray Charles) e Johnny & June (sobre Johnny Cash) – a ideia de um filme usando a linguagem “moderna” adotada por Bohemian Rhapsody e Rocketman sobre Lennon é bastante promissora.

Aaron Taylor-Johnson como John Lennon em Nowhere Boy.

Aliás, apesar do sucesso e do prestígio de Lennon, essa será a primeira vez que Hollywood irá realmente criar uma cinebiografia sobre um dos maiores compositores da história da música. Apesar de já ter sua história contada em outras produções cinematográficas, isso nunca ocorreu em uma superprodução de Hollywood. John & Yoko – Uma História de Amor (focada no relacionamento do casal) foi um filme feito para a TV e empreitadas recentes e bem-sucedidas como Os Cinco Rapazes de Liverpool (Backbeat, de 1994), focado no baixista Stu Sutcliffe (que ingressou a banda antes do sucesso), e O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy, de 2012), sobre a adolescência de Lennon (e incluindo a origem dos Beatles), foram produções de orçamento médio para pequeno produzidas na Inglaterra natal.

O filme sem título é produzido com o aval do espólio dos Beatles e suas famílias, o que lhe dá acesso irrestrito ao material musical da banda para compor a história.

Recentemente, os Beatles ganharam notoriedade pela série do Disney+ The Beatles: Get Back, que narra em 8 horas de duração as gravações do álbum Let it Be, em 1969, o que inclui também o último concerto do grupo, no telhado do prédio da gravadora deles, a Apple Records. A seção do show, inclusive, foi editada e lançada nos cinemas no início desse ano, como The Beatles: O Último Show.

Os Beatles ao vivo em 1964: McCartney, Starr, Harrison e Lennon.

John Lennon nasceu em Liverpool, na Inglaterra, em 09 de outubro de 1940, e fundou os Beatles como uma banda de garagem junto aos colegas de sua escola, quando tinha 16 anos de idade. Gradativamente, os membros originais foram saindo e ingressando Paul McCartney (em 1957), George Harrison (em 1958) e Ringo Starr (em 1962). Lennon e McCartney se notorizaram como uma dupla de compositores e a banda lançou seu primeiro disco em 1962, paulatinamente se tornando um sucesso na Grã-Bretanha, na Europa, nos Estados Unidos e no mundo, em meio à chamada beatlemania. Ao longo dos anos 1960, os Beatles foram a banda de maior sucesso, prestígio e influência, se tornando um dos maiores fenômenos culturais da história.

John Lennon performing Instant Karma on Top Of The Pops, with publicist BP Fallon holding tambourine on far left, Yoko Ono wearing blindfold and bassist Klaus Voorman back centre, 11th February 1970. (Photo by Ron Howard/Redferns)

A banda se separou em 1970, e cada um de seus membros teve uma carreira solo de sucesso. Lennon uniu forças com a esposa Yoko Ono (com quem se uniu em 1968) numa série de experimentos artísticos de vanguarda e posicionamentos políticos de esquerda, que lhe valeram antipatia da imprensa e de setores conservadores da sociedade. Ainda assim, foi bastante bem sucedido na música, com álbuns de destaque, como Plastic Ono Band (1970) e Imagine (1971).

Mudando-se para Nova York, nos Estados Unidos, em 1972, fugindo da perseguição da imprensa implacável britânica, Lennon sofreu intensa perseguição do Governo dos EUA, que tentava deportá-lo sob a alegativa de uma prisão por porte de drogas em 1968 (mas na verdade, como revelaram documentos do FBI mais tarde, porque o governo conservador de Richard Nixon temia sua influência sobre a juventude). Foram necessários quatro anos de batalhas judiciais até que Lennon garantisse o visto de permanência no país, em 1976.

Elton John e John Lennon no palco do Madison Square Garden, em 1974.

Antes disso, toda a pressão do sucesso e da ameaça de deportação – com o FBI lhe seguindo o tempo inteiro e grampeando seu telefone – o casal Lennon-Ono chegou a se separar em 1973 e passaram 18 meses distantes, com Lennon indo para Los Angeles, a meca da música mundial na época, e vivendo o chamado “final de semana perdido”, numa fase de muitos excessos, mas também de colaborações com outros artistas, como Elton John, David Bowie e Harry Nilsson. Essas parcerias renderam dois primeiros lugares nas paradas, com Whatever get’s you through the night (com Elton John) e Fame (com David Bowie), em 1974 e 1975, respectivamente, e o álbum Wall & Bridges (1974), bem recebido por público e crítica.

Após se reconciliar com Yoko, em 1975, e ver o nascimento do único filho do casal, Sean, Lennon decidiu deixar a música de lado e passou cinco anos como um “dono de casa”, dedicado a criar o filho, numa forma de compensar a sua ausência na criação do primeiro filho, Julian (fruto do casamento com Cynthia Powell), que nascera em 1963. Lennon só retornou à música em 1980, com o lançamento do álbum Double Fantasy, no qual divide as faixas com Yoko, mas não pôde colher os frutos: ele foi assassinado por um fã com distúrbios mentais em 08 de dezembro de 1980, aos 40 anos.

Ono e Lennon na época de Double Fantasy.

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