Esta semana a editora Marvel Comics anunciou oficialmente em seu site e redes a mudança de sua liderança: sai o veterano Dan Buckley e entra Brad Winderbaum, que anteriormente liderava a Marvel TV, e agora, vai acumular ambas as funções.

Segundo o comunicado, Brad Winderbaum será o Head of Marvel Television, Animation, Comics & Franchise, ou seja, Diretor da Marvel Televisão, Animação, Quadrinhos e Franquias, um cargo novo reunindo a maior parte das produções da marca, exceto o cinema, que continua centralizado no Marvel Studios, presidido por Kevin Feige, que é o Diretor de Criação da Marvel Entertainment, ou seja, está acima de Winderbaum, que responde diretamente a ele.

Brad Winderbaum agora comanda também a Marvel Comics.

Winderbaum começou seu trabalho na empresa nas equipes de produção do Marvel Studios, ainda na época do primeiro filme autônomo do estúdio, Homem de Ferro (lançado em 2008), e desde 2019 dirigia a Marvel TV após a saída de Jeph Loeb, após o término da parceria entre a Marvel TV e a Netflix – que foi motivada pelo fato da Disney lançar seu próprio streaming em concorrência à tradicional pioneira desse setor – e foi o responsável pela criação das séries vinculadas ao MCU no pós-Ultimato, como Loki, WandaVision, Cavaleiro da Lua, de desenhos como What’s If, X-Men ’97 e Marvel Zumbies, e da retomada dos personagens da Era Netflix em Demolidor – Renascido. Elogiado por seu trabalho, o executivo agora migra para comandar os quadrinhos da Marvel, em substituição a Dan Buckley.

Buckley é um veterano da Casa das Ideias, estando por lá há 30 anos, atuando primeiro como editor – responsável por HQs históricas como Guerra Civil – e que depois subiu os degraus da empresa até ser o Diretor da Marvel Comics por um bom punhado de anos. Não foram dados motivos ao seu desligamento, mas Feige – na prática, o chefão da Marvel – teceu elogiosos comentários à sua gestão.

Colocar Winderbraum à frente da Marvel Comics sinaliza a maior vinculação entre as franquias e mais proximidade entre essas mídias (TV, animação) senão em narrativas diretas, pelo menos em tom ou conexão. Unir tudo (quadrinhos, TV etc.) sob o mesmo teto criativo passa a mesma impressão, ao mesmo tempo em que aparece como um tipo de economia para a Disney, fundindo departamentos que, historicamente, estiveram separados. É uma missão difícil, com muita coisa para dar conta, mas é uma tendência, pois a Distinta Concorrente já adotou esse modelo concentrado há alguns anos, colocando o artista Jim Lee como Presidente da DC Comics, Diretor Criativo e Chefe de Criação da DC Comics, além de publisher da editora.

Para auxiliar diretamente o novo trabalho de Winderbraum, chega (vindo da Disney Music Group) David Abdo, que assume o cargo de General Manager, Comics & Franchise, ou seja, Gerente Geral de Quadrinhos e Franquias, reforçando a ideia de maior conexão entre esses campos.

O editor-chefe da Marvel Comics, C.B. Cebulski, que lidera a redação da criação de HQs, continua no cargo.

Não foram dados motivos à mudança, como dito, porém, não parece ser coincidência a Marvel Comics ter perdido espaço nas vendas nos últimos anos, cedendo cada vez mais espaço à DC Comics, que não somente explodiu em vendas com a nova linha Absolute (uma versão alternativa dos heróis), mas também inovou ao adotar (de modo oficial) o chamado “formato de bolso”, uma abordagem nova para comics americanos, já que as HQs de tamanho reduzido eram comuns no mercado europeu (como no Brasil, também, com o infame “formatinho”), mas não nos EUA. Há alguns anos atrás, a DC aderiu ao chamado Pocket e lançou uma linha de HQs especiais (suas obras mais famosas e vendidas, como Watchmen, Reino do Amanhã, Batman: Silêncio etc.) no mercado mundial (Europa e Brasil inclusos), e o sucesso os motivou a lançá-lo de modo inédito nos EUA, sendo um grande sucesso de vendas por lá. A Marvel dormiu no ponto e somente há pouco tempo aderiu ao formato (na Europa e já está chegando ao Brasil, também), mas ainda não nos EUA, perdendo essa fatia de mercado.

Talvez a Marvel esteja pensando em mudar sua estratégia de publicação, formato e algumas decisões criativas na busca de impulsionar o mercado e recuperar o terreno perdido para a Distinta Concorrente, quando já há décadas, exceto momentos pontuais, a Casa de Ideias é a líder em vendas do mercado.

Porém, a Marvel é líder do mercado de revistas mensais e cada vez mais esse formato perde força em favor da venda de encadernados, coletâneas de HQs que atraem também um público “menos fiel”, menos assíduo à compra de HQ, uma fatia que tem o potencial de cativar até leitores ocasionais ou simplesmente consumidores de livros, que podem se encantar em comprar um livro contendo a íntegra de Watchmen ou de Batman: A Piada Mortal. O mercado de encadernados é de longe liderado pela DC, que tem um bom conjunto dessas obras vendendo de modo contínuo, ano após ano, como essas citadas ou Batman: Ano Um e coisas do tipo. A maioria desses histórias funciona de modo isolado, e um leitor casual pode lê-las e compreendê-las sem precisar revisar décadas de cronologia, o que é mais difícil em obras adaptadas de arcos das revistas mensais, como Batman: Silêncio, ou para citar o campo da Marvel propriamente dita, Guerra Civil, Capitão América: O Soldado Invernal, Novos Vingadores: Motim ou Invasão Secreta.