
Atenção! Este texto está carregado de spoilers! São fatos que ainda não foram publicados no Brasil. Por isso, só leia se não se importar em ficar sabendo de eventos que só sairão nas revistas brasileiras daqui há cerca de um ano.
Vazou na internet o aguardado (e polêmico) final da revista Amazing Spider-Man 700, que publica as histórias do Homem-Aranha e será lançada nos EUA no dia 26 de dezembro próximo e promete uma grande mudança na vida do personagem mais popular da Marvel Comics. A edição além de comemorar a alta numeração é a data oficial de celebração dos 50 anos do personagem completados em agosto último. Segundo o site Bleeding Cool, um anônimo conseguiu comprar clandestinamente uma cópia da edição 700 e a colocou à venda – por US$ 50,00 – no eBay.
O site especula que as edições vazaram de dentro da própria Marvel, analisando onde o vendedor do eBay afirmou tê-la conseguido – uma estação de metrô que faz uma linha próxima à sede da empresa em Nova York.
O escritor Dan Slott, o principal do Homem-Aranha nos últimos anos, já havia prometido uma história muito polêmica. E cumpriu.

Os spoilers a seguir são grandes, portanto, se não quiser saber de nada, não leia. Você foi avisado!
Em Amazing Spider-Man 698, descobrimos que o vilão Dr. Octopus havia conseguido transferir sua mente para o corpo do Homem-Aranha, enquanto Peter Parker ficava preso no moribundo corpo do Dr. Otto Octavius, que está à beira da morte.
Em Amazing Spider-Man 700, o Sexteto Sinistro – grupo que reúne os principais vilões do Aranha e foi criado pelo próprio Octopus muitos anos atrás – invade o hospital-prisão em que o Dr. está acamado e o libertam, sem saber que é Peter Parker quem ocupa o corpo. Eles seguem até um confronto com o Homem-Aranha (na verdade, Octopus).
No confronto, Octopus-no-corpo-do-Aranha dá um soco que arranca o queixo do Escorpião e isso causa uma grande impressão em todos. Inclusive nele próprio.
No fim das contas, o Homem-Aranha descobre que Octopus sempre quis ser um herói uniformizado (!) – isso mesmo, é isso que você está lendo – e faz o vilão jurar que fará um bom uso de sua nova condição. Assim, Peter Parker morre no corpo de Octopus e o vilão prossegue no corpo do Homem-Aranha e será o Homem-Aranha Superior, que estreia a nova revista Superior Spider-Man em janeiro.

Bem, o que dizer de uma coisas dessas?
Não é de hoje que a Marvel vem colocando o Homem-Aranha nas situações mais esdrúxulas dos quadrinhos modernos. A lista começa nos anos 1990 e é longa: A Saga do Clone; o Homem-Aranha totem de Straczynski; a polêmica Norman Osborn x Gwen Stacy; o herói renascer de dentro de uma aranha gigante (nem pergunte…); o pacto com Mefisto que acabou com o casamento com Mary Jane Watson etc.

Ninguém pode culpar a Marvel de não experimentar com seu personagem mais popular, entretanto, a maior crítica à maioria desses empreendimentos é que são feitos meramente para chamar a atenção da grande mídia e, com isso, atrair novos leitores que não sejam os atuais. Mas a tática é sempre realizada de um modo que enfureça os leitores atuais, que não raro abandonam as revistas, de modo que o tiro sai pela culatra.
Neste caso, todo mundo sabe que Peter Parker será trazido de volta à vida – e seu corpo – de alguma maneira, mas o alarde que a Marvel faz disso, como uma grande mudança e até o lançamento de uma nova revista chamada Superior Spider-Man, termina transformando tudo em um mero golpe publicitário sem sentido.
Nada contra dar uma sacudida no status quo de um personagem. É assim que se cria grandes histórias. Mas elas têm que ser bem-feitas, inovadoras e terem sentido.
Quando Gwen Stacy foi morta, em 1973, houve um grande clamor dos leitores em quadrinhos. Todos queriam a personagem de volta. Ninguém queria aquela mudança e reclamaram. Com o passar do tempo, tal evento se tornou o ponto central da cronologia do Homem-Aranha, além de uma decisão editorial acertada – afastar uma personagem meio inócua e dar espaço a uma outra mais forte (Mary Jane) – e mesmo ser um dos marcos de passagem da Era de Prata para a Era de Bronze dos quadrinhos.
Mas essa foi uma história bem-feita, com sentido, um bom roteiro e uma arte maravilhosa, que se desenvolveu no futuro e foi bem aproveitada por artistas subsequentes.
Não é o caso da maioria dos outros “grandes eventos” citados acima. E será deste novo?
(Saiba mais sobre as polêmicas histórias do Homem-Aranha pós-1990 clicando aqui, no especial do HQRock sobre a história do Homem-Aranha nos quadrinhos).
O Homem-Aranha foi criado por Stan Lee e Steve Ditko em 1962, na revista Amazing Fantasy 15, da Marvel Comics. Ele é publicado até hoje na revista Amazing Spider-Man e outras e também é membro dos Vingadores.


Nossa, tá pior do que imaginava.. mas pensando bem, depois de ler seu retrospecto dos últimos 10 ou mais anos do Aranha tá na média de ruindade, acho.. porém é como vc disse, “com sentido, um bom roteiro e uma arte maravilhosa” a gente embarca em qualquer idéia, o problema é que uma equipe criativa como Slott/Ramos não faz nem a unha do pé de Conway/Kane/Romita …
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Concordo 100%, Jorge.
É isso aí!
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