Brian Jones: primeira grande vítima das drogas no rock.
Brian Jones: primeira grande vítima das drogas no rock.

O dia 03 de julho é uma data triste para o rock. Em 1969, morreu neste dia o multiinstrumentista e fundador dos Rolling Stones, Brian Jones. E em 1971, na mesma data, morreu Jim Morrison, o cultuado vocalista da banda The Doors. O HQRock já produziu um post sobre a morte de Morrison (leia aqui), por isso, hoje iremos tratar de Brian Jones.

Figura algo bizarra no rock, Brian Jones por vezes é esquecido do grande público, mas possui uma importância tremenda à história do rock. Primeiramente, foi ele quem fundou os Rolling Stones. Apenas isso já lhe daria importância histórica, mesmo que não tivesse feito mais nada. Mas ele fez.

Nos primeiros tempos, Jones foi o líder dos Stones, até ter a posição disputada e tomada por Mick Jagger, o “seu” vocalista. Além disso, Jones também é marcante por ter sido um músico de extrema sensibilidade musical, capaz de tocar vários instrumentos diferentes. Tal habilidade foi muito útil quando a banda enveredou pelas trilhas psicodélicas, cabendo a ele o papel de transmutar a sonoridade em cores, por meio de texturas totalmente inesperadas de flautas, teclados estranhos, cítaras, instrumentos medievais e até uma marimba. Tudo isso em modo rock and roll.

Em homenagem a esse grande músico atormentado, o HQRock traz um rápido vislumbre de Brian Jones, o Rolling Stones esquecido.

Vida

Brian Jones em sua única fase inocente.
Brian Jones em sua única fase inocente.

Lewis Brian Hopkin Jones nasceu na cidade de Cheltenham, na Inglaterra, em 1942, filho de um engenheiro da marinha e uma dona de casa. Criado em um ambiente de classe média (ao contrário dos futuros colegas Mick Jagger e Keith Richards, advindos da classe trabalhadora), a música lhe foi incentivada desde cedo. Seu pai Lewis Jones tocava piano e órgão e liderava o coro da igreja local, e sua mãe Louise, dava aulas de piano em casa.

Desse modo, o piano foi o primeiro instrumento do jovem Brian que teve lições de sua mãe, mas desenvolveu-se inicialmente sozinho no complexo instrumento. Aos 15 anos, encantado com o jazz que ouvia nos discos do pai, Brian ganhou um saxofone de presente, que também aprendeu rapidamente de maneira autodidata. Foi somente aos 17 anos que ganhou sua primeira guitarra acústica, aprendendo facilmente a tocá-la.

Brian Jones bem no início, ainda com os cabelos curtos.
Brian Jones bem no início, ainda com os cabelos curtos.

Brian Jones também teve problemas sérios na escola, pois simplesmente não admitia figuras de autoridade, o que lhe transformou em um “garoto problema”. Contudo, seu QI era de 135, o que fazia ter notas excelentes mesmo sem estudar praticamente nada. Terminou saindo da escola aos 17 anos, em 1959, quando sua namorada ficou grávida e teve um filho. Jones fugiu de casa e rumou para a Europa Oriental, onde viveu algum tempo como músico de rua, tocando violão em troca de moedas até voltar à Inglaterra no ano seguinte.

Brian (esq.) é o destaque na capa do primeiro álbum dos Stones, em 1964.
Brian (esq.) é o destaque na capa do primeiro álbum dos Stones, em 1964.

Engravidar moças era outro talento de Brian. Quando os Rolling Stones fizeram sucesso mundial em 1965, ele já tinha tido cinco (!) filhos. A maioria terminou sendo dada à adoção, enquanto um foi criado por outra família (a moça era casada e o marido aceitou a criança) e um chegou a tentar criar junto com a mãe, terminando, depois por se separar.

Instalando-se em Londres, em 1960, Brian Jones envolveu-se profundamente com a forte cena de R&B da cidade. Inicialmente, se apresentava em um clube de blues, mas sua mania de roubar dinheiro terminou levando-o à demissão. Em seguida, ingressou na lendária banda The Blues Incorporated, liderada por Alexis Korner, na qual tornou-se o primeiro guitarrista britânico a dominar a técnica do slide guitar, muito usada no blues. O slide consiste em usar um dedal de vidro ou metal para arrastar nas cordas e promover um som agudo e arrepiante. A técnica era a marca do bluesman Elmore James, de modo que durante um tempo, Brian usou o nome artístico de Elmo Jones.

No início, Brian era o centro dos Stones.
No início, Brian era o centro dos Stones.

Além de Korner e Jones, a banda tinha o pianista Nick Hopkins (que tocaria bastante com os Stones no futuro) e a dupla Jack Bruce no baixo e Ginger Baker na bateria (que ficariam mundialmente famosos na banda Cream, ao lado de Eric Clapton).

Paralelamente ao Blues Incorporated, Jones se uniu ao vocalista e gaitista Paul Jones (sem nenhum parentesco) e fundou a banda The Roosters, em 1962. Um ano depois, os dois Jones deixaram o grupo e Brian foi substituído por um juveníssimo Eric Clapton, em sua primeira experiência de banda).

Também em 1962, Brian Jones conheceu um trio de garotos que tocavam juntos de vez em quando: Mick Jagger nos vocais, Keith Richards na guitarra e Dick Taylor no baixo. Jones conseguiu que Jagger e Richards fizessem participações especiais nas apresentações do Blues Incorporated, que era aberto a vários membros ao mesmo tempo. Em seguida, Jones teve a ideia de formar uma banda com aqueles garotos, batizando-a de The Rolling Stones.

Não apenas foi dele a iniciativa de fundar o grupo, como Jones também era o líder incontestável do conjunto, sendo o responsável por agendar shows e fazer contratos. Isso traria problemas futuros, porque o músico tinha o mal costume de roubar dinheiro ou “enrolar” os companheiros de banda, garantindo parcelas e pagamentos maiores para si mesmo.

Os Rolling Stones fizeram seu primeiro show no Marquee Club de Londres, em 12 de julho de 1962, data que foi comemorada no cinquentenário do grupo no ano passado.

Em 1963, o grupo atingiu sua formação original oficial, com as entradas de Bill Wyman no baixo e Charlie Watts na bateria. No mesmo ano, lançaram os primeiros compactos e começaram a fazer um pequeno sucesso.

Sucesso com os Stones e declínio pessoal

Brian Jones gostava de guitarras diferentes.
Brian Jones gostava de guitarras diferentes.

Na medida em que o sucesso dos Rolling Stones ia aumentando nos clubes, o comportamento errático de Jones, sempre exagerando na bebida e outras substâncias, começou a afastá-lo dos outros membros. Ao mesmo tempo, sua grande habilidade musical fazia com que impulsionasse o grupo para frente, tocando guitarra slide e gaita, instrumento que aprendeu após ver Mick Jagger tocá-la, tornando-se ainda melhor do que aquele no instrumento.

Após os primeiros sucessos com covers de R&B, blues e rock, os Stones começaram a criar composições originais por meio de Mick Jagger e Keith Richards, algo que foi praticamente imposto pelo novo empresário da banda, Andrew Loog Oldham, alguém que também batalhou para que o poder de Jones dentro da banda diminuísse em favor da influência de Jagger. E isso ocorreu.

Apesar da grande habilidade musical, Jones não era bom em composições e não tinha a disciplina e a concentração o suficiente para fazê-lo. Assim, quando as composições de Jagger & Richards se tornaram o carro-chefe dos Stones, a partir de 1965, Jones começou a ficar em uma posição incômoda dentro do grupo.

A formação inicial dos Rolling Stones no Programa Ed Sullivan em 1966.
A formação inicial dos Rolling Stones no Programa Ed Sullivan em 1965.

Inicialmente, Jones se esforçava para criar arranjos de guitarra interessantes para as primeiras composições da dupla – como se vê nas guitarras de Tell me e no riff sensacional de The last time – contudo, com o passar do tempo perdeu o interesse e começou a simplesmente negligenciar sua função em tais canções, o que obrigou Keith Richards a ir para a linha de frente das guitarras.

Quando os Stones entraram na onda psicodélica, em 1966, Jones ficou bastante infeliz, por não gostar daquele direcionamento musical. Paradoxalmente, contribuiu de maneira decisiva para aquilo quando trocou a guitarra por uma lista infindável de instrumentos exóticos que mudaram a cara do som dos Stones. Para ele isso era um tipo de boicote, mas para a banda significou uma adesão sonora impressionante.

Brian Jones e sua cítara: tons piscodélicos.
Brian Jones e sua cítara: tons piscodélicos.

O álbum Aftermath, de 1966, traz Jones tocando marimba em Under my thumb, um solo de gaita de vários minutos em Goin’ home, um saltério em Lady Jane, além da cítara no compacto Paint it black. Pouco depois, criaria um lindo arranjo de flauta para a balada Ruby tuesday, de 1967, e o marcante mellotron (um tipo de órgão) em She’s a rainbow, do álbum Their Satanic Majesties Request, do mesmo ano.

Quando os Stones abandonaram a psicodelia e se voltaram para uma sonoridade mais folk e blues, em 1968, Jones já estava profundamente afetado pelas drogas e não conseguia se interessar pela banda por muito tempo. Continuava a tocar instrumentos exóticos de vez em quando, ou então, se contentava em fazer apenas a percussão – como as marracas em Sympathy for the devil. Mais raro, tocava um violão discreto. O álbum Beggars Banquett traz o último destaque instrumental de Jones nos Rolling Stones quando faz um arranjo de arrepiar no slide guitar em No expectation.

No início das gravações do álbum Let it Bleed, em 1969, as ausências nos ensaios e gravações chegaram a um ponto limite, de modo que Jones foi demitido e substituído pelo jovem guitarrista de blues Mick Taylor.

O Rei da Swing London

Brian JOnes: rei da swing London.
Brian JOnes: rei da swing London.

Antes de seu total declínio, Brian Jones viveu um período de megaastro mundial do rock. Se por um lado, ele não gostava muito da música psicodélica dos Stones, era um grande afã da cultura psicodélica em geral. Vindo da classe média, Jones sabia se vestir bem e com o advento da moda jovem da Carnaby Street e as peças coloridas e exuberantes da chamada Swing London, o movimento cultural que tornou a capital britânica o centro da moda e cultura juvenil de meados dos anos 1960, o multiinstrumentista se transformou em uma figura central do movimento.

Brian e Anita Pallenberg: o casal queridinho da Swing London.
Brian e Anita Pallenberg: o casal queridinho da Swing London.

Essa condição aumentou mais ainda depois que se envolveu com a belíssima atriz e modelo alemã Anita Pallenberg, uma das maiores musas da época, em 1965. O casal se transformou no epicentro das festas e badalações da Swing London com suas roupas e estilo sendo copiados veementemente.

Não coincidentemente, Jones foi um dos curadores do Monterry Pop Festival, o primeiro dos grandes festivais de rock dos anos 1960, que ocorreu na Califórnia em 1967, e revelou ao mundo Jimi Hendrix e Janis Joplin. Embora não tenha tocado no festival, serviu como um tipo de mestre de cerimônias e anfitrião, sendo oficialmente declarado “o rei” de Monterrey.

Entretanto, o desequilíbrio de Jones e o abuso de drogas o levaram a transformar a relação com Anita em algo muito turbulento. Jones e Pallenberg se agrediam fisicamente e tinham discussões homéricas.

Por fim, em meio a uma viagem ao Marrocos, em 1967, Anita Pallenberg terminou por trocar Jones por seu companheiro de banda Keith Richards, o que aumentou bastante as tensões dentro do grupo.

Foi algo fatal para Jones, porque desde sempre Keith Richards era o seu grande amigo dentro dos Stones. A amizade dos dois pavimentou o estilo de guitarras da banda. Agora, tudo isso era destruído.

As Drogas

Anita Pallenberg: pivô de crise interna dos Stones.
Anita Pallenberg: pivô de crise interna dos Stones.

Brian Jones teve grandes problemas com as drogas. O abuso das substâncias e os problemas com Richards e Pallenberg, o deixaram cada vez mais ausente do ciclo da banda. Ele foi preso por porte de drogas em 10 de maio de 1967, poucos dias depois da polícia ter detido Jagger e Richards na casa deste nos subúrbios de Londres. Foi acusado de posse de maconha, cocaína e anfetaminas. Era quantidade suficiente para ser preso por tráfico, porém, em meio à grande campanha da mídia em torno das prisões, Jones não ficou na cadeia e ganhou liberdade condicional.

Brian e Keith: amizade destruída por triângulo amoroso.
Brian e Keith: amizade destruída por triângulo amoroso.

Ainda assim, essa condição acabou com os planos dos Stones de continuarem em turnê. Os shows restantes para a Europa em 1967 foram cancelados e o grupo ficaria quase dois anos longe dos palcos, exceto por ocasiões especiais.

Os Stones se apresentaram de surpresa do Show dos Melhores do Ano do New Musical Express, em março de 1968, e a banda começou a pensar em voltar às turnês. Porém, Jones foi preso de novo em 21 de maio de 1968 por porte de drogas e, dessa vez, para não ficar na cadeia, teve que se submeter a um tratamento psiquiátrico. Contudo, a medicação em comprimidos controlados só fez contribuir para seu vício e condição.

Brian como um farrapo humano no rock and Roll Circus.
Brian como um farrapo humano no rock and Roll Circus.

A banda fez apenas mais um concerto, no especial para a TV Rolling Stones’ Rock and Roll Circus, gravado em novembro de 1968, com participações de Jethro Tull, The Who e John Lennon, e na qual os Stones tocam cinco músicas. Foi a última aparição pública de Jones com a banda.

Contudo, sua aparência decrépita e a má performance da banda fizeram o show não ser transmitido no Natal como programado e o concerto ficou inédito até 1996.

A Morte

Após ser demitido dos Stones, Jones se refugiou em sua casa, fazendo planos para o futuro, mas não conseguiu concretizar nada ao longo de meses, apenas consumindo mais drogas. No fim das contas, em meio a uma festa em sua casa, foi encontrado morto, afogado na própria piscina, em 03 de julho de 1969.

Apesar da asma, Jones era um grande nadador. O inquérito ficou inconcluso, embora sua morte sempre tenha sido relacionada ao uso de drogas. A teoria mais aceita é que o músico simplesmente desmaiou na piscina devido ao excesso de substâncias, afogando-se.

Existem teorias conspiratórias de assassinato, também, mas nunca ficaram comprovadas. Há um filme sobre isso: Stoned – A Vida e a Morte de Brian Jones.

Depois

Taylor (em primeiro plano), com os Rolling Stones no Hyde Park em 1969: show histórico.
Taylor (em primeiro plano), com os Rolling Stones no Hyde Park em 1969: show histórico.

Os Stones estavam gravando e trabalhando com Mick Taylor quando souberam da morte de Brian Jones. Inclusive, a estreia pública de Taylor estava marcada para um grande show gratuito ao ar livre no Hyde Park em 05 de julho. Apesar da fatalidade, a banda decidiu ir adiante com o concerto e o transformou em uma espécie de réquiem ao ex-membro.

No início do concerto, apenas três dias depois da morte, Mick Jagger lê um poema em homenagem ao amigo e centenas de borboletas foram lançadas sobre o público.

Mick Taylor permaneceu nos Stones até 1975, quando saiu e foi substituído por Ron Wood, que permanece até os dias de hoje.

Keith Richards e Anita Pallenberg se casaram, tiveram filhos e viveram um romance turbulento e ruidoso até os anos 1980.

Contribuição Musical

Os Stones ao vivo em 1966.
Os Stones ao vivo em 1966.

Brian Jones tem uma grande contribuição à fase inicial dos Rolling Stones. Vejamos aqui alguns dos destaques.

COME ON – 1963 – compacto

Na estreia dos Rolling Stones em disco (leia mais aqui), Brian Jones fornece a gaita que permeia toda a canção de autoria de Chuck Berry. A gravação não é grande coisa e a execução de Jones é a melhor coisa nela.

I WANNA BE YOUR MAN – 1963 – compacto

O primeiro sucesso dos Stones, paradoxalmente, é esta composição de John Lennon e Paul McCartney, de seus amigos (e pretensos rivais) The Beatles. A versão dos Stones é melhor do que a dos Beatles, e é marcada pela guitarra slide de Brian Jones.

http://www.youtube.com/watch?v=4_dwDeuahB4

I’M KING BEE – 1964 – The Rolling Stones

Neste clássico de autoria de Slim Harpo (James Moore), Brian Jones dá uma demonstração de seu talento na slide guitar, tão marcante do início da carreira do grupo.

Brian (sentado) toca a cítara em Paint it black.
Brian (sentado) toca a cítara em Paint it black.

TELL ME – 1964 – The Rolling Stones

Esta foi a primeira gravação dos Stones para uma composição de Mick Jagger e Keith Richards e foi a primeira faixa da banda a ter destaque nos EUA. Aqui Brian Jones toca uma guitarra que parece uma lixa e faz um solo com arpejos, enquanto Richards toca o violão. É um exemplo de como Jones podia contribuir bastante para as composições mesmo no início da carreira, desde que se dedicasse a isso.

THE LAST TIME – 1965 – compacto

Talvez o primeiro grande clássico da dupla Mick Jagger e Keith Richards, essa canção encontrou sua alma no riff de guitarra de Brian Jones, que abre a faixa e continua tocando o tempo todo. É fantástico e – vale à pena lembrar – foi o som que inspiraria Richards a compor o riff de Satisfaction pouco depois. No solo, Jones faz uma “parada” com os acordes, enquanto surge uma outra guitarra de notas mais agudas tocadas por Richards.

PAINT IT BLACK – 1966 – compacto

Os Stones abrem sua fase psicodélica com esta canção forte de insinuações com a magia negra. Brian Jones toca a cítara indiana, instrumento que foi usado no rock pela primeira vez poucos meses antes em Norwegian wood dos Beatles, tocada por George Harrison. Mas Jones faz algo muito melhor! Sua cítara soa quase como uma guitarra, sendo a força motriz da faixa. Uma perfeita união da cultura hindu com o rock and roll ocidental.

Os Stones aderiram à fanfarra psicodélica.
Os Stones aderiram à fanfarra psicodélica.

LADY JANE – 1966 – Aftermath

Nesta balada de cunho medieval, Brian Jones toca um saltério – pequeno instrumento de corda – e um cravo, dando toda a característica sonora da faixa, uma das mais belas da fase psicodélica do grupo.

http://www.youtube.com/watch?v=XirG-qwMCMc

UNDER MY THUMB – 1966 – Aftermath

Outro exemplo impressionante de como usar instrumentos não-ortodoxos no rock e funcionar. Brian Jones toca aqui uma marimba – aquela mesa com metais tocados com duas pequenas baquetas – e o faz parecer um piano psicodélico. A marimba de Jones faz a cama perfeita para o qual se deitam a voz de Mick Jagger e as guitarras de Keith Richards, num efeito impossível de se reproduzir no palco.

RUBY TUESDAY – 1967 – compacto

Nesta linda balada sobre uma garota que não é de ninguém, Brian Jones faz um belo arranjo de flauta doce, dialogando com o piano de Nick Hopkins e o violão de Keith Richards, num dos efeitos mais bonitos dentro do repertório dos Stones.

http://www.youtube.com/watch?v=7TnTx0vscE0

Brian Jones em sua versão psicodélica.
Brian Jones em sua versão psicodélica.

SHE’S A RAINBOW – 1967 – Their Satanic Majesties Request

Nesta canção psicodélica sobre uma garota colorida, Brian Jones dá o tom da canção, tocando um mellotron (um tipo de órgão) com sons de sopros, que criam a tão característica frase principal da faixa.

STREET FIGHTING MAN – 1968 – Beggars Banquet

É curioso que em uma canção tão mais rock, Brian Jones continue insistindo em toques psicodélicos. Talvez pelo teor acústico do arranjo, aqui ele toca uma cítara, que compõe um pano de fundo interessante aos violões e guitarras de Keith Richards.

A banda toca no Circus: despedida à psicodelia.
A banda toca no Circus: despedida à psicodelia.

NO EXPECTATION – 1968 – Beggars Banquet

Último grande destaque de Brian Jones nos Rolling Stones, seu slide guitar é a alma dessa canção feita à moda dos velhos blues. É de arrepiar.

http://www.youtube.com/watch?v=9KZsvbR3Cnw&list=PL6429A1FD9F7B5879

YOU GOT THE SILVER – 1969 – Let it Bleed

Talvez a última contribuição musical de Brian Jones à banda, ele toca uma discreta harpa nesta bela balada cantada por Keith Richards.

***

Brian (dir.) e os Stones: lição para o hoje.
Brian (dir.) e os Stones: lição para o hoje.

Ouvir as canções com Brian Jones nos dias de hoje, pode dar ao rock a possibilidade de enxergar além do óbvio, além dos limites. Uma superdose de energia, vitalidade e sensibilidade, muito mais do que de técnica.

Os Rolling Stones se formaram em Londres em 1962, dentro do circuito de R&B da cidade. Lançaram seus primeiros discos no ano seguinte e em 1964 alçaram o sucesso nacional. Em seguida, em 1965, veio o superhit (I can’t get no) Satisfaction e a aclamação mundial. Desde então, é uma das principais e mais influentes bandas de rock ainda em atividade.

Para comemorar seus 50 anos de atividades, a banda lançou recentemente a coletânea Grrr!, um álbum triplo com seus maiores sucessos e duas faixas inéditas; um documentário autobiográfico chamado Crossfire Huricane; e um livro de fotografias.