antman and the wasp empire banner hankE a onda de denúncias de abuso e assédio sexuais em Hollywood continua. O acusado da vez é o ator Michael Douglas, que interpreta o cientista (e ex-herói) Hank Pym no vindouro Homem-Formiga e Vespa, do Marvel Studios. A denúncia partiu de uma ex-empregada, uma desenvolvedora de projetos da produtora do ator, que aclama que Douglas teria se masturbado na frente dela 32 anos atrás. Foi o The Hollywood Reporter quem recebeu a denúncia e o Deadline foi atrás e conseguiu uma entrevista com o ator.

Ao Deadline, Douglas disse:

Eu recebi uma mensagem de meu advogado de que o The Hollywood Reporter queria fazer uma história sobre uma funcionária que trabalhara para mim aproximadamente 32 anos atrás. Ela clama que: 1) Eu usei linguagem “colorida” na sua frente, não com ela, mas que eu usei esse tipo de linguagem; 2) clama que em conversas que eu tive na frente dela, no telefone, que eu falava de modo baixo e sujo com meus amigos, em conversas privadas. Eu a demiti, depois, do trabalho que ela estava fazendo, mas 3) ela clama que eu a chantageei dentro da indústria [do cinema] e a impedi de conseguir outro trabalho; e por fim, 4) que clama que eu me masturbei na frente dela.

O ator prossegue explicando que lembra da mulher, que era uma escritora, com livros publicados e feminista e não conseguia imaginar que ela estivesse fazendo aquelas acusações. Douglas pede desculpas se usou linguagem obscena ou não adequada na frente dela, mas é categórico em dizer que nem a chantageou, nem a impediu de trabalhar e muito menos se masturbou na frente dela.

Isto é uma completa mentira, uma fabricação, não é verdade em nada disso.

E ainda complementa:

Eu sou orgulhoso de ser um total apoiador do movimento de mulheres. Minha mãe foi uma atriz e eu casei com uma atriz [Catarine Zeta-Jones] e tenho sido apoiador deste movimento do fundo do coração, em todos os meus anos. Fui obrigado a olhar para meu passado: eu trabalhei com mais de 20 produtoras executivas femininas que trabalharam na minha companhia em diferentes áreas através dos anos. Mais de 20 produtoras de quem fui parceiro em filmes foram mulheres. Sem mencionar todas as atrizes com quem trabalhei e as centenas de performances. Como eu, em 50 anos de carreira na indústria, lidando com empregados 33 anos atrás, que talvez está insatisfeito que eu a tenha deixado ir embora, mesmo que eu nunca tenha ouvido falar dela em 32 anos.

Michael Douglas é contundente em sua resposta e teve o mérito de ir à público e contar seu lado da história antes que a própria imprensa o fizesse. Claro, sempre é possível que ele tenha realmente cometido as agressões relatadas pela vítima, 32 anos atrás, ou mesmo ter uma carreira de abusos, como Kevin Spacey – que recentemente teve sua carreira destruída por causa disso. Porém, também é possível que seja inocente.

Claro, é um momento em que denúncias surgem de todos os lados e a toda hora e o fazem porque não é segredo nenhum a política sexista e machista de Hollywood que, efetivamente, abusou de mulheres por décadas, por vezes indo muito além das “cantadas insolentes” ou do “teste do sofá”, mas indo a contos de terror de estupro e perseguição. O lado negativo de um ambiente desse tipo é que depois dos alvos mais fáceis – como Spacey; ou o produtor Harvey Wenstein que iniciou a onda de denúncias; ou Bryan Singer, com três processos antes mesmo da campanha #meto; ou um Woody Allen a quem as denúncias ainda irão chegar – também podem surgir inocentes.

O risco do denuncismo é a condenação antes do julgamento. Então, torcemos para que as autoridades investiguem cada caso e punam exemplarmente os culpados, mas que também depurem os inocentes e não os queimem em praça pública antes da condenação. Casos como o de Stan Lee, vindo à tona ontem, trazem esse tipo de sentimento.