eric clapton promoting life in 12 barsJá faz algum tempo que o guitarrista e lenda do rock (e do blues) Eric Clapton vem tendo problemas de saúde. Agora, o músico de 72 anos acrescenta mais uma dificuldade: está ficando surdo. A revelação foi dada em uma entrevista à rádio BBC 2, hoje, ao jornalista Steve Wright. A situação do guitarrista se torna cada vez mais difícil, pois já sofre de neuropatia periférica, que atrapalha o movimento das mãos.

Na ocasião, Clapton estava promovendo o documentário A Life in 12 Bars, que narra sua vida desde à infância até o estrelato mundial e além, cobrindo também momentos difíceis de sua vida, como a longa batalha contra o alcoolismo e a morte de seu filho de 5 anos em 1991. Mas o músico ainda mantém o tom otimista, afirmando que o filme tem um final feliz, com ele curtindo bem a meia idade, com uma nova família e tendo realizado muitas façanhas. a-life-in-12-bars-documentario-sobre-eric-clapton.html

Ainda assim, Clapton não poupa palavras à sua situação atual quanto à saúde:

Eu ainda vou trabalhar. Vou fazer o show no Hyde Park em julho. A única coisa é que estou preocupado é que estou entrando nos setenta, estou ficando surdo, tenho ouvido zumbidos, mas minhas mãos ainda funcionam. Espero que as pessoas venham me ver. Me ver mais do que pela curiosidade. Eu sei que isso faz parte, porque é incrível que eu ainda esteja aqui. É difícil trabalhar tocando guitarra e eu tive que aceitar o fato de que isso não vai melhorar.

Em tempos recentes, o guitarrista chegou a interromper uma turnê nos EUA devido às dores causadas pela neuropatia periférica. Na agenda de shows de seu site oficial, há apenas três concertos agendados, todos para julho deste ano: dois na Alemanha e, por fim, o show no Hyde Park, em Londres, no dia 08 de julho, como parte do Barclaycards British Summer Time, uma sequência de apresentações no verão europeu situadas no famoso parque da capital britânica, que trará outros músicos, como Roger Waters (ex-Pink Floyd). O concerto de Clapton trará participações especiais de Carlos Santana, Steve Winwood e Gary Clark Jr.

De fato, o peso da idade está pesando para Eric Clapton e o músico já cogitou a aposentadoria em um futuro breve, por causa de seus problemas de saúde.

eric clapton alive 2014
Clapton: documentário biográfico.

Eric Clapton nasceu em Ripley, nos arredores de Londres, em 1945, e se tornou conhecido no circuito de clubes da cidade a partir de 1963, como guitarrista da banda The Yardbirds, da qual saiu dois anos depois para ingressar nos John Mayall’s The Bluesbreakers, momento em que sua carreira atingiu um primeiro pico, que o tornou uma celebridade e foi aclamado pelo público como “o deus da guitarra”. Procurando novos desafios, ele montou o Cream, em 1966, ao lado do baixista Jack Bruce e do baterista Ginger Baker, naquela que foi uma das bandas de maior sucesso da década e lançou quatro álbuns, repletos de clássicos como Sunshine of your love, Strange brew, Crossroad e Badge.

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Ginger Baker, Jack Bruce e Clapton no Cream.

Insatisfeito com o som “muito empolado” do Cream, já em 1969, Clapton fundou o Blind Faith, ao lado do cantor e tecladista Steve Winwood (um dos músicos mais famosos da Inglaterra na época), mas esta banda lançou um único álbum (com Presence of the Lord e Can’t find my way home) e durou menos de um ano. Incentivado por amigos, o guitarrista terminou gravando seu primeiro álbum solo (Eric Clapton, 1970) acompanhado pela superbanda Dalaney, Bonnie & Friends, mas ainda insistiu em uma última tentativa de montar “sua” banda com o Derek and the Dominos (formado por ex-integrantes da DBF), que lançou também um único álbum: Layla and Other Assort Love Songs, ainda em 1970, que foi um estrondoso sucesso puxado por Layla, uma de suas canções mais famosas.

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Clapton à época de “Layla”: para muitos, este período é o auge daquele que é o maior dos guitarristas britânicos.

Vem então o primeiro período negro da vida de Clapton, onde o vício em heroína o deixou fora de atividade por praticamente três anos inteiros, só retornando após uma série de tratamentos radicais, para lançar seu segundo álbum solo: 461 Ocean Boulevard, de 1974, que foi um sucesso enorme, puxado pelo cover do então desconhecido Bob Marley, I shot the xeriff. Ao longo do restante dos anos 1970, o guitarrista fez as pazes com o sucesso e a celebridade, porém, a cada ano que passava afundava mais no consumo de álcool, como uma forma de compensar o não-uso das drogas. Na virada para os anos 1980, Clapton estava gordo e decadente, lutando para se manter sóbrio e não destruir a carreira. Ela conseguiu uma pequena sobrevida numa parceria com o cantor e compositor Phil Collins, que produziu um trio de discos bem sucedidos de Clapton, mas a virada sobre esse segundo período negro só veio em 1986 com o nascimento de seu filho Connor, com uma apresentadora de TV italiana. Frequentando o AA e se internando em clínicas de reabilitação, o guitarrista conseguiu ficar sóbrio, inclusive, quando a tragédia o abateu e seu filho morreu aos 5 anos de idade após cair da janela do prédio em que vivia com a mãe.

Clapton atravessou o trauma e o exortou na canção Tears in heaven, de 1992, que se tornou uma de suas mais conhecidas. Ainda assim, o guitarrista viveu no período uma de suas fases de maior sucesso, recompensadas com um novo casamento e uma nova família.

Saiba mais sobre Eric Clapton neste post especial do HQRock.