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Os Titãs atuais: Mello, Britto, Lee, Bellotto e Fabre.

Independente de gosto, os Titãs são uma das bandas mais importantes da história do rock brasileiro. Ainda na ativa após 36 anos de carreira e a saída de inúmeros integrantes, o grupo paulista luta para se manter ativo e relevante. Sua nova empreitada é algo inusitado: uma Ópera Rock. No dia 27 de abril, lançaram Doze Flores Amarelas: A Ópera Rock (Ato I) e nesta terça-feira 07 de maio, liberaram o Ato II da obra. E anunciam, via Radio Rock 89, que irão gravar um DVD com o material.

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Capa do Ato I.

Doze Flores Amarela é ambicioso pelo formato e pela temática. A trama se foca em três mulheres (as Maria A, B, C) que usam alta tecnologia no cotidiano, como todo mundo, inclusive um aplicativo chamado Facilitador, e vão para uma festa onde terminam sendo violentadas pelos “colegas”.

O recurso da ópera rock foi muito usado nos anos 1970, especialmente pelo rock progressivo, mas nunca teve muita adesão dos roqueiros nacionais, muito menos, da geração dos Titãs, mais pautados na sonoridade simples de mensagem direta do punk.

Titãs-Doze-Flores-AmarelasOs Titãs mantêm uma pegada rock e brincam com vários estilos rítmicos, tal qual sempre apresentaram em sua extensa carreira. Também usam as lições aprendidas nesse estilo de “ópera” criado pela banda britânica The Who, a primeira a ter a ideia de contar uma história fechada por meio de um disco, tal qual as óperas da música erudita. O grupo fez uma opereta no disco A Quick One (1966) na qual a faixa título narra uma trama subdividida em várias partes musicais distintas; e em seguida fizeram um álbum conceitual Sell Out (1967) focado na propaganda moderna; até enfim criarem uma ópera rock de verdade com Tommy (1969), narrando a história de uma rapaz traumatizado que fica “cego, surdo e mudo”, mas se torna um fenômeno após ser campeão de fliperama e inspirar um culto religioso em torno de si.

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Os Titãs apresentam Doze Flores Amarelas ao vivo. 

A gravação do DVD dos Titãs será no dia 13 de julho, no Teatro Opus, em São Paulo, sob produção da Universal Music. Mas a banda já apresenta o trabalho ao vivo há algumas semanas.

A obra dos Titãs ainda está em construção, pois presumivelmente haverá ainda um Ato III para finalizar a história, mas está de “parabéns” por procurar novos formatos e desafios depois de tanto tempo; mostrando também que sabem fazer crítica social para além da temática política. Além da tecnologia, as drogas são um tema forte no disco.

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Formação clássica, já com Charles Gavin (esq.) e Miklos, Bellotto, Antunes, Fromer, Mello, Reis e Britto.

O Titãs se formou em 1982 da reunião de diversos músicos de vinham de bandas diferentes, com propostas estéticas diversas, compondo um grupo com nove membros! Aproveitando-se dos talentos e das múltiplas personalidades musicais, a banda galgou espaço no circuito musical paulista e – após perder o membro Ciro Pessoa – estreou em disco como um octeto em 1984, com o disco homônimo. Somente no segundo álbum – Televisão (1985) o grupo estabilizou sua formação, com: Arnaldo Antunes e Branco Mello (nos vocais); Paulo Miklos (vocais, saxofone, gaita e flauta); Nando Reis (vocais e baixo); Sérgio Britto (vocais e teclados); Tony Bellotto e Marcelo Fromer (guitarras); Charles Gavin (bateria); coletivo que se manteria unido por bastante tempo.

De uma sonoridade mais leve no início, a banda terminou se identificando mais com o rock pesado – a partir de Cabeça Dinossauro (1987) – e também flertou com a eletrônica. O auge do sucesso foi nos últimos anos da década de 1980, quando seus hits lotaram as rádios brasileiras.

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Os três remanescentes: Mello, Bellotto e Britto.

A partir dos anos 1990, a banda alternou momentos de baixa popularidade e grande sucesso; na mesma medida em que vários integrantes foram saindo: Arnaldo Antunes, saiu em 1993; Marcelo Fromer morreu atropelado em 2001; e Nando Reis (2002), Charles Gavin (2009) e Paulo Miklos (2017) também saíram para jornadas solo. Mas os Titãs seguem em frente, com os originais Branco Mello (vocais e baixo), Sérgio Britto (vocais, teclados, guitarra e baixo) e Tony Bellotto (guitarras) adicionados aos novatos Beto Lee (guitarra) e Mario Fabre (bateria).

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