ant-man-and-the-wasp-evangeline-lilly-paul-ruddDepois de dois arrasa-quarteirões seguidos, Pantera Negra e Vingadores – Guerra Infinita, que sacudiram a indústria cinematográfica, chega em estilo mais low-fi o terceiro e último produto do Marvel Studios este ano: Homem-Formiga e a Vespa. E o qual o resultado?

O maior problema de Homem-Formiga e a Vespa é justamente esse: vir depois daqueles dois. Isso “esfria” a perspectiva deste filme, que se torna “muito menor” (piada pronta) diante dos outros. Porém, se for visto isoladamente, como um filme em si, HFV é muito bom e cumpre seu papel exemplarmente: uma aventura mais simples, menos complicada, dedicada à diversão e ao humor. E com isso é uma obra de verão, aquela para ver nas férias, com crianças, e sem grandes pretensões.

ant-man-and-the-wasp in the van with luisPorém, também paga o preço por isso. É divertido, é engraçado, mas não é marcante. Não é algo que vai deixar as pessoas comentando ao final ou criar um legado duradouro.

Deixando o Universo Marvel de lado e focando apenas em sua própria franquia, HFV perde vantagem em relação ao Homem-Formiga de 2015, porque não tem mais o frescor e a novidade do anterior. Ao mesmo tempo, o humor não está tão afiado quanto o do primeiro. A sequência é engraçada sim, e tem seus bons momentos, mas não tanto quanto o original.

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Fantasma: menos maniqueísta.

Dito isso, Homem-Formiga e a Vespa tem suas qualidades e até algumas vantagens em relação ao primeiro. Uma delas é ser menos maniqueísta. Enquanto o Jaqueta Amarela era um vilão “clássico” no sentido de ser mal, mal, mal, sem profundidade. Não é o caso com HFV cuja Fantasma é uma personagem bem mais complexa e menos “preto no branco”.

Se Homem-Formiga tinha duas pequenas reviravoltas quando percebíamos que Hank Pym atraiu Scott Lang para “assaltar” sua casa de propósito e levar a roupa do herói; e depois, de mostrar que a rivalidade entre o cientista e sua filha, Hope Van Dyne, era “falsa” e um truque para enganar o vilão Darren Cross, o Jaqueta Amarela (mesmo que existisse mesmo bastante rancor na relação); HFV também tem suas reviravoltas, e elas são até melhores (e não vamos revelar aqui).

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Cassie e Scott: pais e filhos conduzem o filme. 

O novo filme ainda mantém o tema de fundo do primeiro: a relação entre pais e filhos, explorando Hank-Hope e Scott-Cassie até de um modo melhor e mais bonito, o que acrescenta bons momentos emocionais e dramáticos no filme. Enquanto Hank-Hope estão mais resolutos e resolvidos; vemos de modo mais tocante a relação Scott-Cassie e como a menina ama e se orgulha de seu pai por ele ser quem é.

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Michael Douglas como Hank Pym.

Em termos de trama, HFV se beneficia de não ser mais um filme de origem e poder ir direto ao que interessa, o que dá mais tempo para criar situações interessante, aprofundar um pouco o texto e dar mais espaço aos personagens. Neste ponto, claro, se beneficia dos atores que tem: o trio Paul Rudd, Evangely Lily, Michael Douglas está ainda melhor, com seus personagens mais bem definidos e tendo oportunidade de exibir mais facetas. Scott Lang mantém seu humor, seu lado mais pateta, mas ao mesmo tempo se mostra menos heroico (no bom sentido), alguém humano que está preocupado em manter sua reputação e não prejudicar a relação com a filha; Hank Pym ganha mais contornos de um cientista cheio de ego, de difícil convivência, mas bem intencionado e numa missão para resgatar a esposa, Janet Van Dyne, vivida por Michelle Pffeiter, que tem pouco tempo de tela, mas está muito bem, também. Ter mais Michael Douglas em cena só beneficia o filme, pois este se mostra em plena forma e tem chances (ao contrário do anterior) de demonstrar de modo claro suas habilidades performáticas.

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Evangely Lily como a Vespa: outra heroína fodástica.

Por fim, mas não menos importante, Evangely Lily tem a oportunidade de se expressar mais como Hope Van Dyne, mostrando mais uma heroína fodástica da Marvel. Sua Vespa é muito mais habilidosa e competente do que o Homem-Formiga, o que lhe dá mais brilho e abre portas para se desenvolver ainda mais no futuro. Quem sabe, ela não tem uma participação maior em Vingadores 4?

O filme ainda tem Laurence Fishbure no papel de Bill Foster, antigo parceiro de pesquisas de Hank Pym – personagem que nos quadrinhos também virou um herói por si próprio, quando assumiu a identidade de Golias – e é um ator de presença, embora com pouco tempo de tela para mostrar mais.

Falando em quadrinhos, os fãs das HQs poderão ver no filme muitos e muitos easter eggs das aventuras originais do diminuto herói que também cresce.

ant-man-and-the-wasp giant man in the bayPor fim, é bom comentar a importância subjetiva de Homem-Formiga e a Vespa que sai do lugar comum de Hollywood ao mostrar que, apesar de ter um herói jovem e masculino para protagonizar, esse precisa abrir espaço para uma heroína ainda mais inteligente e hábil e dois heróis idosos, o que sem dúvidas é um acalento e um movimento interessante numa indústria que luta para se diversificar.

Homem-Formiga e a Vespa não é o melhor filme da ano da Marvel e talvez esteja apenas no mesmo nível de seu antecessor (compensa o humor menos eficiente pelas qualidades outras da história – melhor roteiro e personagens), mas cumpre esse importante papel em aumentar a diversidade em Hollywood, um diferencial que falta à concorrência.