162628.jpgA especulação ia e voltava sobre a possibilidade do diretor James Gunn ser recontratatado e dirigir Guardiões da Galáxia Vol. 3, após ser demitido por causa da divulgação de antigos tuítes com pretensas piadas sobre pedofilia e estupro. Agora, a novela acabou definitivamente: segundo a Variety, Gunn não vai mesmo voltar à cadeira de diretor, embora seu roteiro para o filme será usado.

Segundo a revista, que recebeu informes de fontes internas, o presidente do Disney Studios, Alan Horn, recebeu James Gunn para o que é chamado de “reunião de cortesia” ao diretor para tratar do assunto nesta terça-feira última, porém, Horn manteve sua decisão anterior de demitir o diretor. Aparentemente, o CEO da The Walt Disney Company (empresa mãe do DS), Bob Iger, não precisou ser consultado, pois também era favorável à demissão. Já Kevin Feige, presidente do Marvel Studios, que está submetido tanto ao DS quanto a TWDC, estava fora da cidade e não participou do encontro; embora acate a decisão dos chefes.

gallery-1495551278-guardians-of-the-galaxy-vol-2-cast.jpgA demissão de Gunn com certeza cria uma grande crise interna na Marvel, já que o elenco de Guardiões da Galáxia se mobilizou em favor do diretor e mesmo Feige pareceu ser um dos que o apoiou diretamente. Sua não recontratação – possibilidade que foi aventada a partir da carta aberta do elenco em defesa do diretor como pessoa (e não em defesa dos tuítes, que são realmente condenáveis e a carta diz isso), bem como de várias peças-chave de Hollywood – pode gerar manifestações bastante negativas por parte do elenco, inclusive, de seu desligamento da franquia da equipe espacial.

Um dos membros do elenco principal, Dave Bautista (que interpreta Drax, o destruidor) disse abertamente que pediria à Marvel que lhe dispensasse do papel e contratassem outro ator para o papel caso o roteiro de Gunn não fosse usado no próximo filme.

O roteiro de Gunn será usado, garante a Variety; talvez até como uma medida para agradar ao elenco; mas a decisão em manter a demissão pode ainda gerar atritos futuros e talvez uma demissão em massa. É uma crise que a Marvel precisará administrar com cuidado.

Além disso, o estúdio está oficialmente à procura de um novo diretor para o Vol. 3 e, obviamente, quem o assumir irá querer fazer uma polida no texto ou por sua própria visão, o que garante que o texto de Gunn será apenas o “ponto de partida” do roteiro final. E isso pode (e deve) levar ao descontentamento do elenco, que é obrigado por contrato a fazer o filme, mas numa situação de dada animosidade pode solicitar desligamento.

Pelo lado da Disney, embora não existam (ainda) evidências de que Gunn tenha tido qualquer prática de pedofilia ou estupro, suas “piadas” publicadas no Twitter entre 2008 e 2011 (e trazidas de volta à tona por um grupo de extrema direita como um revide após o diretor falar mal do presidente Donald Trump) são terríveis o suficiente para realmente preocupar um estúdio e seus investidores. Para piorar ainda mais, vazaram este final de semana imagens de Gunn em uma festa à fantasia, vestido de padre e cercado de garotas vestidas como colegiais e com cordas ou simulando estar amarradas, o que fora de contexto não ajuda em nada em sua imagem.

Com certeza, a Disney está preocupada com sua imagem, tão associada às crianças e à família, ao mesmo tempo em que teme ter um caso como o de Kevin Spacey (ator acusado de uma sequência de abusos sexuais contra outros homens ao longo de sua carreira) ou de Bryan Singer (diretor que tem três acusações de estupro – também contra meninos – correndo na justiça), e acha melhor evitar grandes problemas futuros. Ainda mais em tempos de #MeToo, a campanha de empoderamento feminino e de luta contra o abuso sexual em Hollywood.

Curiosamente, Gunn parece estar recebendo mais apoio do que o normal em casos desse tipo – repetimos, ajuda o fato de serem (pelo menos até agora) apenas tuítes de mau gosto – e correm rumores de que outros estúdios estão interessados em contratá-lo.

Quanto a Guardiões da Galáxia Vol. 3, que estava programado para lançamento em 2020, veremos como o caso se desenrola nos próximos meses.