Mark Chapman em 2018.

Em 08 de dezembro de 1980, o ex-membro dos Beatles e um dos compositores mais influentes do século XX, John Lennon, regressava de uma sessão de gravação à sua casa, em Nova York, quando foi alvejado por quatro tiros disparados pela fã Mark Chapman com um revolver calibre 38. O músico morreu antes de chegar ao hospital e o assassino foi condenado à prisão perpétua. Agora, em meio à solicitação de condicional, ele revela que usou munição de ponta oca para matar Lennon. 

Segundo o Metro, na audiência a uma junta de juízes de Nova York, Chapman revelou que usou um tipo de munição especial, mais letal, para que o músico “morresse logo e não sofresse”. Balas de ponta oca, chamadas de DumDum em inglês, são muito mais mortíferas do que as comuns, porque se estilhaçam ao entrar no alvo, aumentando muito a zona de impacto dentro da vítima e danificando mais órgãos. 


Carreguei essas balas para ter certeza de que ele fosse morto [pelos disparos]. Fiquei preocupado para ele não sofrer. 

Já a Associated Express revelou outros trechos do depoimento do assassino, dizendo que se arrepende do crime, que matou John Lennon pra “se tornar alguém” e, hoje, tem consciência de que se tornou um “ninguém”, porque assassinos não são “alguém”. Também  acrescentou que a vergonha que sente sobre o fato aumenta a cada ano. 

Mark Chapman em 1980.

A agência complementa dizendo que Chapman chegou a pensar em desistir de matar Lennon, que para ele era como um ídolo. No dia do crime, o fã se prostrou junto com outros na porta do edifício Dakota, onde o músico vivia, numa cena comum de fãs dos Beatles indo pedir autógrafos. Lennon saiu no começo da tarde, depois de dar uma entrevista, e se dirigiu ao estúdio para realizar algumas gravações. Na saída da portaria – ele pegava um táxi na rua – Lennon, como de costume, atendeu aos fãs e pousou para fotos e deu autógrafos. Chapman estava com o disco Double Fantasy, que Lennon havia lançado em parceria com a esposa, Yoko Ono, há apenas duas semanas. O músico autografou a capa do álbum – algo que chegou a ser fotografado por outro fã – e seguiu em frente. 

Outro fã flagrou Lennon (esq.) dando um autógrafo para Chapman (dir.) poucas horas antes de sua morte. 

Segundo a AE, Chapman pensou em desistir.


Eu cheguei a pensar: Mark, ele assinou o seu disco, você está com o autógrafo na mão, só vá para casa! Não tinha jeito de eu ir simplesmente embora, contudo. 

Lennon em 1980, tomando um carro em NOva York tal qual na noite em que morreu.

Chapman disparou cinco tiros, dos quais quatro atingiram Lennon. O porteiro do edifício chamou a polícia e realizou os primeiros socorros no músico. Uma viatura da polícia chegou rapidamente, mas os ferimentos eram tão graves que decidiram levá-lo ao hospital na viatura mesmo, sem esperar por uma ambulância. Mesmo estando na sala de emergência em três minutos, Lennon já chegou sem vida ao hospital e as tentativas de reanimá-lo foram infrutíferas, pois perdera muito sangue. Ele foi declarado morto pouco antes da meia-noite. 

Chapman cumpre prisão perpétua, mas desde o ano 2000 tem direito a solicitar o cumprimento de condicional a cada dois anos. Agora em 2018 é a nona vez em que faz o pedido. A junta de juízes negou o pedido, afirmando que libertá-lo iria mitigar a gravidade do crime que cometera e que sua soltura também poderia ser um risco à sua própria vida. 

John Lennon nasceu em Liverpool, na Inglaterra, em 1940, e aos 15 anos de idade fundou uma banda de garagem que iria dar origem aos Beatles anos mais tarde. Ao lado de Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, ele estreou em disco em 1962 e rapidamente se tornaram um grande sucesso, com os Beatles sendo a banda mais famosa, influente e de sucesso não somente dos anos 1960, mas de todos os tempos. O grupo se desfez em 1970 e Lennon prosseguiu em uma carreira solo onde também fez sucesso até ser assassinado em 1980, aos 40 anos de idade. 

Capa do álbum Imagine, de 1971.

Seu álbum solo mais famoso, Imagine, de 1971, ganhou este ano uma edição especial comemorativa, assim como, do mesmo modo, o álbum dos Beatles conhecido como The White Album, lançado originalmente em 1968. Ambos os lançamentos trazem uma série de novidades e gravações inéditas.