Os Rolling Stones anunciaram recentemente uma nova turnê pelos Estados Unidos em 2019 e ao conversarem com a revista Rolling Stone, o guitarrista Keith Richards fez uma revelação surpreendente: ele parou de beber! Enquanto a fama adquirida por décadas de abuso de drogas e outras substâncias lhe atribui lendas de ser imortal e piadas (ótimas) do tipo “é hora de começarmos a nos preocupar com que tipo de planeta iremos deixar para o Keith Richards”, o músico entrou em uma fase totalmente nova aos 74 anos de idade.

À Rolling Stone, Richards disse:

Está completando um ano agora [que parei de beber]. Eu desliguei da tomada. Fiquei cheio daquilo. Era hora de deixar. Justamente como fiz com todas as outras coisas.

O guitarrista admite que ainda toma uma taça de vinho ocasionalmente e bebe cerveja vez ou outra, mas parou de beber regularmente e em grande quantidade. A revista pergunta se é uma tentativa de se ajustar:

Você pode chamar assim… (Risos). Mas não notei nenhuma diferença de verdade… Exceto que não bebo. Eu não estava me sentindo bem. Eu terminei! Não queria mais aquilo.

Apesar de gostar de sua fama de mal, na verdade, Richards deixou de usar drogas pesadas em 1978, após ser preso no Canadá e ser acusado de tráfico de drogas. Percebendo que sua conduta podia levar ao fim da banda, o guitarrista a abandonou a heroína e se limpou, embora tenha se tornado um típico alcoólatra nos anos seguintes. Ultimamente, ele bebia mais socialmente, mas o parceiro de grupo, o também guitarrista Rob Wood, dá a entender que continuava exagerando de vez em quando.

À Rolling Stone, Wood disse:

É um prazer trabalhar com ele. [Richards] está mais maduro, mais aberto a novas ideias do que estava antes, quando eu tinha que mostrar os dentes e ir – ele vai me dar alguma merda por estar dizendo isso. Agora, ele diz: “Isto é legal, cara”.

Sobre o fato de Richards beber, Wood acrescenta:

Não tava funcionando mais, sabe? Acho que o Keith que costumamos conhecer e gostar tinha esse ponto limite onde ele deixava de ser, ia além e se tornava mau. O ponto limite vinha se tornando mais e mais curto, sabe? E ele percebeu isso.

Ron Wood fala com conhecimento de causa: depois de viver de abuso de álcool desde os anos 1970, está sóbrio desde 2010.

Richards disse sobre os shows de 2018:

Foi interessante tocar sóbrio.

Aparentemente, essa era uma situação que não ocorria com frequência.

Wood e Richards ao vivo no palco.

Wood diz mais:

Estamos entrelaçando [as partes de guitarra] muito mais conscientemente agora. Estamos muito mais cientes dos intervalos e dos espaços entre elas. Estamos na casa dos 70, mas estamos sacudindo como se tivéssemos nos 40, sabe?

A reportagem ainda fala bastante da turnê nos EUA de 2019, quatro anos desde a última excursão que os Stones realizaram lá. O último concerto no país foi em 2016 no célebre Desert Trip Festival, que reuniu grandes lendas do rock, como Paul McCartney, Bob Dylan. Neil Young e The Who. A ocasião foi histórica porque os Stones tocaram um cover dos Beatles, com Come together.

Falando com Mick Jagger, a Rolling Stone afirma que o grupo pretende resgatar várias canções que estão desaparecidas do set list da banda, mas foram tocadas ocasionalmente na perna europeia da turnê No Filter e funcionou perfeitamente, como Play with fire (que não era executada há 30 anos), Beast of burden, Under my thumb, She’s a rainbow e Cry to me, enquanto estão abrindo os shows com Street fightin’ men (em vez da tradicional Jumpin’ Jack flash) e mantém o resgate do cover de Like a rollin’ stone de Bob Dylan, que vêm tocando nos últimos dois anos.

A turnê No Filter irá passar por 14 cidades do EUA entre abril e junho de 2019. É provável que no semestre seguinte, os Stones entrem em estúdio para gravar o primeiro álbum de canções inéditas desde A Bigger Bang, de 2005. O grupo lançou Blue & Lonesome, em 2016, mas apenas com covers de Blues.

A revista diz que a dupla Mick Jagger e Keith Richards já possui 12 canções novas, mas estão analisando o material e incrementando para lançar o melhor álbum possível.