O site Box Office Mojo divulgou sua lista das maiores bilheterias de 2018 e, sem surpresas, os super-heróis (da Marvel) lideraram e dominam a lista e uma única exceção se apresenta em meio a eles: Bohemian Rhapsody é o único que não é de ação.

Veja a lista dos filmes e sua arrecadação mundial:

  1. Vingadores – Guerra Infinita / US$ 2,o48 bilhões;
  2. Pantera Negra / US$ 1,346 bilhões;
  3. Jurassic World – Reino Ameaçado / US$ 1,304 bilhões;
  4. Os Incríveis 2 / US$ 1,242;
  5. Venom / US$ 845 milhões;
  6. Missão Impossível – Efeito Fallout US$ 791 milhões;
  7. Deadpool 2 / US$ 735 milhões;
  8. Bohemian Rhapsody / US$ 667 milhões;
  9. Homem-Formiga e a Vespa / US$ 662 milhões;
  10. Animais Fantásticos – Os Crimes de Grindwald / US$ 612 milhões.

Os críticos se queixam, com alguma razão, que das 10 maiores bilheterias de 2018, nada menos do que 7 são sequências, o que denota ausência de novidade ou originalidade quando se vê o fenômeno como um todo. Sim, Hollywood deve se preocupar com isso, pois o cansaço de uma fórmula – como a dos super-heróis – pode levar ao colapso de toda a indústria.

Também é ruim que nada que não seja ação empolga os expectadores a irem ao cinema. A cinebiografia de Freddie Mercury e do Queen é apenas a exceção que confirma a regra.

Por outro lado, é curioso perceber que existe uma tendência de acumulação no topo da pirâmide: a cada ano, mais e mais filmes ultrapassam a barreira do 1 bilhão de dólares, uma marca que era raríssima até 10 ou 5 anos atrás. Se a arrecadação é o principal termômetro de medição de sucesso de um filme – o que deixa claro que o que importa é dinheiro (arrecadado) e não pessoas (quantos vão ao cinema assisti-los ou o impacto que isso causa em suas vidas) – ela traz um elemento enganador, também. Afinal, a bilheteria galopante dos primeiros lugares esconde a técnica de encarecimento de ingressos e artifícios “adicionais” como 3D, 4D e IMAX.

À exceção, talvez, do IMAX (afinal, é sempre bom ver cinema em uma tela gigante), penduricalhos como 3D e 4D acrescentam Zero à experiência filmítica. Praticamente sem exceção, neste caso, o 3D nunca é o que promete: não há efeito emersivo no filme e ver poeira ou as letras dos créditos saltando da tela não paga o investimento adicional no preço do ingresso que a dita tridimensionalidade traz. O 4D não devia ser oferecido nem de graça, pois os efeitos de balançar a cadeira e levar vento e água na cara só servem para distrair daquilo que está em cena e, na verdade, atrapalha a experiência do filme.

Hollywood quer dinheiro, claro, e isso é compreensível. O sistema capitalista funciona assim. Mas é preciso ser responsável para não destruir a fonte dos ovos de ouro. Ao incrementar os penduricalhos cinematográficos para o expectador (3D, 4D, IMAX), a indústria apenas reforça que o público só vá ao cinema para ver esse tipo de efeito, fazendo com que longametragens mais “artísticos”, como os dramas que concorrem a Melhor Filme no Oscar, fiquem esvaziados e com bilheterias pequenas. Sem contar com a concorrência dos streamings à lá Netflix.

Isto pinta um futuro no qual apenas blockbusters irão para os cinemas de verdade (ou seja, com temporadas mais longas e sessões contínuas), enquanto cada vez mais, os filmes artísticos irão ficar confinados ao celular, computador ou TV de casa, como Roma e Bird Box.

Por fim, não podemos deixar de anotar: a Marvel domina nada menos do que metade do ranking! Cinco dos dez filmes são da Casa das Ideias, inclusive, o azarão Venom (5º lugar), que não é produzidos por eles mesmos, mas pela parceira Sony Pictures, do mesmo modo que Deadpool 2 (7º) é em parceria com a Fox.

Isto coloca que 3 dos 10 filmes pertencem a um único estúdio – o Marvel Studios – e têm o mesmo produtor – Kevin Feige – acumulando US$ 4,056 bilhões, ou seja, 39,5% dos 10,252 bilhões totais das dez maiores bilheterias de 2018. Isso desconsiderando as parcerias do parágrafo anterior.

Pensando que a Marvel pertence à Disney, se acrescentarmos a empresa mãe, a Casa do Rato tem 6 dos 10 filmes no ranking!