Uma das surpresas do ano passado foi o Marvel Studios anunciar a produção de séries de TV para o canal de streaming Disney+, lançado pela empresa-mãe do estúdio. Um dos programas esperados é Loki, estrelado pelo carismático vilão dos filmes de Thor e dos Vingadores. Mas a Marvel pretende amenizar a imagem do personagem fazendo-o deixar de ser um vilão! Isso mesmo.

Como percebeu o JovemNerd, a biografia oficial do personagem exibida no site do Marvel Studios foi alterada para dizer que Loki também foi afetado pelas propriedades manipuladoras da mente do Cetro dos Chitauri que foi dado por Thanos para que Loki usasse o exército Chitauri para invadir a Terra e se vingar de Thor (no evento que levou à Batalha de Nova York e à formação dos Vingadores) em troca de entregar o Tesseract para Thanos.

O texto do site diz:

Dotado de um Cetro que age como um dispositivo de controle da mente, Loki se torna hábil para influenciar os outros. Sem saber, o Cetro também o estava influenciando, inflamando sua raiva contra seu irmão Thor e os habitantes da Terra.

Claro, é preciso considerar que antes da posse do Cetro – que descobrimos depois carregava a Joia da Mente, uma das Joias do Infinito – Loki já tinha tentado matar Thor no primeiro filme do herói; e criou o plano de invadir e Terra ao custo de milhares ou milhões de vidas.

Sua conduta depois também não foi exemplar: depois de fingir se conciliar com o irmão, fingiu a própria morte e tomou o trono de Asgard, assumindo a aparência de seu pai adotivo, Odin, e banindo-o indefeso para a Terra.

Mesmo assim, com a emergência de um perigo catastrófico, com a chegada de Hela e a tomada de Asgard, Loki pôs seus interesses momentaneamente de lado e ajudou genuinamente o irmão, inclusive, depois disso, se sacrificando por ele em combate contra Thanos em Vingadores – Guerra Infinita.

Tudo isso apenas mostra que Loki é um personagem complexo e fascinante, que guarda rancor e inveja do irmão, ao mesmo tempo em que também existe afeto. Por isso, vive em uma corda bamba entre fazer o que é certo e aquilo que tem vontade. É uma abordagem bem mais complexa do que a dos quadrinhos, em que Loki é muito mais maligno e vilanesco, e portanto, mais próxima da própria mitologia nórdica, em que o deus da trapaça é uma figura muito mais dúbia.

Esperamos pelo menos que a tal série, que irá trazer o mesmo Tom Hiddleston para interpretá-lo w deverá ter 6 episódios, seja capaz de desenvolver essa nuance em vez de transformá-lo em um super-herói qualquer.