Segundo uma entrevista cedida ao Morning Show da Rádio Jovem Pan, a clássica banda brasileira de rock, RPM, vai retomar as atividades sem a participação de seu membro mais famoso, o cantor e baixista Paulo Ricardo. O grupo está em meio a um processo judicial pelo uso do nome da banda.

Segundo o site da rádio, Paulo Ricardo foi ao Morning Show e se queixou da banda que queria seguir sem ele, que se declara o dono da marca. Mas o fato é que um acordo datado de 2007 dividiu os direitos da banda em quatro partes iguais entre os membros. Inclusive, a Justiça acabou de dar ganho de causa a Luiz Schiavon (teclados), Fernando Deluqui (guitarra) e Paulo Pagni (bateria), obrigando Paulo Ricardo a pagar indenização de R$ 1,2 milhão aos outros três.

Na Jovem Pan, o trio remanescente disse que Paulo Ricardo está, no mínimo, mal informado. À rádio, Fernando Deluqui explicou os eventos após o pacto de retorno do grupo em 2007, que resultou no RPM retomando as atividades, lançando um disco novo e fazendo shows até 2017, quando Paulo Ricardo desistiu de continuar com o grupo.

Então nós voltamos [em 2007] e fizemos shows com o Paulo. Cada um tem 25% dos direitos. Em março de 2017, o Paulo abandonou a banda, saiu fora, foi cuidar da carreira solo dele. Nós tínhamos contrato para cumprir, esperamos para conversar com ele depois, mas não teve conversa, ele não quis trocar ideia. Nós precisamos botar pão na mesa; houve decisão favorável a nós e estamos aí.

O plano do trio é retomar as atividades imediatamente. Se queixando da inatividade que Paulo Ricardo impunha à banda. Disse Pagni:

Não era legal. (…) É difícil explicar tudo para as pessoas. Era meio ditadura, meio esquisito, não rendia. Fizemos um CD em 7 anos.

Agora, a banda tem planos imediatos: vão lançar uma canção nova no dia 25 de janeiro próximo e vão fazer shows a partir de fevereiro. O lugar de Paulo Ricardo será ocupado por Dioy Pallone.

O RPM foi fundado em 1984 e lançou seu primeiro álbum, Revoluções por Minuto, no ano seguinte, que foi um sucesso estrondoso. Num erro estratégico, a gravadora forçou o grupo a lançar o ao vivo, Rádio Pirata Ao Vivo, que fez um sucesso sem precedentes no Brasil, mas terminou por saturar a imagem e também as relações internas da banda.

O RPM chegou a se separar e retornar em seguida, lançando álbuns em 1988 e 1993, mas sem nunca ter alçado qualquer visibilidade similar ao que tiveram no passado. A partir de 2000 a passou a se reunir esporadicamente.