Um dos mais excêntricos e geniais guitarristas do rock, Frank Zappa manteve uma longeva, criativa e não-ortodoxa carreira até sua morte em 1993. Mas nem isso irá parar o líder do The Mothers of Invention! The Bizarre World of Frank Zappa será uma turnê que irá levar a música do artista de volta ao mundo, liderada por ele próprio por meio de um holograma!

A turnê será pelos Estados Unidos e Europa, começando em Port Chester, em Nova York, no dia 19 de abril e prosseguindo com 9 datas até 03 de maio em Baltimore, saltando dali para a um giro por Inglaterra (5 datas), Bélgica, Holanda e Espanha (4 datas), entre 09 de maio e 14 de julho.

O holograma de Zappa estará no palco junto a um time de músicos que costumava lhe acompanhar e o efeito será produzido pela mesma equipe que criou o holograma de Ronnie James Dio, o célebre vocalista que tocou com Rainbow e Black Sabbath, também já falecido, e que teve uma turnê celebrativa similar.

A família de Zappa, representada por seu filho Ahmet Zappa, apoia a iniciativa, inclusive, com o rapaz garantindo que hologramas e efeitos 3D eram uma obsessão para seu pai.

Além do holograma, o músico também terá como homenagem o relançamento do álbum duplo Zappa In New York, de 1978, que celebra 40 anos com muito material extra.

Nascido em 1940, em Baltimore, nos EUA, Frank Zappa vinha de uma família de ascendência principalmente italiana, e seu pai era químico e matemático que trabalhava com gás mostarda e outras armas químicas para o exército dos EUA, o que legou complicações de saúde para o filho, especialmente nas vias respiratórias. Influenciado por R&B e música moderna – em especial de Edgard Varèse – Zappa começou a se desenvolver como músico ainda no Ensino Fundamental, como baterista e depois guitarrista. Sua família se mudou bastante pelos EUA, com ele vivendo na Flórida e, depois, na Califórnia, em San Diego e Los Angeles.

Trabalhando com criação de trilhas sonoras para filmes B ou como guitarrista de estúdio, Zappa foi se inserindo no mundo musical até formar a banda The Mothers, em 1965, que conseguiu ser contratada pela Verve Records, subsidiária da MGM Records, e com produção do badaladíssimo Tom Wilson, o produtor de Bob Dylan e Simon & Garfunkel, lançou o primeiro álbum, Freak Out (1966), creditado como Frank Zappa & The Mothers of Invention, com esta última parte acrescentada para não criar controvérsia com a expressão “mother”, que podia ser entendida como um diminutivo de “motherfocker”.

UNITED STATES – JANUARY 01: Photo of Frank ZAPPA; Frank Zappa performing on stage (Photo by Richard E. Aaron/Redferns)

Quase nunca fazendo sucesso comercial, Zappa foi aclamado no circuito musical por suas composições complexas e a mistura de jazz e rock que ganhou o nome de Fusion. O The Mothers of Inventions lançou alguns álbuns célebres, como Absolutely Free (1967) e We’re Only in It For the Money (1968), porém, encerraram as atividades em 1969, devido à problemas de relacionamento com seu líder e o alto custo de manter uma banda de 9 membros com pouco dinheiro. Zappa lançou, então, seu primeiro álbum solo, Hot Rats (1969), que fez sucesso na Inglaterra, onde era mais popular do que nos EUA, mas ele terminou se reagrupando a alguns músicos e formando uma nova versão do The Mothers, agora, sem a parte final.

Em 1971, dois trágicos eventos levaram ao fim desse novo grupo: primeiro, durante um show no Cassino de Montreaux, um incêndio destruiu o equipamento da banda (e o cassino!) – evento imortalizado na canção Smoke on the water do Deep Purple, que também ia tocar naquela noite, ao lado do Led Zeppelin – e, logo depois, usando um equipamento alugado, o The Mothers tocou no Rainbow, em Londres, e um “fã” derrubou Zappa do palco, causando traumatismo craniano, estreitamento da traqueia, fraturas nas pernas e ferimentos nas costas, o que deixou o guitarrista fora dos palcos por mais de um ano.

Curiosamente, seus novos discos solo fizeram sucesso, Over-Nite Sensation (1973), e inclusive, com Apostrophe (*) (1974) chegando ao Top10 da Billboard. Mas os anos 1970 continuaram ruins, com uma longeva disputa judicial com a gravadora Warner Records, só finalizada em 1978, o que permitiu que Zappa continuasse como um músico independente e lançasse seus dois álbuns de maior sucesso em 1979: Sheik Yerbolti e Joe’s Garage, este último uma ópera rock política sobre liberdade de expressão em um álbum triplo. O álbum Ship Arriving Too Late to Save a Drowning Witch (1984), também terminou fazendo sucesso, puxado pelo single Valley girls, de tom humorístico; e prosseguiu ficando cada vez mais político e popular nos EUA, principalmente como um tipo de líder da vanguarda musical e artística, coroando a carreira com o Grammy de Melhor Álbum Instrumental por Jazz From Hell (1986), disco quase inteiramente gravado no synclavier, um sintetizador que virou sua grande paixão no fim dos tempos.

Após uma última turnê com uma banda de rock em 1988 – registrada em Broadway The Hard Way (1988) e The Best Band That Your Never Head in Your Life (1991) – Zappa foi diagnosticado com um câncer de próstata incurável em 1990, e passou a se dedicar integralmente à gravação de novo material, principalmente no synclavier. Sua última aparição pública foi em setembro de 1992, no Festival de Frankfurt, onde uma orquestra executou sua obra e ele foi ovacionado.

Frank Zappa faleceu em 04 de dezembro de 1993, em Los Angeles. Ele lançou 62 álbuns em vida e, desde sua morte, sua família lançou mais 49 discos.