Uma das mais importantes bandas de rock dos Estados Unidos nos anos 1960, o Creedence Clearwater Revival anunciou o fim de uma longuíssima batalha judicial e, para celebrar, irão finalmente lançar o disco ao vivo com a apresentação do grupo no Woodstock Festival, em 1969. É o que garante o Ultimate Classic Rock.

Embora o grupo tenha encerrado as atividades em 1972, já bem antes disso, o CCR vivia envolto com problemas legais. Os membros nunca havia se reconciliado e, inclusive, não se reuniram para tocar quando a banda foi indicada ao Hall da Fama do Rock, em 1993. E tudo só piorou a partir de 1995, quando Stu Cook e Doug Clifford (baixo e bateria) fundaram a banda cover Creedence Clearwater Revisited, o que despertou a fúria do vocalista, guitarrista e compositor John Fogerty.

Mas agora os conflitos acabaram. Segundo uma entrevista para a Billboard, Doug Cook disse que as hostilidades cessaram e os ex-membros estão trabalhando juntos em uma empresa para administrar o marketing em cima do CCR e, inclusive, lançar o álbum ao vivo com a apresentação do grupo no histórico Woodstock Festival, em 1969.

O Creedence fez uma histórica apresentação no evento, mas as disputas legais internas impossibilitaram que sua performance aparecesse tanto no filme quanto no disco lançados sobre o festival. Mas agora, essa reparação histórica pode ser feita.

Não há datas ainda, mas é uma boa notícia.

O Creedence Clearwater Revival se formou ainda em 1959, em El Cerrito, na Califórnia, quando os estudantes do Ensino Fundamental, John Fogerty, Stu Cook e Doug Clifford formaram uma banda chamada The Blue Velvets, que tocava covers dos grandes sucessos. O irmão mais velho de John, Tom Fogerty já se apresentava como cantor e a banda também o acompanhava em shows.

Em 1964, o quarteto se uniu oficialmente e assinou contrato com a Fantasy Records, e a companhia mudou o nome da banda para The Golliwogs, que conseguiu um pequeno sucesso com singles. O grupo chegou ao fim em 1966, quando John Fogerty e Doug Clifford foram convocados pelo Exército, mas por sorte, não foram enviados à Guerra do Vietnã.

John Fogerty, Tom Fogerty, Doug Clifford e Stu Cook.

Após um ano, a dupla entrou na Reserva e a banda retomou as atividades, no fim de 1967, estabilizando a formação com John Fogerty (vocais, guitarras), Tom Fogerty (guitarra base), Stu Cook (baixo) e Doug Clifford (bateria). A Fantasy Records havia sido comprada por Saul Zaentz e quis continuar administrando a banda, desde que com outro nome. Baseado em um amigo de John chamado Credence Newball, o grupo criou o nome Creedence (para ficar parecido com creed, de culto ou credo) Clearwater (um sobrenome inspirado em uma propaganda de cerveja, “águas claras”) Revival (em homenagem ao retorno da banda).

O primeiro álbum, homônimo, da banda foi lançado em 1968 e já foi um sucesso, baseado principalmente em covers, como de Suzie Q e I put a spell on you; mas o segundo disco Bayou Country (1969) já trouxe maior destaque ao material composto por John Fogerty, em sucessos como Pround Mary.

A sonoridade da banda casou perfeitamente com o momento, na qual o rock de uma maneira geral deixava de lado as experimentações e idiossincrasias do psicodelismo e forçava um tipo de “retorno às origens”, patrocinado tanto por grandes astros – Beatles e Rolling Stones deixaram o psicodelismo de lado em 1968 – quanto de novos músicos, particularmente nos Estados Unidos.

O impulso de artistas como The Byrds e Bob Dylan em se reconectar com a típica música de raiz dos EUA, o Country, fez surgir o Country Rock e o Creedence Clearwater Revival (ao lado do The Band) foi a grande novidade a capitanear isso como sucesso.

O CCR teve um ano de 1969 inacreditavelmente intenso, com a banda tocando nos EUA e no mundo, lançando três álbuns (!) – Bayou Country, Green River e Willy and the Poor Boys – e tocando no Festival de Woodstock, mas isto deixou as relações internas em frangalhos. Após outros dois discos com sessões tensas – Cosmo’s Factory (1970) e Pendullum (1971) [este último do qual saiu a faixa mais conhecida da banda hoje, Have you ever seen the rain?]- Tom Forgety decide não mais trabalhar com o irmão e sai da banda.

Reduzido a apenas um trio, o CCR ainda seguiu em frente, mas a pressão interna levou John Fogerty a concordar em ceder espaço para Stu Cook e Doug Clifford cantarem e comporem, e Mardi Grass (1972) foi o pior disco da banda e o mais mal recebido. Com isso, o grupo se dissolveu naquele mesmo ano.

John Fogerty ainda entrou em uma disputa judicial com Saul Zaentz, que se tornou o proprietário do copyright de suas composições e decidiu não cumprir o contrato de 8 discos que devia. Por isso, após ir aos tribunais, só lançou seu primeiro álbum solo em 1975, quando a Asylum Records (de David Geffen) comprou seu velho contrato.

Não ser o dono das próprias músicas fez John Fogerty evitar tocar o material do CCR em sua carreira solo, ao mesmo tempo em que nunca conseguiu mimetizar o sucesso de outrora, só chegando às paradas ocasionalmente, como no hit de 1985, Centerfield.

A situação chegou ao cúmulo de Fogerty ser processado por Zaentz por plagiar uma composição dele próprioThe old man down the road seria uma “cópia” de Run through the jungle, que o CCR lançou em 1970. Tal mal estar não apenas impedia Fogerty de tocar suas canções da época do CCR nos palcos, como também o levou a se aposentar da música em 1988; só retornando em 1997. Desde então se manteve na ativa, agora tocando seu material antigo.

Os outros membros do CCR também seguiram suas carreiras, embora sem sucesso comercial, até que Cook e Clifford fundaram a banda cover Creedence Clearwater Revisited, em 1995. Processados por John Fogerty, chegaram a mudar o nome do grupo para Cosmo’s Factory, mas depois ganharam na justiça o direito de usar o nome.

O Revisited encerrou recentemente uma turnê e não se sabe se regressará aos palcos após o acordo de “paz” do CCR.