Segundo o Deadline, o Marvel Studios não irá mais produzir os filmes do Homem-Aranha, passando agora apenas ao controle da Sony Pictures. É o fim de uma parceria que rendeu cinco filmes, dentre eles, dois longas solo do amigão da vizinhança.

O site informa que o contrato entre os dois estúdios – firmado com estardalhaço em 2016 – se encerrou com o recente Homem-Aranha – Longe de Casa e não houve acordo para prosseguir a parceria. A proposta da Marvel era dividir em 50% para cada o custo dos filmes seguintes, mas a Sony, por sua vez, exigiu ficar com 95% da arrecadação em bilheteria, coisa que a primeira não aceitou.

Com isso, é praticamente o fim da curta, mas épica carreira do Homem-Aranha junto aos Vingadores nos cinemas. A nova versão de Peter Parker, encarnada por Tom Holland, estreou em Capitão América – Guerra Civil (do Marvel Studios), na qual é recrutado pelo Homem de Ferro para ajudá-lo lutar contra a dissidência liderada pelo Capitão América. Em seguida, o aracnídeo estreou em seu primeiro filme solo da nova fase, com Homem-Aranha – De Volta ao Lar (da Sony Pictures), em que regressa ao seu cotidiano após a aventura ao lado dos Vingadores e dá o passo seguinte de sua carreira heroica, indo além das fronteiras de sua vizinhança.

Daí, ele salta para Vingadores – Guerra Infinita e Vingadores – Ultimato (ambos da Marvel), em que embarca na luta dos Vingadores contra Thanos, termina sendo evaporado pelo estalar de dedos do titã louco, mas regressa para a batalha final cinco anos depois. E. por fim, vive o luto do mundo pós-Dizimação em Homem-Aranha – Longe de Casa (Sony), em que precisa encontrar o seu lugar num mundo sem o Homem de Ferro e sem os Vingadores.

Como é possível notar, os dois filmes solo do aracnídeo foram inteiramente inseridos dentro do Universo Marvel nos Cinemas (MCU), com Tony Stark (Robert Downey Jr.) em destaque no primeiro; e Nick Fury (Samuel L. Jackson) no segundo.

Sem o acordo, é muito pouco provável que o Marvel Studios permita que a Sony continue a usar seus personagens ou menções ao seu universo; o que deve ser a deixa para a Sony começar a aproximar Peter Parker do restante de seu universo cinematográfico em expansão ao qual o estúdio tem propriedade e o Marvel Studios não tem interesse nem ingerência, como os filmes Venom (que vai ganhar uma sequência) e Morbius – O Vampiro Vivo (que está sendo filmado), além de vários outros projetos em discussão.

O contrato atual com Tom Holland e o diretor Jon Watts prevê mais dois filmes.

Homem-Aranha – Longe de Casa atingiu a marca de US$ 1,109 bilhões nas bilheterias do mundo, este domingo, e se tornou a maior arrecadação da história da Sony, ultrapassando o campeão anterior, 007 – Operação Skyfall, de 2012.

Leia a Resenha do HQRock para Homem-Aranha – Longe de Casa, aqui.

Parece que o megassucesso do aranha cresceu os olhos da Sony, que está dispensando a Marvel que, sejamos realistas, é a grande responsável pelo sucesso do personagem na fase atual. Afinal, o grande chamariz dos dois filmes do amigão da vizinhança foi justamente sua conexão com os Vingadores e o Homem de Ferro em particular.

Não custa lembrar que, apesar de sua imensa popularidade, o Homem-Aranha já teve sete filmes para o cinema (sem contar os três outros com os Vingadores), mas conseguiu mesmo sucesso de pública e crítica apenas com os dois primeiros de Sam Raimi, nos distantes 2002 e 2004. O terceiro daquela franquia fez boa bilheteria, mas foi massacrado pela crítica e o público, em reavaliação, também não gostou; enquanto a tentativa seguinte, O Espetacular Homem-Aranha (dois filmes, em 2012 e 2014) rendeu dois filmes medíocres, que desagradaram público e crítica. O novo acerto veio apenas com a parceria com a Marvel.

Não interagir mais com os Vingadores e abraçar Venom e Morbius não parece um futuro promissor ao cabeça de teia.