As coisas só pioram. Depois da notícia de que a Sony Pictures encerrou o acordo com o Marvel Studios para compartilhar o Homem-Aranha entre os dois estúdios – que resulta no aracnídeo deixar de aparecer nos filmes dos Vingadores e de seu Universo – agora, o The Hollywood Reporter afirma que o ator Tom Holland pode também deixar o papel de Peter Parker para trás.

Segundo o site, apesar da notícia que circulou – inclusive aqui no HQRock – de que Holland e o diretor Jon Watts teriam mais dois filmes por contrato, na verdade, Holland teria uma cláusula no contrato que o permitiria abandonar o papel se quisesse.

O THR ainda ressalta que, aparentemente, Holland teria deixado de seguir a Sony no Twitter, o que é um indicativo de que o ator largou o uniforme vermelho e azul.

Já se especula que Holland está caindo fora por se manter “fiel” à Marvel. Afinal, embora no contexto do acordo Sony-Disney, no fim das contas, foi o Marvel Studios quem escolheu o ator para ser o novo Peter Parker, num processo que envolveu Kevin Feige (presidente do Marvel Studios) e os diretores Joe e Anthony Russo (que comandaram Capitão América – Guerra Civil, na qual o novo Homem-Aranha fez sua estreia já dentro do Universo Marvel), e talvez, tenha contado com Amy Pascal, a produtora responsável pelo cabeça de teia dentro da Sony. Mas Holland embarcou na aventura no Marvel Studios e só depois chegou o diretor Jon Watts, que dirigiu os dois filmes solo do escalador de paredes para a Sony.

Não custa lembrar, a propriedade do Homem-Aranha no cinema é uma longa novela conflituosa, que remete aos primórdios do Marvel Studios e brigas que reverberam até hoje. A seção do personagem para o cinema se deu ainda nos anos 1980 e envolveu um imbrólio jurídico que se resolveu apenas em 1997, quando a Sony Pictures comprou a Columbia Pictures (pretensa proprietária dos direitos de adaptar o aracnídeo aos cinemas), num contrato que foi mediado (e recebeu aportes financeiros) da empresa Toy Bizz (produtora de brinquedos), que era comandada por Avi Arad, que também virou um dos proprietários da Marvel Entertainment quando a empresa precisou se recuperar de um processo de falência correndo na época.

Como resultado, Arad virou o produtor (dono) do Homem-Aranha dentro da Sony e criou o Marvel Studios, da qual foi o primeiro presidente, para cuidar da adaptação do personagem às telonas (e também dos X-Men, que terminariam saindo primeiro, em 2000, com o Homem-Aranha chegando aos cinemas em 2002).

Mas o sucesso da Marvel Studios no cinema gerou conflitos dentro da Marvel Entertainment, da qual Ike Pelmulter era o CEO e foi se tornando desafeto de Avi Arad. Após um sem número de propriedades da Marvel fazerem sucesso no cinema (além de X-Men e Homem-Aranha, vieram Hulk, Demolidor, Motoqueiro Fantasma e até Blade), Pelmulter decidiu que a empresa podia gerenciar os próprios filmes por meio do Marvel Studios e distribui-los por outros estúdios com os quais tinham parcerias pendentes, como a Paramount Pictures, que tinha os direitos de Capitão América, Homem de Ferro e Thor.

Arad achou aquilo arriscado e trabalhoso e se negou. Como resultado, em 2005, foi demitido do cargo de Presidente do Marvel Studios e seu principal auxiliar, Kevin Feige, tomou o seu lugar. Como compensação, Arad permaneceu como produtor do Homem-Aranha dentro da Sony.

Em seguida, Feige unificou os personagens da Paramount na franquia dos Vingadores e atingiu o sucesso inacreditável que vimos na última década. Tanto sucesso que a The Walt Disney Company comprou a Marvel Entertainment (com o Studios dentro) em 2009, tirou a Paramount da jogada, e ainda promoveu Feige a não ter mais que se reportar diretamente a Pelmulter, mas diretamente ao CEO da Disney, Bob Iger.

Avi Arad, por seu turno, apenas meteu os pés pelas mãos: depois do sucesso de público e crítica dos dois anteriores, Homem-Aranha 3 foi um fracasso que encerrou a franquia, em 2007, e o Reboot de 2012 foi ainda pior, com sua sequência, em 2014, chegando ao fundo do poço.

Dentro da Sony, Arad foi colocado discretamente de escanteio, e a ex-CEO da empresa, Amy Pascal assumiu a responsabilidade de reerguer o Homem-Aranha no cinema. E sua jogada foi de mestre: já tendo trabalhado com Kevin Feige no passado, promoveu o acordo inédito na qual Sony e Marvel iriam compartilhar o aracnídeo, com Tom Holland aparecendo nos filmes dos Vingadores no Marvel Studios, e tendo seus filmes solo na Sony.

Mas o sucesso sem precedentes de Vingadores – Guerra Infinita e Vingadores – Ultimato, e o fato de Homem-Aranha – Longe de Casa ser o primeiro do cabeça de teia a atingir a marca de 1 bilhão de dólares nas bilheterias mundiais parece ter atrapalhado tudo.

Ficaremos ligados para ver como isso se resolve nos próximos dias.