O The New York Times analisou a recente questão do incremento da campanha #releasesnydercut para que Liga da Justiça ganhe sua versão original não lançada por Zack Snyder e traz algumas revelações sobre o processo, incluindo que 80 páginas do roteiro foram descartadas e trazendo os nomes daqueles que assistiram ao corte bruto do longa e não o aprovaram!

Segundo o TNYT, como dissemos recentemente, a Warner ficou extremamente infeliz ao assistir o corte bruto que o diretor Zack Snyder preparou para Liga da Justiça no início de 2017, pouco após o fim das gravações no ano anterior. O estúdio já estava preocupado com a recepção negativa de Batman vs. Superman – A Origem da Justiça, que foi seu antecessor, mas a pressa em ganhar mais dinheiro pôs tudo a perder: Snyder foi contratado para desenvolver a união do time apenas algumas semanas após o lançamento daquele.

O plano de Snyder era fazer Liga da Justiça – Parte 1 e Parte 2, com a trama que envolveria o vilão Darkseid, a vitória do mal, os heróis voltando no tempo para mudar o presente e a presença de outros heróis que não apareceram no versão final, como o Lanterna Verde e o Caçador de Marte. De cara, a Warner não aprovou esta versão e Snyder a readaptou para um filme único. Neste ponto as coisas ficam confusas, pois ninguém sabe ao certo qual a trama que o diretor manteve para a nova versão nem o quanto dela chegou aos cinemas. Até hoje não está claro, por exemplo, se Darkseid permaneceu na trama ou foi resguardado para uma vindoura sequência que nunca veio (e nunca virá?).

De qualquer modo, Snyder realizou extensas filmagens ao longo do ano de 2016 – e parece ter usado a mesma estratégia de BvS, na qual gravou mais do que precisava, o que motivou o lançamento de uma nova versão deste, em vídeo doméstico, com 3 horas de duração. Mas parece que o volume de gravações, de tramas excessivas e do clima pesado e sombrio deixaram o estúdio com o alerta ligado.

Preocupada, a Warner organizou uma exibição teste de Liga da Justiça na presença da roteirista Andrea Berloff (de Straight Outta Compton), do roteirista Allan Heinberg (de Mulher-Maravilha) e de Joss Whedon (diretor e roteirista de Os Vingadores), e depois disso, contratou Whedon para reescrever e refilmar o longa.

In this April 12, 2012 photo, writer and director Joss Whedon, from the upcoming film “The Avengers”, poses for a portrait in Beverly Hills, Calif. The film will be released in theaters May 4. (AP Photo/Matt Sayles)

Whedon entregou um novo roteiro no qual descartava 80 páginas do manuscrito de Snyder, tirando fora várias subtramas (especialmente em relação a Flash e Ciborgue); dava mais espaço para personagens como Lois Lane e Martha Kent; e adicionava um pouco de humor.

Mas Whedon enfrentaria muitos problemas a seguir, como o cronograma apertado de seis semanas de refilmagens; problema nas agendas dos atores; o fato de Henry Cavill (o Superman) estar usando um bigode para Missão Impossível – Efeito Fallout e estar impedido por contrato de raspá-lo (obrigando ao estúdio apagar digitalmente os pelos em um efeito especial horroroso); e a recusa da Warner em mudar a data de estreia. Como resultado, Whedon assumiu o filme em março, realizou as refilmagens entre julho e setembro; e viu o lançamento do filme apenas dois meses depois, em novembro de 2017. Claro que não ia dar certo.

Liga da Justiça chegou aos cinemas como um filme canhestro, mal resolvido, com péssimos efeitos especiais, um antagonista sem graça e propósito e personagens mal aproveitados.

Whedon fez um grande trabalho em Os Vingadores e poderia ter entregue uma ótima Liga da Justiça, caso a Warner tivesse mudado a estreia de novembro de 2017 para março ou julho de 2018. Mas a recusa – sabe-se lá por qual motivo – manchou para sempre o Universo DC dos Cinemas, ao ponto do estúdio estar desmotivado para continuar a reunir seus heróis nas telas e preferindo contas suas aventuras em separado.

A campanha em prol do lançamento da versão de Zack Snyder promete fazer muito barulho, mas a Warner não vem se mostrando nem um pingo interessada sobre o tema.

Além disso, apesar de Snyder ter grandes fãs, o público em geral não gostou de sua abordagem da DC, com seus dois filmes completos (Superman – O Homem de Aço e Batman vs. Superman) tendo sido recebidos com reações negativas e reclamações contra o tom sombrio, pesado e escuro de suas produções. Liga da Justiça tem um pouco disso, mas é menos granulado, embora, tão pouco traga a luminosidade de Whedon.

No fim, o filme que chegou aos cinemas não é a versão de Snyder. Nem a de Whedon.