O cantor e compositor canadense Neil Young é um dos grandes nomes do rock e tem uma longa e conturbada discografia. E ela ganha mais um capítulo interessante: o músico irá lançar o álbum Homegrown, de 1975, que até hoje permanecia inédito.

Neil Young.

Sendo um dos compositores mais prolíficos da história, mais de uma vez na carreira, Young arquivou discos inteiros e lançou outros em seu lugar. E este foi um caso: refletindo o fim de seu casamento, Homegrown foi considerado muito íntimo e doloroso pelo próprio autor, que decidiu não finalizá-lo e, em seu lugar, lançou o álbum Tonight’s the Night, em 1975.

O próprio Young justificou isso ainda naquele mesmo ano (via Ultimate Classic Rock e Rolling Stone), quando disse:

Aquele disco pode ser mais do que as pessoas iriam querer ouvir de mim agora, mas é apenas um álbum muito para baixo. É o lado mais sombrio de Harvest. Um bocado das canções é sobre a ruptura com minha esposa. Era um pouco pessoal demais… Me assustou. Eu não queria ir tão baixo ao ponto de que não poderia levantar mais.

No comunicado oficial do site do cantor, Young mantém o discurso, mas agora, sob a ótica de 45 anos passados:

Uma gravação cheia de amor perdido e explorações. Um disco que ficou escondido por décadas. Muito pessoal e revelador para expor no frescor daqueles tempos.

O site acrescenta ainda que todo o trabalho de recuperação e masterização de Homegrown foi feito de modo analógico, a partir das fitas originais.

Homegrown é descrito como “a ponte ainda não ouvida entre Harvest (1972) e Comes a Time (1978) e será o primeiro lançamento do músico em 2020, embora uma data exata não seja esclarecida.

Neil Young nasceu em Toronto, no Canadá, em 1945, mas emigrou para os EUA, onde desenvolveu sua carreira como músico, ganhando notoriedade como membro da banda californiana The Buffalo Springfield, em 1967, mas saindo em carreira solo logo em 1968, para no ano seguinte, também fazer parte do supergrupo Crosby, Stills, Nash & Young, formado ao lado de David Crosby (The Byrds), Stephen Stills (também do Buffalo Springfield) e Graham Nash (The Hollies).

Apesar da boa dose de eletricidade nos discos, os shows do CSNY tinham caráter mais acústico.

Seja em sua versão CSN ou como CSN&Y, o supergrupo se tornou um dos maiores fenômenos de vendas da passagem dos anos 1960 para 70, tocando no Festival de Woodstock. Ao mesmo tempo, o trabalho serviu para dar mais popularidade à obra solo de Young, que se nunca foi um vendedor das massas, conquistou um respeito ímpar pela crítica.

Alternando momentos mais populares com outros mais obscuros e ocasionais reuniões do Crosby, Stills, Nash & Young, Neil Young manteve uma carreira ativa e muito produtiva, alternando também o acompanhamento por bandas célebres, como a Crazy Horses e a Stray Cats, nos anos 1970, para a Promise of the Real, em anos recentes. Entre seus álbuns mais célebres, estão After the Gold Rush (1970), Harvest (1972), Tonight’s the Night (1975), Comes a Time (1978), Freedom (1989), Harvest Moon (1992), mas sua obra permanece relevante até os dias de hoje, em obras muito políticas e críticas, como Living with War (2006), The Monsanto Years (2015) e The Visitor (2017), colecionando ao todo 40 discos de estúdio e 8 ao vivo, alguns dos quais totalmente com material inédito.