Nascido no Canadá, o cantor e compositor Neil Young finalmente conseguiu a cidadania estadunidense e poderá votar contra a releição do presidente Donald Trump. Quem deu o furo foi o TMZ, que flagrou Young saindo do Los Angeles Convention Center no dia 22 último. Na imagem o lendário roqueiro traz uma pasta de papeis e uma pequena bandeira dos Estados Unidos, acompanhado pela esposa Daryl Hannah.

O próprio músico havia divulgado que tinha dado entrada no processo de dupla cidadania com o propósito de poder votar em novembro de 2019, em seu site oficial. Na ocasião, disse que foi entrevistado sobre muitas questões e que foi honesto, mas depois recebeu um comunicado de que teria que se submeter a outros testes, porque pessoas que usaram maconha tiveram problemas no quesito.

Aparentemente, havia uma preocupação no antigo gabinete de cidadania sobre o uso de drogas e o caráter das pessoas que faziam esse uso, Young falou na ocasião. Um comunicado do governo dizia que pessoas que fizeram uso de drogas podiam ter falha de Bom Caráter Moral, porque precisaram infringir as leis para consumir as drogas, mesmo que isso não seja contra a lei de outros países. O fato é que Young passou no teste.

Numa entrevista ao Los Angeles Times, ainda naquela primeira ocasião, Young justificou porque pediu a cidadania americana:

Eu ainda sou um canadense, é uma coisa que nada pode tirar isso de mim. Mas eu vivo aqui [nos EUA]. Eu pago impostos aqui. Minha linda família é toda daqui e eles são todos americanos. Então, eu quero registrar minha opinião… Nós temos uma emergência climática e os governos não estão agindo.

Young sempre teve uma postura política clara e suas canções sempre falaram sobre críticas sociais e política, ainda mais nos últimos tempos, quando adotou uma linha ainda mais explícita sobre os problemas climáticos, as empresas que destroem o meio ambiente (ele tem um álbum exclusivamente para criticar a ação da Monsanto) e contra os governos conservadores dos EUA, como George W. Bush e o atual Donald Trump.

Neil Young.

Vale lembrar que, enquanto Trump sofre a possibilidade de abertura de um processo de impeachment pelo Congresso dos EUA, haverão eleições presidenciais este ano naquele país e o magnata concorrerá (se puder) à releição. As prévias eleitorais já começam em março e Young poderá manifestar seu voto e já faz campanha para o voto no Partido Democrata, que representa a oposição ao Partido Republicano de Trump.

Enquanto isso, o músico que se mantém ativo no lançamento de álbuns quase anuais mesmo aos 74 anos (e 53 de carreira!) terá um ano dedicado a celebrar o passado, lançando dois filmes de concerto – um de 1990 e outro de 2003 – e um disco de estúdio de 1975 que permaneceu inédito até hoje.

Neil Young nasceu em Toronto no Canadá, em 1945, mas emigrou para os Estados Unidos, onde conseguiu destaque na música na banda Buffalo Springfield (em 1967), saiu em carreira solo (a partir de 1968) e fez parte do supergrupo Crosby, Stills, Nash & Young (a partir de 1969) e se firmou nos anos 1970 como um dos maiores compositores do rock, sempre alternando a suavidade folk com o poderio do rock pesado e com letras transitando entre a introspecção e a crítica política.