Nos últimos anos, Hollywood foi tomado pelo movimento #MeToo e a abertura de temas sobre os abusos sexuais que as mulheres sofreram (e continuam sofrendo) nessa indústria e a discussão de estratégias de empoderamento feminino. E isso abriu o caminho para outros temas correlatos, como a violência doméstica. Neste ponto, a atriz Melissa Benoist, que interpreta a protagonista de Supergirl na TV, surpreendeu o mundo com um relato duro sobre sua própria experiência como sobrevivente de abusos e violência nas mãos de um ex-parceiro.

Protagonista em uma série de TV que lida explicitamente com o empoderamento feminino Supergirl mostra as aventuras de Kara Zor-El, a prima kryptoniana de Kal-El, o Superman, vivendo na Terra e tendo que descobrir seu próprio caminho de heroísmo sem ficar à sombra do parente mais famoso, e com isso, discutindo a participação feminina na sociedade, jornada similar às suas personagens coadjuvantes, que incluem a irmã de criação Alex, a chefe Cat e até Lena Luthor, irmã de Lex Luthor – a ação de Benoist é incrível e importante. Sua experiência particular – dolorosa e brutal – serve para mostrar que todas estão sujeitas a ser vítima da violência, independente da situação social, e que é preciso falar sobre isso, denunciar e criar estratégias que evitem tais situações.

E punam os culpados, claro.

Melissa Benoist veio à sua cota pessoal do Instagram, na quarta-feira e gravou o depoimento, lendo um texto que escrevera previamente, carregado de emoção por meio de 14 minutos. É brutal. É triste. Mas é necessário para a luta de que esse tipo de situação não se repita e não seja mais tolerável pela sociedade.

Vamos transcrever parte do relato, usando a versão escrita no Daily Mirror:

Eu normalmente não faço coisas como essa, mas eu escrevi algo que queria compartilhar, e queria me manter fiel às minhas palavras, para não ter que editar antes de publicar. Então, eu vou ler muito alto e estou meio nervosa, então, paciência comigo.

Eu sou uma sobrevivente de violência doméstica ou VPI (violência de parceiro íntimo), o que é algo que eu nunca esperei que diria em minha vida, muito menos transmitindo isso para o éter…

Ele era uma pessoa magnânima, que não te dá mesmo uma chance de não se envolver com ele. Ele podia ser charmoso, divertido, manipulador, desonesto. Era um cara mais jovem que eu, com sua maturidade óbvia. Por um período de tempo, eu não estava interessada. Tinha ficado solteira recentemente e estava ganhando minha independência na mudança de minha vida.

A dura verdade é que eu aprendi como é ser jogada ao chão e estapeada repetidamente, socada tão forte que o ar saia de mim e me derrubava, ser arrastada pelo cabelo contra o concreto, ter a cabeça batida contra algo, ser beliscada até minha pele romper, jogada contra a parede com tanta força que o drywall quebrava, ficar chocada.

Eu aprendi a me trancar em quartos, mas rapidamente parei, porque a porta era inevitavelmente derrubada. Aprendi a não valorizar nenhum de meus bens… reparáveis ou irreparáveis. Aprendi a não valorizar a mim mesma.

Ele jogou seu iPhone em meu rosto. O impacto rompeu minha íris, quase rompeu meu globo ocular, lacerou minha pele e quebrou o meu nariz. Fiquei inchada. Meu lábio ficou inchado… Alguma coisa dentro de mim quebrou, isso foi longe demais.

Sair dessa não foi um passeio no parque. Não é um evento, é um processo. Eu senti sentimentos complicados de culpa por cair fora e por machucar alguém que eu tinha protegido por tanto tempo… e sim, senti que estava deixando para trás uma coisa familiar.

Mas por sorte, a pessoa que eu sou por dentro, a mais corajosa, eu nunca perdi o senso de clareza que ficava me repetindo: “você não merece isso”.

Romper aquele círculo foi a mais transformadora, empoderadora escolha que já fiz em minha vida. Eu sinto que me fortaleci muito. Estarei me curando disso pelo resto de minha vida.

A longa e sinuosa estrada de cura e reconciliação que me trouxe até este momento onde me sinto forte o suficiente para falar sobre minha experiência abertamente, honestamente e sem vergonha.

Ao compartilhar minha história, espero que eu possa empoderar outras a procurar ajuda e conseguir sair desses relacionamentos abusivos. Todo mundo merece ser amado livre de violência, medo ou abuso físico.

Realmente, a ação de Benoist é inspiradora e esperamos que chame a atenção ao problema e ajude nas soluções.

O Daily Mirror aponta que, atualmente, a atriz de 31 anos é casada com Chris Wood, seu parceiro em Supergirl, mas foi casada com outro colega de profissão, Blake Jenner, com quem contracenava em Glee.

A atriz, obviamente, não menciona o agressor, mas o que fica realmente de importante é a necessidade de discutir os relacionamentos abusivos e, especialmente, o modo como a sociedade muitas vezes tolera essas barbaridades.

O gesto de Melissa Benoist apenas engrandece mais ainda seu papel como Supergirl e como uma heroína para qual as meninas do mundo podem se inspirar a se sentirem mais poderosas, femininas, empoderadas e merecedoras.